sábado, 3 de janeiro de 2015

Os Famalicenses e a I Grande Guerra: a cultura em 1915


OS FAMALICENSES E A I GRANDE GUERRA
O CIGARRO DO SOLDADO


[Foto AGG]

Nas actividades culturais, entre o teatro e as variedades, no cinema e nas festas populares, a comunidade famalicense teve algumas ofertas de distracção. A 16 de Fevereiro foram imponentes os festejos do Carnaval, os quais foram abrilhantados com um desfile alegórico, composto por oito quadros e acompanhados por uma Banda de Clarins e de música. O último carro alegórico intitulou-se “A Grande Guerra Infame”.

Lucifer-Kaiser, imperador do inferno, resolve declarar guerra ao mundo, cônscio como está do seu enorme poderio, da facilidade com que dispõe da vida dos seus infernais súbditos e dos grandes depósitos de matérias inflamáveis com que há anos abasteceu os grandes depósitos do inferno. A primeira parte do mundo a sofrer as maluqueiras do infernal imperador é a Europa, para onde já estão assestadas as formidáveis bocas de fogo que sinistramente ameaçam destruir tudo. A humanidade resolve defender-se, para o que manda abrir todas as torneiras, tanques, diques, rios e mares e oferece uma resistência tenaz com a qual não contava o maduro dirigente do inferno. / A luta dos dois poderosíssimos elementos é gigantesca e a água jorra com tamanha intensidade, sobe com tal impetuosidade que ameaça inundar o inferno. Os habitantes infernais vendo-se perdidos resolvem conspirar contra o seu imperador e propondo a paz indemnizam a Europa dos prejuízos e atiram com Lucifer-Kaiser para as Caldeiras do Pedro Botelho. / Este carro é uma maravilha, um prodígio de engenharia mecânica, para ele chamamos a atenção do público. / O préstito fecha com os representantes do Carnaval Carioca que aqui vêm saudar o nosso entrudo, mas bem entendido é o Carnaval-cordão, porque o outro, o maravilhoso, tem que fazer e não dispõe de representantes. / Apresentar-se-á com as suas vestes selvagens como sempre, dançando e cantando as modinhas do costume: “Oh abre ala que eu quero passa (bis) / Povo da lira não pode nega (bis) / Há duas coisas que me faz chorá (bis) / É só na tripa e bataião navá!” / Saudemo-lo pois.

Os famalicenses, entretanto, assistiram ao filme “Escola de Heróis” (um “belo episódio das guerras napoleónicas”), apresentando também o Olímpia “uma fita de grande aparato sobre motivos da actual grande guerra europeia e outros, tendo enchentes” as sessões que se realizaram à noite. Mas o filme que fará sucesso será o que vai ser passado no dia 12 de Dezembro, não sendo as notícias conclusivas quanto ao título, a saber, “Amor de Pátria” e “Pela Pátria”. O “Estrela do Minho” divulgará no mesmo dia o argumento do respectivo filme.

A guerra é declarada, repentinamente. As duas potências vizinhas, que até então mantinham as mais amigáveis relações, são agora inimigas. / Quando a guerra rebenta, Sidónia, a filha do generalíssimo Lievitz, está para casar com o tenente Alexis, adido à embaixada do estado vizinho. / O generalíssimo faz sentir ao tenente que, visto serem inimigos, deveria cessar todas as relações com a sua filha. Alexis volta para o seu país, mas, antes da partida, os dois jovens juram uma fidelidade eterna, e Sidónia dá ao noivo um pombo correio a fim de que ele lhe possa enviar notícias, caso lhe suceda alguma fatalidade. / Alguns dias mais tarde, o generalíssimo e seu filho, o tenente Ladislas, um jovem e bravo oficial que arde em desejos de se distinguir, estão já a caminho para a frente das tropas. Ladislas vê os seus desejos realizarem-se mais cedo do que esperava. / A bênção da bandeira da bateria n.º 5 deve ter lugar em presença do generalíssimo. A bateria n.º 5 é comandada pelo tenente Mirza, que está vendido ao inimigo, e que, no momento da bênção da bandeira, deve fazer rebentar um canhão. / A explosão do canhão deve ser para o inimigo o sinal do assalto. / Por acaso, o tenente Alexis descobre o plano. Um terrível combate se trava entre o sentimento do seu dever e o amor por Sidónia. Alexis está indignado pela maquinação infame de Mirza, resolvendo-se a impedir o atentado do miserável contra o pai de Sidónia. Em poucas horas o pombo leva à noiva a notícia do perigo que corre seu pai. Sidónia salta para um automóvel e precipita-se para o campo, onde encontra seu irmão a quem conta o que se passa. Ladislas monta a cavalo e chega exactamente no momento em que a explosão ia rebentar, deitando-se o general e os que o acompanhavam no chão para evitar os estilhaços e organizando-se rapidamente a defesa, que se transformou em ataque, conquistando uma após outras todas as trincheiras do inimigo. A última é defendida pelo tenente Alexis e pela secção, rendendo-se por fim a um violento assalto à baioneta, dirigido pelo tenente Ladislas de Lievitz. Dentro em pouco os dois antigos amigos e futuros cunhados encontram-se frente a frente, mas só durante um momento, porque Ladislas lança-se para a frente e Alexis cai, apertando a bandeira contra o peito. / Ladislas conta a sua irmã, que se fez enfermeira, o seu encontro com Alexis, e depois do combate ambos procuram no campo da batalha o tenente ferido, que encontram, recuperando a saúde com os cuidados assíduos de Sidónia. / Entretanto, o general inimigo teve que retirar-se para uma fortaleza com os restos do seu exército, formando assim o último apoio para a defesa. É necessário tomar aquele forte. Ladislas, que foi indicado para aquele feito de armas, tem um plano, pedindo para o seguir sob sua responsabilidade. Obtém permissão para isso e, pela sua coragem e pela sua habilidade, consegue penetrar no forte. Com verdadeiro desprezo pela morte, incendeia os depósitos de pólvora, que explode sepultando-o sob os escombros. Mas, o seu fim tinha sido atingido. / Os seus compatriotas tomam o forte, cujo comandante tem que se render com todas as suas tropas. Por um milagre, Ladislas tinha escapado à morte, e no dia em que a paz se assinou, o generalíssimo Lievitze pode encontrar-se com os seus dois filhos junto de si, e com Alexis, que aceita como seu genro.

No teatro, os famalicenses puderam apreciar em Março a Companhia Dramático Portuense Teatro Hig-Lif e em Outubro a Troupe Opereta Silva Carvalho (transformista) e Alice Fonseca (soprano ligeira). Na música, assistiram aos concertos de Branca Moreira e de Estela Brandão (em Janeiro), de Maria Teresa de Sousa Pires (em Agosto) e ao concerto do aluno da pianista Ester Brandão (Outubro), assim como assistiram, em Julho, no Café do Júlio a um espectáculo de variedades com dois artistas espanhóis. Paralelamente, o ano de 1915 foi um ano com três festas populares: em Junho (13, 14) no Campo Mouzinho de Albuquerque e na Estação, as afamadas Festas a Santo António, com foguetes e iluminações, cascatas grande e minúsculas. Em Julho, na Rua da Estação, realizaram-se as Festas a S. João, com iluminações, música, fogo, bancas e bazar de prendas e, em Antas e na Estrada de Guimarães, as Festas a São Pedro, organizadas por Nelson Pinto de Azevedo, com cascatas, iluminações e música, participando a Banda dos Bombeiros Voluntários de Braga e a Banda dos Bombeiros Voluntários de Famalicão.
Até que, em 15 de Abril, a comunidade famalicense vai unir-se na primeira festa cívica e cultural de benemerência para os soldados portugueses em África, na qual participaram os alunos das escolas oficiais de Famalicão, com um Orfeão Infantil, sob a direcção de Adolfo Lima, e com três comédias: “A Sementeira”, “A Primavera” e “A Desfolhada”. A 28 de Março os famalicenses leram a seguinte notícia: “Estão adiantados os trabalhos para a realização desta festa que deve causar entusiasmo, não só pelo fim altruísta a que se destina, mas também porque o programa é quase todo desempenhado por crianças. / Haverá números cantados pelos mesmos minúsculos actores e ainda outros números de sensação que oportunamente serão anunciados.” Com este programa a causar expectativa, os famalicenses saberão que a Banda dos Bombeiros Voluntários irá participar no acontecimento e que as receitas do sarau cultural e artístico que metade será entregue “ao Grupo Patriótico de Senhoras Lisbonenses” e a outra “à subscrição aberta em favor do Cigarro do Soldado”. O altruísmo dos famalicenses e como decorreu a mesma festa, sabem-no em 23 de Maio, numa notícia transcrita da “Ilustração Nacional”, do Porto, nos seguintes termos: “Foi uma festa brilhantíssima ultimamente realizada no Salão Olímpia de Vila Nova de Famalicão e cujo produto se destina aos nossos soldados em África. / A Comissão composta por distintíssimos cavalheiros daquela Vila cujos retratos damos, viu coroada do mais completo êxito os seus esforços. / O orador da festa foi o sr. Amadeu Mesquita, que falou com subido entusiasmo sobre o valor dos nossos soldados em heroísmo da raça portuguesa. / O orfeão infantil houve-se à maravilha, sob a direcção habilíssima do sr. Adolfo Lima. / Brilhantes foram também os trechos que a ilustre pianista e professora sr.ª D. Ester Brandão executou com notável mestria e sentimento, uma vez mais confirmando os seus méritos, ainda há pouco tão aplaudidos num concerto notável, realizado naquela Vila. Uma linda festa, enfim, a cuja intenção a “Ilustração Nacional” presta a sua homenagem.” Regista-se que a referida comissão de cavalheiros era constituída por Francisco Maria de Oliveira e Silva, José Robalo Ferreira, Adolfo Lima, Alípio Augusto Guimarães e Amadeu Mesquita.



sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

"Dicionário dos Combatentes Famalicenses (1914-1918) - Memorial Famalicense"

[Foto: AGG]

Com início num levantamento existente na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco / Fundo Local (um trabalho existente no espólio de Vasco de Carvalho), contendo à volta de quatro dezenas de combatentes de famalicenses que participaram na I Grande Guerra, o Arquivo Geral do Exército e a imprensa, a participação dos famalicenses cifra-se, para já, em duas centenas e meia! Se as primeiras notícias no jornal famalicense "Estrela do Minho" cifram a participação de famalicenses à volta de oito centenas, perto da inauguração do Monumento aos Mortos da Grande Guerra (1924) o mesmo jornal fala em dezenas de famalicenses que participaram num conflito que mudaria a velha Europa. Neste contexto, ainda existe muito trabalho por fazer! Fica aqui o levantamento até agora realizado, agradecendo qualquer informação sobre os mesmos. Qualquer informação daqui retirada, agradece-se citação.

A. Ribeiro – Soldado (Gondifelos)
Abel Domingos de Azevedo – Soldado
Abílio C. R. Pinheiro – Soldado
Abílio Francisco Marques – Soldado
Abílio Garcia de Carvalho – Alferes Médico Miliciano (Vila Nova de Famalicão)
Adolfo da Silva Pinto – Soldado
Abel Domingos de Azevedo – Soldado (Fradelos)
Agostinho Dias Ferreira – Soldado (Mogege)
Aires Domingues da Silva – Soldado (Calendário)
Alberto Sá Coelho – Soldado (Oliveira St.ª Maria)
Alberto Santos Torrinha (Mogege)
Albino Francisco Marques – Soldado (Vila Nova de Famalicão)
Alcides Gonçalves Ribeiro – 2.º Sargento (Calendário)
Alexandre Álvaro Salazar – 2.º Sargento (Pedome)
Alfredo de Freitas – Soldado (Antas, S. Tiago de )
Alfredo Gomes – Soldado (Avidos)
Alfredo José Joaquim – Soldado (Calendário)
Alfredo Pereira – Soldado (Requião)
Álvaro Marques – Sargento (Vila Nova de Famalicão)
Amadeu Augusto da Silva – Soldado (Calendário)
Amândio da Costa Correia – Soldado (Calendário)
Aníbal Carneiro de Oliveira – Soldado (Requião)
António de Araújo – Soldado (Lagoa)
António Azevedo – Soldado
António Carneiro de Campos – Soldado (Lousado)
António Carvalho da Silva – Soldado (Vale S. Cosme)
António Correia da Fonseca – Soldado (Louro)
António Costa – Soldado (Jesufrei)
António da Costa – Soldado (Lemenhe)
António da Costa Moreira – Soldado (Vilarinho)
António da Costa Mesquita – Soldado
António da Cunha – Soldado
António Dias da Silva – Soldado (Carreira)
António Ferreira de Azevedo – Soldado (Lagoa)
António Ferreira de Oliveira (Jesufrei)
António Ferreira da Silva – Soldado (Vale, S. Martinho do)
António Ferreira de Sousa – Soldado (Requião)
António Gomes da Silva – Soldado (Vila Nova de Famalicão)
António de Jesus Simões de Azevedo – 1.º Cabo (Portela)
António Joaquim Lopes – Soldado (Vermoim)
António José Machado – Soldado (Cruz, S. Tiago da)
António José da Silva – Soldado (Louro)
António Lopes da Silva – Soldado (Vila Nova de Famalicão)
António Luís – Soldado (Outiz)
António Machado – 1.º Cabo (Vila Nova de Famalicão)
António Martins – Soldado (Lousado)
António Maurício de Oliveira Fernandes – Soldado (Arnoso Santa Maria)
António Moreira – Soldado (Calendário)
António Paredes – 1.º Cabo Miliciano (Lemenhe)
António Pereira Faria – Soldado
António Pereira da Fonseca – Soldado (Avidos)
António Pereira e Sá – Soldado
António Pereira Soares – Soldado (Calendário)
António Rodrigues da Cunha Azevedo (10/12/1878-25/02/1956) – Coronel (Lemenhe)
António de Sá e Silva – Soldado (Vilarinho)
António Sabino da Costa – 1.º, 2.º Cabo (Calendário)
António Sampaio – Soldado (Avidos)
António da Silva – Soldado
António da Silva Alves – Soldado
António da Silva Carvalho – Soldado (Carreira)
António da Silva Moreira Pinto – 1.º Sargento, Alferes (Jesufrei)
António da Silva Pinto Marinho [Marinho Pinto] – 2.º Sargento, Alferes, Aspirante a Oficial Miliciano de Infantaria (Jesufrei)
Armando Chaves de Oliveira – Alferes Miliciano de Artilharia (Calendário)
Armando da Costa Araújo – 1.º Cabo (Nine)
Augusto Bento Moreira – Soldado (Cruz, S. Tiago da)
Augusto Bento Pereira – Soldado (Cruz, S. Tiago da)
Augusto Gonçalves Pinto – Soldado (Vilarinho)
Augusto de Oliveira Machado – Soldado (Cabeçudos)
Augusto Pinheiro da Silva – 2.º Sargento (Gavião)
Augusto Pinto – Soldado (Gavião)
Augusto Pinto de Araújo Campos – Soldado (Gavião)
Augusto da Silva Duarte – Soldado
Augusto da Silva Rei – Soldado (Vila Nova de Famalicão)
Augusto de Sousa e Silva – Soldado (Vila Nova de Famalicão)
Aurélio Passos – Soldado (Vale S. Cosme)
Avelino de Barros – Soldado (Ruivães)
Avelino Carvalho (Seide)
Avelino José da Silva – 2.º Cabo (Fradelos)
Avelino José da Silva – Soldado
Avelino Pereira Gomes – Soldado (Joane)
Bento Barbosa – Soldado (Bairro)
Bernardino Coelho – Soldado
Camilo António de Araújo – Soldado (S. Miguel de Seide)
Camilo Carvalho Tinoco – 1.º Cabo
Camilo Dias – Soldado (Esmeriz)
Camilo Pereira de Sá – Soldado (Calendário)
Cândido Domingos de Azevedo – Soldado (Fradelos)
Carlos Gomes de Faria – Corneteiro (Cavalões)
Carlos Oliveira – Sargento (?)
Carlos Rodrigues – 1.º Cabo (Vila Nova de Famalicão)
Casimiro da Cruz – Soldado
Constantino Gonçalves dos Santos – Soldado
Daniel Gomes Barbosa – Soldado (Lemenhe)
David Gomes Maciel – 2.º Cabo
Delfim da Costa Rodrigues – Soldado (Lousado)
Delfim Pereira Amado – Soldado
Domingos da Cunha Brandão – Soldado (Oliveira Santa Maria)
Domingos Ferreira da Silva – Soldado (Sezures)
Domingos José de Campos – Soldado (Louro)
Domingos Martins Lopes – Soldado (Nine)
Domingos da Silva Estevão – Soldado (?)
Eduardo Joaquim da Silva – 2.º Sargento (Vila Nova de Famalicão)
Ernesto Moreira – Soldado
Euclides Ribeiro Gomes de Barros – Capitão (Vila Nova de Famalicão)
Félix Ferreira Soares – Soldado (Vale S. Cosme)
Fernando Ferreira da Cruz – 2.º Sargento (Calendário)
Fonseca – Guarda-Marinha
França Barbosa Júnior – Soldado (Requião)
Francisco Alves da Costa – Soldado (S. Migue de Seide)
Francisco Alves da Silva – Soldado (Calendário)
Francisco Azevedo – Soldado (Oliveira Santa Maria)
Francisco de Azevedo – Soldado (S. Miguel de Seide)
Francisco F. Barbosa – Soldado
Francisco Ferreira Barbosa – Soldado (Esmeriz)
Francisco Ferreira Teles (Lemenhe)
Francisco José Vieira Monteiro – 2.º Cabo (Calendário)
Francisco Martins Lopes – Soldado (Vermoim)
Francisco Moreira – Soldado (Calendário)
Francisco Pinto Carneiro – Soldado (S. Paio de Seide)
Francisco Rodrigues (Jesufrei)
Guilherme dos Anjos Lopes – Soldado (Louro)
Guilherme Ferreira de Magalhães – Soldado (Vila Nova de Famalicão)
Henrique Garcia – Sargento Miliciano (Vila Nova de Famalicão)
Henrique Ventura – Soldado (Vila Nova de Famalicão)
Higino da Costa Pereira da Cruz – Soldado (Ribeirão)
Horácio Gomes da Silva – Soldado (Cruz, Santiago da)
Jaime da Costa Dias – Soldado (Vila Nova de Famalicão)
Jerónimo Ferreira – Soldado (Riba d`Ave)
Jerónimo Ferreira de Carvalho – Soldado (Pousada de Saramagos)
João da Costa – Soldado (Louro)
João Ferreira – Soldado (Ruivães)
João Ferreira – 1.º Sargento
João Pereira Marques – Soldado (Joane)
João Pereira de Matos – 1.º Sargento, Alferes (Lousado)
João da Silva Pinto – Soldado
João Simões Pereira – 1.º Cabo Enfermeiro
Joaquim de Aguiar Pimenta Carneiro – Auditor Privativo da 1.ª Divisão Mobilizada. Oficial. Major Graduado (Vermoim)
Joaquim Alves Carneiro – Soldado (Requião)
Joaquim Alves Correia de Araújo – Médico-Capitão (Requião)
Joaquim Alves de Pinho – Soldado (Antas, Santiago de)
Joaquim de Azevedo – 2.º Sargento (Castelões)
Joaquim de Carvalho Ferreira – Soldado (Brufe)
Joaquim Correia de Faria – Capitão
Joaquim da Costa – 2.º Sargento (Oliveira Santa Maria)
Joaquim da Costa Carneiro – Terceiro Oficial da Secretaria da Guerra. Graduação Alferes (Fradelos)
Joaquim Faria da Cunha – Soldado (Joane)
Joaquim Ferreira do Couto – 1.º Cabo (Ribeirão)
Joaquim Ferreira Simões (Joane)
Joaquim Gomes Morais – Soldado (S. Cosme do Vale)
Joaquim Marques de Oliveira (Vermoim)
Joaquim Monteiro de Azevedo – Soldado (Vermoim)
Joaquim Monteiro da Costa (Lousado)
Joaquim Moreira da Costa – Soldado (Lousado)
Joaquim Pereira Lobo – Soldado (Mogege)
Joaquim Pereira Simões – Soldado
Joaquim Ribeiro – Soldado (Castelões)
Joaquim da Silva – Soldado (Castelões)
Joaquim da Silva Oliveira – Soldado (Ribeirão)
Joaquim Ribeiro – Soldado
Joaquim da Silva Pimenta – 2.º Sargento (Vila Nova de Famalicão)
Joaquim de Sousa – Soldado (S. Paio de Seide)
Joaquim de Sousa Lobo – Soldado (Oliveira Santa Maria)
José António do Forno – Soldado (Fradelos)
José António Martins – Soldado (Vilarinho)
José António da Silva – Soldado (Fradelos)
José Baptista Rodrigues (Requião)
José de Barros – Soldado (Joane)
José Carvalhal da Silva – Soldado (Vila Nova de Famalicão)
José da Costa Rodrigues de Carvalho – Soldado (Calendário)
José Dias Veiga – Soldado (Ruivães)
José Fernandes – Soldado (Oliveira Santa Maria)
José Ferreira – Soldado (Castelões)
José Ferreira de Lima – 1.º Cabo (Calendário)
José Ferreira da Silva – Soldado
José Ferreira Tavares – Soldado (Calendário)
José Gomes de Carvalho – Soldado
José Gomes de Queiroz – Soldado (Nine)
José Hermínio Barbosa – Alferes
José Inácio de Magalhães – Soldado (Pousada de Saramagos)
José Lopes da Fonseca – Soldado (Ruivães)
José Maria Ferreira – Soldado
José Maria Moreira – Capitão (Vale S. Martinho)
José Martins – Soldado (Vila Nova de Famalicão, Santo Adrião)
José Martins Ribeiro – Soldado
José de Oliveira e Silva – Soldado (Vilarinho)
José Ribeiro Barbosa (1887-1930) – Capitão (Joane)
José Rodrigues – Soldado
José da Silva Borralho – Soldado (Joane)
José da Silva Torres – Soldado (Fradelos)
José de Sousa Carneiro – Soldado (Lousado)
José de Sousa Soares – Soldado (Lousado)
José Tinoco de Carvalho – Soldado (Cabeçudos)
Júlio Mendes – Soldado (Vermoim)
Justino Duarte Fernandes (Oliveira St.ª Maria)
Leandro Ferreira – Soldado (Vermoim)
Leopoldo Ferreira de Sousa – Soldado (Requião)
Lino Alves de Pinho – Soldado (Louro)
Luís de Menezes – Major (Vila Nova de Famalicão)
Luís Moreira – Soldado (Calendário)
Manuel Alves da Silva – Soldado
Mamede Dias da Cruz – Soldado (Ribeirão)
Manuel Correia Guimarães – Soldado (Ribeirão)
Manuel da Costa Azevedo – Soldado (Ribeirão)
Manuel da Costa Gomes – Soldado
Manuel da Costa Reis – Soldado (Ribeirão)
Manuel Dias da Cruz – Soldado
Manuel Dias Moreira – Soldado (Ribeirão)
Manuel Dias Moreira – Soldado
Manuel Folhadela Guimarães – Sargento (Vila Nova de Famalicão)
Manuel Gomes Pinto – Soldado (Vale S. Cosme)
Manuel Gonçalves da Costa – Soldado (Lousado)
Manuel Gonçalves da Costa Pacheco – Tenente de Infantaria (Louro)
Manuel Gonçalves do Couto – Soldado
Manuel Gonçalves dos Santos – Soldado
Manuel Gonçalves de Sousa – Soldado (Fradelos)
Manuel J. da Silva – Soldado
Manuel José Araújo – Soldado
Manuel José Rebelo – Capitão (Lousado)
Manuel José Vieira – 1.º Cabo (Vila Nova de Famalicão)
Manuel Leite Correia – 1.º Cabo (Joane)
Manuel Monteiro – Soldado (Carreira)
Manuel Monteiro – Soldado (Landim)
Manuel Nascimento Dias da Costa – Sargento (Ruivães)
Manuel Pereira – Soldado (?)
Manuel de Oliveira – Soldado
Manuel Rodrigues Carvalho – Alferes-Miliciano, Tenente (Vila Nova de Famalicão)
Manuel da Silva – 2.º Cabo (Vila Nova de Famalicão)
Manuel da Silva Brandão – Soldado (Gavião)
Manuel da Silva Pinto – Soldado (Vilarinho)
Manuel de Sousa – Soldado (Vale S. Cosme)
Manuel Veloso de Araújo – Soldado (Calendário)
Margarido Pacheco – Oficial Miliciano
Mário de Araújo – Soldado (Esmeriz)
Miguel Rodrigues Afonso – Soldado (Gondifelos)
Narciso de Abreu – Soldado (Carreira)
Nelson Couto Pinto de Azevedo – 1.º Cabo (Antas, S. Tiago de )
Raúl Pereira Rodrigues – Soldado (Riba d`Ave)
Salvador Jorge Raimundo – Soldado
Urbano da Costa Dias – Soldado (Lousado)
Valdemar Cardoso – Soldado (Gavião)
Ventura Martins da Silva – Soldado (Fradelos)
Zacarias Carneiro Soares – Soldado (Pousada de Saramagos)
Zeferino de Carvalho – Soldado (Oliveira Santa Maria)
Zeferino Ribeiro – Soldado (Mogege)
Zeferino Rodrigues do Couto Veloso – Soldado (Vilarinho)



sábado, 29 de novembro de 2014

1914 Naulila




A 9 de Agosto de 1914, no jornal “Estrela do Minho”, os famalicenses poderiam ler no editorial “Portugal e a Guerra”, qual a posição portuguesa perante o conflito, se era neutro ou não. Portugal neutral? Enquanto que em Setembro e Novembro já temos, respectivamente, a primeira e a segunda expedição africana, em Outubro uma divisão portuguesa “parte para o teatro da guerra”, segundo leram os famalicenses em 18 do mesmo mês. A notícia continua nos seguintes termos: “Soldados nossos vão combater ao lado dos ingleses, nação nossa aliada, cumprindo assim, honradamente, o nosso tratado de aliança…” Por seu turno, a primeira expedição militar para Angola e Moçambique, segundo notícia de 13 de Setembro, comandada por Alves Roçadas e Massano de Amorim e a segunda expedição, em notícia de 8 de Novembro, desta vez para o teatro de operações angolanas, será constituída essencialmente por marinheiros da Armada. Mas o acontecimento do final do ano, por terras de África, mais propriamente em Naulila, será relatado de uma forma praticamente indiferente, sem se referir à localidade. Veja-se a notícia de 29 de Novembro: “Não são conhecidos ainda os detalhes do conflito entre alemães e os nossos soldados na fronteira de Angola. Sabe-se, porém, o bastante, para ficarmos percebendo que eles entraram em território português, desrespeitando a nossa soberania. Parece ter havido combate entre soldados dos dois países e que houve mortos dos dois lados. / São, portanto, inimigos nossos também, os alemães, pois que nos hostilizaram antes ainda de nos considerarmos beligerantes na guerra ao lado da Inglaterra nossa aliada.”







Hemeroteca Digital
"Ilustração Portuguesa", n.º 448 (21 Set. 1914)

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

1914 - V. N. de Famalicão: sociedade e cultura


Logo no início do ano novo, a comunidade famalicense, sabendo-o já por antecedentes notícias, vai assistir a 7 de Janeiro ao filme, sensação da época, “Quo Vadis?”, o qual foi então exibido no Salão Olímpia, numa Quarta-Feira. Houve quatro sessões nesse mesmo dia: a primeira, realizou-se às duas horas da tarde; a segunda, às quatro e meia; a terceira, às oito da noite, e a quarta às dez e meia. O preço dos bilhetes da sessão das oito horas foi o seguinte: Balcão, 40 centavos; Cadeiras, 30 centavos e Geral, 20 centavos. Por seu turno, nas outras sessões, para o Balcão 30 centavos, Cadeiras, 25 centavos e geral, 15 centavos. As quatro sessões realizaram-se numa Quarta-Feira e, segundo o “Estrela do Minho” de 4 de Janeiro, foi “devido ao elevadíssimo custo do filme” que “a empresa não pode exibir ao Domingo, como era seu desejo.” Foi um sucesso! Também logo no início do ano, a já mais do que afamada Associação dos Empregados de Comércio, com sede na Rua Adriano Pinto Basto, elegia os seus novos corpos-gerentes, ficando na presidência da Assembleia-Geral Delfim Joaquim da Silva e para a presidência da Direcção Jaime Mesquita. Nestes corpos-gerentes, entre outros, encontram-se personalidades que irão fazer história no futuro de Vila Nova, principalmente no Estado Novo, caso de Álvaro Marques, que veio a ser Presidente da Câmara Municipal, sendo nomeado na associação focada como segundo secretário. Ainda em fins de Janeiro, o Sindicato Agrícola promoveu a conferência de Bento Carqueja no Salão Olímpia, discursando sobre o crédito agrícola, numa sessão presidida por José de Azevedo e Menezes, estando presentes Duarte Maria Pacheco Menezes, Presidente da Assembleia-Geral do Sindicato Agrícola, e Delfim de Carvalho. Este último, no final da sessão, anuncia que o Sindicato Agrícola vai organizar a Exposição Regional de Famalicão, mais propriamente, A Exposição Agrícola, Industrial e Pecuária, a qual se realizou entre 27 a 30 de Setembro, sendo incluída no programa das Festas de Setembro. A Comissão Executiva da Exposição foi constituída pelos seguintes cavalheiros: Presidente, José de Azevedo e Menezes; Secretário, Jaime Valongo; Tesoureiro, Francisco de Correia Mesquita Guimarães; Director da Secção Agrícola, Delfim de Carvalho; Director da Secção de Pecuária, Duarte de Menezes; Director da Secção Industrial; Alfredo Costa; Presidente do Sindicato Agrícola, António Joaquim de Sousa Veloso; Presidente da Associação Comercial e Industrial, Amadeu Pereira. Outras personalidades estiveram ligadas a esta Comissão, nomeadamente: Jaime Mesquita, Francisco M. de Oliveira e Silva, Nuno Simões, Adelino Santos, Luís Cunha, Manuel A. Bouças Júnior, António Maria Pereira e João Cabral de Araújo Álvares. Os prémios foram constituídos em dinheiro e em objectos de arte, sendo o júri composto por agrónomos e veterinários vindos de fora.

No primeiro trimestre do ano, a Tipografia Minerva abriu as portas da sua “Papelaria” e em Landim, no início de Julho, nas propriedades de António Joaquim de Sousa Veloso, realizou-se um torneio de tiro aos pombos, o mesmo sucedendo, no fim do mesmo mês, na “Festa do Club dos Caçadores”. A Tuna da Associação dos Empregados do Comércio têm novo regente, Armindo Costa, Nuno Simões alarga as subscrições para o busto de Camilo de Diogo de Macedo, e em inícios de Outubro a Tebaida de Seide recebe a visita de Eugénio de Castro, Visconde de Villa-Moura e Mário Beirão. Fizeram as honras famalicenses José de Azevedo e Menezes e Nuno Simões e de Barcelos António Ferraz. No almoço que José de Azevedo e Menezes ofereceu na sua Casa do Vinhal, esteve também presente Júlio Brandão. A deslocação a Seide destes ilustres visitantes foi para projectarem o “Museu Camilo”. Em Setembro e Outubro, o Salão Olympia exibirá filmes sobre a guerra, tendo “o nosso público ocasião de apreciar várias cenas da maior guerra que tem havido em todos os tempos.” Entretanto, os monárquicos, os conservadores e alguns dissidentes republicanos, mais da Comissão Municipal do Partido Republicano Evolucionista, fundavam, com Joaquim José da Rocha à frente o jornal “A Gazeta de Famalicão”.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

XVII ENCONTROS DE OUTONO 14`



Numa iniciativa da Câmara Municipal de V. N. de Famalicão através do Museu Bernardino Machado, aproximam-se os XVII Encontros de Outono de 2014, os quais se irão realizar uma vez mais na Casa das Artes, nos próximos dias 28 e 29 de Novembro. Com a temática “Colonialismo, Guerra Colonial e Descolonização”, destacam-se, entre outros, a presença, nestes XVII Encontros de Outono, do General Pezarat Correia, Aniceto Afonso ou a de Cândida Proença. Reveja-se as variadas temáticas históricas já abordadas nos outros Encontros de Outono: “Violência e Poder Político” (2013), “A Agricultura Portuguesa” (2012), “A Política dos Melhoramentos Materiais” (2011), “A I República nos Municípios Portugueses” (2010), “As Eleições: da I República ao fim do Estado Novo” (2009), “A Guerra e a Paz entre as Nações” (2008), “As Faces de Eva” (2007), “Exílio e Exilados Políticos (1926-1974)” (2006), “Pedagogia e Educação em Portugal” (2005), “Europa: globalização e multiculturalismo” (2004), “A Igreja e o Estado em Portugal” (2003), “Memória, História, Património” (2001), “Intelectuais e Autarcas” (2000), “25 Anos do 25 de Abril: da revolução ao 25 de Novembro – as mudanças” (1999), “Bernardino Machado: o Homem, o Cientista, o Político e o Pedagogo” (1998) e, finalmente, “Os “Brasileiros” da Emigração” (1998). As colónias foram sempre um tema caro a Bernardino Machado, especialmente no seu segundo exílio e no seu combate pleno à ditadura do Estado Novo, ou então a Salazar, como exemplifico nestes seus três títulos.





segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Bernardino Machado, Raúl Brandão, Ferreira Martins...



Para o Dr. Manuel Sá Marques, com o meu abraço de fraterna amizade, sempre


MACHADO, Bernardino
[Carta], La Guardia, 1933 Ago. 17, [a] Afonso Costa, [Paris]. Bernardino Machado. [4 f., 7 p.].

Dos vários assuntos que Bernardino Machado transmite a Afonso Costa nesta carta, destacam-se os seguintes, nomeadamante a referência à publicação de dois livros sobre a participação de Portugal na I Grande Guerra: tece considerações sobre a situação dos emigrados políticos portugueses em Espanha e das relações governamentais entre Espanha e Portugal, sobre a realidade política portuguesa e das relações entre os militares portugueses e os políticos republicanos. Informa Afonso Costa que Ribeiro de Carvalho esteve em Vigo. Comenta o livro do General Ferreira Martins "Portugal na Grande Guerra", acentuando as calúnias que em Portugal se tem feito contra os republicanos, como é o caso do livro de António Cabral. Comenta a publicação do livro de Raúl Brandão "Vale de Josafat: Memórias III" e diz que "é um salseiro de falsidades". Comenta as propostas de Afonso Costa para a reforma constitucional









 




sábado, 8 de novembro de 2014

As Festas Comemorativas da I Grande Guerra em V. N. de Famalicão

António Joaquim Pinto da Silva – Imagens de Famalicão Antigo, 1990



Com o Armistício assinado em 11 de Novembro de 1918 e o Tratado de Paz em 28 de Junho de 1919, os países beligerantes da I Grande Guerra ficaram com um enorme vazio ontológico. No caso de Portugal, a I República tentou criar, no pós-guerra, um ritualismo simbólico e cívico para a conciliação de uma identidade colectiva, criando, ao mesmo tempo, espaços públicos de memória entre os Monumentos aos Mortos da Grande Guerra e a inscrição toponímica do 9 de Abril (em V. N. de Famalicão aconteceu em plena ditadura militar, no ano de 1927). Se esta busca ritual e cívica não deu para a I República a sua reestruturação ideológica, estamos perante uma questão que não cabe aqui ser tratada perante o fim deste trabalho, assim como a problemática à volta dos monumentos na sua configuração estética. Se as comemorações do 9 de Abril suplantaram as do Armistício, estas nunca se verificando em V. N. de Famalicão, senão esporadicamente. Iniciadas em Portugal em 1919, ano em que o “Estrela do Minho” publica o texto de Matos Sequeira a propósito da “acção heróica do capitão Braz de Oliveira á frente de uma bateria portugueza”, na Batalha de La Lys, pelo meio, em V. N. de Famalicão, ressalva-se a Festa da Paz e a consagração aos Soldados Desconhecidos, cujas comemorações foram as primeiras do 9 de Abril em terras de Vila Nova, comemorando o 14 de Julho de 1919, dia que seria feriado nacional; e na notícia de 13 de Julho, informa-se que a “Câmara concedeu uma verba para as festas e amanhã em Famalicão haverá o ruído esfusiante da música e da dinamite estalando nos ares”, lembrando o cronista que se não deve esquecer o “Bodo aos Pobres”. Veja-se como decorreram as respectivas Festas da Paz em V. N. de Famalicão: “Famalicão festejou ruidosamente o 14 de Julho corrente, Segunda-Feira, solenizando a assinatura da Paz. / Todas as corporações embandeiraram assim, como muitas casas particulares, destacando-se um grande troféu com a bandeira francesa e das nações aliadas, com que o sr. Rodrigo Carvalho engalanou a sua casa, como já o tinha feito no dia da Assinatura da Paz. / Uma música percorreu as ruas da Vila, sendo a cerimónia mais útil e comovedora a do Bodo aos pobres, que receberam 400 broas de pão. / À noite, ostentava-se na Praça da República finamente iluminada à electricidade, sendo de lindo efeito a fachada da Câmara Municipal, ás árvores do jardim com lâmpadas coloridas e a fonte luminosa. Tocou também a música, o que foi notório para toda a população ali ir gozar algumas horas bem passadas, para o que a noite de calor muito se prestou. / Foi uma festa animada e linda.”
Não se comemorando ainda o 9 de Abril em V. N. de Famalicão em 1920, com uma chamada de atenção do republicano famalicense Manuel Pinto de Sousa na sua crónica de sempre intitulada “Trabalhar” de 11 de Abril (veja-se o discurso tipicamente ideológico e telúrico: “Passou anteontem o 9 de Abril comemorativo do feito heróico dos nossos soldados na grande guerra, que deve ser sempre recordado pelos portugueses com páginas de ouro das mais belas da história pátria”), será na festa da raça de 10 de Junho que o município famalicense apresentará o projecto para a edificação do padrão comemorativo e memorial dos combatentes famalicenses na I Grande Guerra. Em 1921, aqui sim, o 9 de Abril será comemorado pela primeira vez na comunidade famalicense perante as homenagens tumulares aos soldados desconhecidos. Será Bernardino Machado, na presidência do seu ministério, que realizará o projecto-lei de Março que projectará as comemorações aos soldados desconhecidos, no qual se diz que “é autorizado o governo a trasladar para o Panteon da Batalha os cadáveres de dois soldados desconhecidos, mortos em combate, um em África e outro em Flandres”, considerando o mesmo que o dia 9 de Abril de 1921 seja feriado nacional. Neste âmbito, o “Estrela do Minho” apresenta de antemão o programa das comemorações em V. N. de Famalicão, convidando o município “todos os antigos vereadores, associações locais, pessoas gradas, o povo, enfim, solenizando assim a homenagem prestada aos soldados desconhecidos mortos na grande guerra”, convidando também “as mães dos soldados do concelho, que na guerra morreram.” Salienta-se aqui, nesta notícia, a estranha e a enigmática projecção da inauguração do Monumento aos Mortos da Grande Guerra em V. N. de Famalicão, a qual não se concretizou, a ser então edificado na Praça da República! Mas no dia 9 de Abril de 1921, para além da sessão solene nos Paços do Concelho de V. N. de Famalicão, o município famalicense fez-se representar no cortejo da Batalha com Júlio de Araújo, Horácio de Azevedo e Adelino Sousa, assim como a Associação dos Empregados no Comércio, que esteve presente com o seu estandarte, representado por Angelino Mesquita, Joaquim Portela, Fernando Folhadela Marques, Alberto de Sousa Araújo e Flávio Marques. Paralelamente, a Escola Primária Superior associou-se aos festejos municipais e “as associações locais tiveram todas hasteadas as suas bandeiras, além da Câmara e Hospital da Misericórdia.” Mas veja-se o acontecimento nos Paços do Concelho (com a enigmática insistência da inauguração do Monumento, agora, segundo o cronista, na Praça da Mota, à qual, imagine-se, “assistiu muito povo, tocando durante a acção, a música dos Bombeiros Voluntários”, para além da missa promovida por Monsenhor Torres Carneiro na Igreja Matriz, assistindo “elevado número de eclesiásticos e muitos fiéis”, tendo sido “chocante o «momento de silêncio», anunciado pelo repicar dos sinos”), edificando a ideologia unificadora republicana.
A comunidade famalicense volta a comemorar o 9 de Abril em 1922 e veja-se este estranho e paradoxal texto minimalista à volta da Batalha de La Lys, entre a tragédia e a heroicidade: “Passa hoje o aniversário da Batalha do Lis, em que o nosso exército, embora vencido pelo número esmagadoramente superior, deu provas eloquentes de valentia do soldado português de todos os tempos.” Na mesma data publica o “Estrela do Minho” o telegrama do Governador Civil de Braga enviado à administração do concelho para a realização das comemorações em V. N. de Famalicão: “Exmo ministro do interior encarrega-me de comunicar a V. Ex.ª procurar conseguir dois minutos de silêncio, glorificando o magnífico esforço da República intervindo militarmente na Grande Guerra, às 17 horas precisas do dia 9 do corrente, seguidos de todas as  manifestações festivas que for possível organizar.” Por seu turno, a 16 de Abril, noticia-se que “Famalicão comemorou também a data para nós gloriosa da Batalha do Lis, embandeirando a Câmara e Associações, sendo observados rigorosamente os dois minutos de silêncio, momento deveras impressionante, no seu significado de respeito e de saudade pelos que defendendo a Pátria, morreram gloriosamente por ela.” No mesmo ano, o “Estrela do Minho”, em 7 de Maio, publica o “Edital” da Comissão Executiva da Câmara Municipal para a adjudicação da construção do Monumento. Ficando a obra a cargo da Empresa de Mármores do Porto, Ld.ª, os famalicenses ficam a saber quem é o escultor do Monumento em Outubro, nomeadamente Luís Esteves de Carvalho, do Porto, o qual, na sua estada no Brasil, realizou “trabalhos de alto valor artístico”, a saber, as esculturas do Barão do Rio Branco e da Princesa Augusta Vitória.
O ano de 1923 ficará marcado a nível nacional, assim como em V. N. de Famalicão, pela proposta da Comissão Central dos Padrões da Grande Guerra, a qual foi a realização de palestras nos estabelecimentos escolares, sendo a temática o 9 de Abril. Em 1 de Abril, o “Estrela do Minho” noticia que a Câmara se comprometeu a inaugurar em Famalicão “o padrão dos mortos na guerra”, o qual será edificado na Praça do Conde de S. Cosme do Vale, questionando-se se “será realmente nesse dia tirado o taipal no monumento”, para a 8 de Abril comentar que serão “inaugurados muitos padrões comemorativos.” Contudo, as seguintes notícias leva-nos à conclusão de que o monumento ainda não deveria estar pronto nesta altura, até porque em 8 de Julho comunica-se que “já chegaram as pedras para o monumento”, sugerindo-se que na sua inauguração estivesse presente o Presidente da República, estando prevista a sua visita à Casa de Camilo; e em 2 de Setembro informa-se a comunidade famalicense que “está a chegar o resto do material”, encontrando-se em Famalicão “quatro artistas enviados pela casa a quem o monumento foi adjudicado.” Ainda em Setembro notifica-se a característica estética, referindo-se a “um dos mais formosos padrões comemorativos” e em Outubro dir-se-á que “o monumento está concluído e o seu belo conjunto artístico muito honra os seus executores”, para acrescentar o cronista que é uma “bela obra de arte, uma das melhores que conhecemos, superior até às que para o mesmo fim se levantaram em algumas cidades”, faltando a “beleza do conjunto, o ajardinamento da Praça Conde S. Cosme do Vale” para que “seja feito com arte e bom gosto”. Será em Novembro que se começa a exigir ao município famalicense a inauguração do Monumento, levando a supor que por esta altura já se encontraria pronto. Os desejos dos famalicenses serão concretizados em 9 de Abril de 1924. Anunciando a 9, a 16 e a 30 de Março o programa provisório da inauguração do respectivo Monumento, nesta última data projectando que “não faltarão contingentes dos regimentos de Braga; as mães e viúvas dos soldados do nosso concelho que na guerra morreram; as crianças escolares de todas as freguesias, devidamente ensaiadas para cantarem o hino da Pátria ao desfilarem ante o monumento da Praça Conde S. Cosme do Vale. / Também não deve faltar o convite aos soldados do concelho que estiveram na guerra, para comparecerem ao cortejo, com as suas fardas de campanha. / A sessão solene, no salão nobre dos Paços do Concelho, há-de ter o significado compatível com a data que se soleniza”, solicitando-se que “as paredes das casas da praça sejam lavadas, branqueadas.” A 6 de Abril, o “Estrela do Minho” publica o seguinte programa: “Pela manhã, alvorada com bombas e uma banda de música, ao mesmo tempo que outras músicas tocarão pelas ruas da vila, durante o dia. / Às 9 horas, recepção na estação do caminho-de-ferro do Ex.mo Ministro do Comércio [Nuno Simões], ilustre filho desta terra, que, a convite da Câmara Municipal, vem expressamente de Lisboa tomar parte nesta grandiosa consagração. / Às 14 horas haverá sessão solene no Salão Nobre da Câmara Municipal, sendo oradores, além do Sr. presidente da Câmara, o Sr. Desembargador Eduardo Carvalho, José de Azevedo e Menezes, dr. Delfim de Carvalho, Sousa Fernandes, António José Nogueira e Abade da Carreira. / Em seguida, organizar-se-á o cortejo, em direcção ao Monumento, composto de um contingente de Infantaria n.º 8, com a respectiva bandeira e com a música deste regimento, mães e esposas dos soldados do concelho que morreram na guerra, alunos das escolas, Associação dos Bombeiros Voluntários, convidados, etc., inaugurando-se em seguida o Monumento, onde usará da palavra o você-presidente da comissão executiva. / Às 17 horas terão início os 2 minutos de silêncio que serão anunciados por três tiros de dinamite.”