sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro

LEAL, Joana d`Eça
Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro. Joana d`Eça Leal. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2016. 142 p. (Biografias do Teatro Português; 1).

Eis um livro com uma nova lufada de ar fresco a propósito dos estudos sobre o teatro em Portugal. Ao lê-lo, com novas perspectivas e abordagens historiográficas, culturais e sociológicas entre a relação de actores e actrizes com as suas companhias ou então o relacionamento que estabeleceram com a Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, assim como no meio em que estão inseridos(as), a mim, particularmente, foi inspirador e com novas pistas de trabalho para desenvolver o projecto em curso "Em Busca de uma Identidade", mas este mais centrado em Vila Nova de Famalicão, numa leitura multidisciplinar. Se a actividade teatral tem, em princípio, início em 1842 na conhecida denominação "Casa de Tiatro" (António Joaquim Pinto da Silva, Imagens Famalicão Antigo, 1990), conhecendo ainda pouco da actividade da mesma até ao final do século XIX, mas com algumas indicações proveitosas, principalmente nos últimos quinze anos ou vinte anos, faltando ainda consultar a imprensa famalicense dessa mesma época, outra realidade já é demonstrada desde o início do século XX, cujas fontes já se vão encontrando mais acessíveis. Se o projecto em causa abarca o cinema, o teatro e as festas e os espectáculos entre a Monarquia e a I República (1900-1926), esta "Em Busca de uma Identidade" no encontro das raízes culturais famalicenses permite abranger uma rica leitura interpretativa societal, cujas pistas inaugurais poderão ser encontradas em "Portas da História - Vila Nova de Famalicão: 1835-2015 - I" (Vila Nova de Famalicão: Câmara Municipal, 2015). Relativamente ao tema que aqui proponho tratar, devido ao livro de Joana Leal, o teatro e a companhia em causa, a autora, que explora a problemática das digressões, e baseando-se numa notícia lida no "Diário de Notícias", de 6 de Agosto de 1921, focando então as famosas "tournées", evoca várias cidades por onde a companhia passava e, já na parte final, fala em "outros locais". A estes outros locais podemos acrescentar Vila Nova de Famalicão. De facto, e já na transicção da ditadura militar para o Estado Novo, a Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro vem a Famalicão actuar no célebre, e agora inexistente, Salão-Teatro Olímpia. Mas, para além desta companhia, desde 1900 várias são as companhias, que a autora cita no livro, e as personalidades ligadas ao teatro que vêm a Famalicão actuar. Se até ao final da Monarquia a Companhia Teatro Lisbonense denomina o panorama da actividade teatral, actuando várias vezes em 1902, 1904 e 1906, a qual irá construir o "barracão" no então Campo Mousinho de Albuquerque para o desenvolvimento da mesma (aparecendo, por exemplo, a Companhia Dramático «Ernesto Freitas» ou a Companhia de Variedade Artur Ângelo), por seu turno, na primeira década da I República vai aparecer uma "Troupe de Variedades" (composta por artistas do Coliseu de Recreios), a Companhia Marianny, os Comediantes de Lúcifer, a Companhia de Declamação e Opereta de Lisboa; por sua vez, e já na segunda década, esta será marcada indiscutivelmente pela Companhia Carlos de Oliveira, (companhia que a autora não fala), mas vão aparecer em Famalicão as companhias do Teatro Apolo, Adelina Abranches, do Ginásio de Lisboa (Maria Matos, Mendonça de Carvalho), Luz Veloso, José Vaz, Eduardo Raposo, Ilda Stichini-Rafael Marques, Palmira Bastos, Lucília Simões-Eurico Braga, Ester Leão-Gil Ferreira, Cremilda de Oliveira-Sales Ribeiro, Alves da Cunha-Berta de Bívar ou Rafael de Oliveira. O que é certo, é que a partir de 1931 o teatro em Vila Nova de Famalicão não será relevante, não aparecendo as digressões das grandes companhias. Os famalicenses vão recorrer a outros lazeres, caso do cinema, que surgiu em 1908, com a projecção do sonoro em 1935 (aparecendo noutras localidades mais cedo), ou então nas festas tradicionais, agora com características marcadamente nacionalistas.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Primeiras Leituras do Ano





Hoje fiz a minha peregrinação a Mário Soares. Com um sol agradável, um pouco de frio, após o primeiro café matinal, lá fui até ao quiosque mais perto para comprar os jornais do dia. Mais do que relembrar os titulos que os jornais evocam (desde os noticiosos aos desportivos), e para além do do que tenho ouvido nos canais informativos, hoje devo-lhe, de certa forma, estas linhas, escritas em liberdade. Possivelmente, em ditadura, não as iria escrever, ou se as escrevesse seriam censuradas. Depois, com os jornais, uma rápida ida ao alfarrabista e lá encontrei a entrevista de Mário Soares "Portugal: que revolução?", publicado em 1976, uma entrevista conduzida em diálogo com Dominique Pouchin, encontrando igualmente de Victor de Sá "Regressar Para Quê?", com uma dedicatória curiosa: "Para o velho Amigo Américo Campos Costa, respondendo à sua pergunta - "E agora o que vais fazer?" - e em confirmação da minha estima de sempre", com a data de Abril de 1970. Desde o início do ano que tenho adquirido a nova colecção do jornal"Público" dedicada ao fado, mas também numa releitura ao "Romanceiro do Povo Miúdo", de Lino Lima, um outro combatente à ditadura salazarista e um combatente pela liberdade, cujo centenário de nascimento o Município de Vila Nova de Famalicão vai este ano comemorar. Paralelamente, à leitura do livro de Lino Lima, os livros de Santos Simões, Eduardo Ribeiro, Santos Simões, Armando Bacelar ou o livro "Os Democratas de Braga", organizado por Artur Sá da Costa, Henrique Barreto Nunes e José Viriato Capela, vão servir de apoio para uma compreensão mais abrangente do que esses resistentes pela liberdade não só no distrito de Braga, como a nível nacional, realizaram. Puxo agora de um cigarro e ontem já me deliciei com Ingmar Bergman e a sua "Lanterna Mágica", a bom preço na Bertrand, assim como "A Morte da Canária", de S. S. Van Dine, Registo, indiscutivelmente, adquirido hoje a bom preço o folheto publicado em 1961 sobre Vila Nova de Famalicão e as "Ambições Frustradas" de Alberto Moravia. Mas Mário Soares ficará indiscutivelmente, quer se goste ou não, na História de Portugal, ultrapassando as fronteiras, na sua dimensão europeia e mundial. Para além da Liberdade e da Democracia, actualmente em deriva, o que nos fica de Soares é que aquilo em que acreditamos e não devemos desistir e lutar por uma sociedade melhor. Retribuo com um abraço fraternal o abraço com que me dedicou em 2014 na Academia das Ciências da História, a propósito da Lição que realizou sobre Bernardino Machado, no livro cuja capa aqui publiquei ontem. Já está com os deuses a pôr ordem política no Olimpo. Das palavras que então proferiu sobre Bernardino Machado, tal como o próprio Mário Soares, evoco a fidelidade aos valores da liberdade e da democracia. A imagem reproduzida é a primeira página do jornal "Público".

sábado, 7 de janeiro de 2017

sábado, 31 de dezembro de 2016

Últimas Leituras do Ano





E assim, de vez em quando, o nosso cânone leitoral é destronado. Estas últimas leituras do final do ano de 2016, quase, quase a chegar ao fim, entre Delillo, Araújo Pereira e Teolinda Gersão revelaram, afinal de contas, grandes surpresas. Se de Delillo cito "Seria a barba que um homem deixa crescer quando deseja entrar numa nova dimensão da fé?", apenas comento, e neste caso respondo, que também um homem pode deixar crescer a barba a pedido da namorada e assim estaremos perante uma barba amorosa; ou então, "se os momentos banais constituem a vida", poderá ser através de Teolinda Gersão que se comenta essa mesma afirmação de Delillo: afinal de contas "o diabo não está sempre atrás da porta", o que é até revelador, porque assim podemos caminhar sempre em busca da felicidade nesses mesmos momentos que fazem o nosso universo dentro do universo infinito. Mas se o livro de Ricardo Araújo Pereira não nos fala em Bergson e na sua teoria do riso e do humor, é um livro que vale a pena ler, na sua aventura entre a literatura, o cinema e a filosofia. Desejo umas boas entradas e um magnífico ano, aquele que se avizinha, o de 2017, com grandes leituras.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Afonso Cruz



"É fácil um ser humano tornar-se infinito: basta ser amado." De Afonso Cruz, melhor, Malgorzata Zajac. [Acrescento: e amar!]

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Fórum do Livro de Macau (24 de Outubro a 3 de Novembro 2016)



Amadeu Gonçalves
Conferência
Museu do Oriente
"Manuel da Silva Mendes: entre Vila Nova de Famalicão e Macau"

Resumo
Evocar Manuel da Silva Mendes em duas vertentes: em Vila Nova de Famalicão e em direcção a Macau. Em Vila Nova de Famalicão, salientar a sua vida social, o seu, nas suas palavras. "republicaneirismo", e a sua actividade cívica e cultural, implicando a publicação dos seus primeiros textos com a chancela da Tipografia Minerva, ou a sua colaboração em jornais como "O Porvir", "O Minho" ou em "O Regenerador". Em direcção a Macau, mais do que uma ruptura, uma continuidade em direcção à Filosofia Oriental e, particularmente, ao individualismo ético e social do Taoísmo (entre o anarquismo e o taoísmo). Em Vila Nova de Famalicão encontrará esse caminho na figura de Guilherme Tell, nessa imagem individualista anárquico-metafísico na linguagem poética de Schiller. Mais do que com John Rawls, Manuel da Silva Mendes iria simpatizar-se com Robert Nozick


• Dia 24 de Outubro
15H00 - Inauguração da Grande Feira do Livro de Macau em Lisboa (editoras de Macau e de Portugal) na Livraria do Turismo de Macau na Delegação Económica e Comercial de Macau em Lisboa
18H30 – Sessão oficial de abertura da Semana do Livro de Macau em Lisboa, no Centro Científico e Cultural de Macau, com duas conferências:
18H45 – “Macau: livros e leituras. Séc. XVI e XVII”, pelo Prof. Luis Filipe Barreto, presidente do CCCM
19H30 – “O Delta Literário de Macau”, pelo Prof. José Carlos Seabra Pereira.
Exposição bibliográfica
• Dia 25 de Outubro
Delegação Económica e Comercial de Macau em Lisboa
18H30 – Mesa redonda acerca dos livros sobre Macau publicados em Portugal, moderada pela Dra. Margarida Duarte
• Dia 26 de Outubro
18H00 – Conferências, no Museu do Oriente, pelos Dr. António Aresta, “Manuel da Silva Mendes: Razão e Mistério” e Dr. Amadeu Gonçalves, “Manuel da Silva Mendes: entre Vila Nova de Famalicão e Macau”.
19H30 – Lançamento do livro Macau Histórico e Cultural, de autoria de António Aresta, apresentado pela Dra. Celina Veiga de Oliveira
• Dia 27 de Outubro
Delegação Económica e Comercial de Macau em Lisboa
16H00 – Conferência “A nova vertente editorial de Macau ligada ao ensino do português na China” e apresentação do livro Uma Língua para Ver o Mundo. Olhando o Português a Partir de Macau, pelo Prof. Carlos André
18H30 – Lançamento do livro Arquivo das Confissões/Bernardo Vasques e a Inveja, de autoria de Carlos Morais José, apresentado pela Prof.ª Ana Paula Laborinho
• Dia 28 de Outubro
Delegação Económica e Comercial de Macau em Lisboa
18H30 – Conferência “Sobre a literatura chinesa moderna de Macau”, pela Prof.ª Han Li Li.
Coordenação da Dra. Tereza Sena
 • Dia 29 de Outubro
16H00 – Sessão sobre Poetas de Macau (com evocação de Camilo Pessanha), na Fundação Casa de Macau em Lisboa, no Príncipe Real, com a presença do Ministro da Cultura. Coordenação do Dr. Sales Lopes
18H30 – Chá gordo.
• Dia 31 de Outubro
15H00 – Conferência tendo por tema os livros de Direito publicados em Macau, na Universidade Católica, pela Dra. Filipa Guadalupe.
Sessão patrocinada pela Fundação Rui Cunha
18H30 – Lançamento do livro de Shee Va, Espíritos, apresentado pela Dra. Beatriz Basto da Silva, na Delegação Económica e Comercial de Macau
• Dia 1 de Novembro
17H30 – Conferência “Macau Visto do Mar: olhares sobre a cidade de marinheiros portugueses do século XX”, pelo Prof. Alfredo Gomes Dias, no Clube Militar Naval.
Sessão patrocinada pela Fundação Jorge Álvares
• Dia 2 de Novembro
Delegação Económica e Comercial de Macau em Lisboa
18H30 – Conferência sobre as Histórias de Macau, pela Dra. Beatriz Basto da Silva, na Delegação Económica e Comercial de Macau
• Dia 3 de Novembro
18H30 – Evocação de Maria Ondina Braga, em sessão orientada pelo Dr. José António Barreiros, na Biblioteca Nacional de Portugal

Consultadoria científica do Fórum: Dra. Tereza Sena (do Instituto Politécnico de Macau)