domingo, 6 de julho de 2014

1914: o "Estrela do Minho", a I Grande Guerra e V. N. de Famalicão


Para o Dr. Manuel Sá Marques, esta prenda de aniversário, neto de Bernardino Machado, e que tenho o privilégio da sua amizade, enchendo-me constantemente de atenções, este texto ainda inédito que vai sair brevemente, numa análise da I Grande Guerra através do jornal famalicense "Estrela do Minho" e com V. N. de Famalicão naquele tempo, neste caso no ano de 1914. O meu grande abraço de amizade fraterna, agradecendo a sua amizade, sempre saudosa da sua companhia única e inesquecível.


Bilhete-Postal cedido pelo Arquivo Municipal Alberto Sampaio

… somos o Édipo da História, ou, por outra, a História é que é realmente a Esfinge. Não é a solução, a resposta, é a questão em si mesma, e nós estamos sempre a ser questionados sem cessar por aquilo que somos, por aquilo que fazemos. A História não é outra coisa que não seja o que fazem os homens. Não há História fora do nosso próprio fazer. A história é a ficção das ficções.

Eduardo Lourenço



Actividade cultural e associativa em V. N. de Famalicão. Bernardino Machado, Presidente do Ministério. O Inquérito do Governo de Bernardino Machado sobre a Lei da Separação da Igreja do Estado. A questão de Riba d`Ave. Portugal neutral?


Logo no início do ano novo, a comunidade famalicense, sabendo-o já por antecedentes notícias, vai assistir a 7 de Janeiro ao filme, sensação da época, “Quo Vadis?”, o qual foi então exibido no Salão Olímpia, numa Quarta-Feira. Houve quatro sessões nesse mesmo dia: a primeira, realizou-se às duas horas da tarde; a segunda, às quatro e meia; a terceira, às oito da noite, e a quarta às dez e meia. O preço dos bilhetes da sessão das oito horas foi o seguinte: Balcão, 40 centavos; Cadeiras, 30 centavos e Geral, 20 centavos. Por seu turno, nas outras sessões, para o Balcão 30 centavos, Cadeiras, 25 centavos e geral, 15 centavos. Como já se leu, as quatro sessões realizaram-se numa Quarta-Feira e, segundo o “Estrela do Minho” de 4 de Janeiro, foi “devido ao elevadíssimo custo do filme” que “a empresa não pode exibir ao Domingo, como era seu desejo.” Foi um sucesso! Também logo no início do ano, a já mais do que afamada Associação dos Empregados de Comércio, com sede na Rua Adriano Pinto Basto, elegia os seus novos corpos-gerentes, ficando na presidência da Assembleia-Geral Delfim Joaquim da Silva e para a presidência da Direcção Jaime Mesquita. Nestes corpos-gerentes, entre outros, encontram-se personalidades que irão fazer história no futuro de Vila Nova, principalmente no Estado Novo, caso de Álvaro Marques, que veio a ser Presidente da Câmara Municipal, sendo nomeado na associação focada como segundo secretário. Ainda em fins de Janeiro, o Sindicato Agrícola promoveu a conferência de Bento Carqueja no Salão Olímpia, discursando sobre o crédito agrícola, numa sessão presidida por José de Azevedo e Menezes, estando presentes Duarte Maria Pacheco Menezes, Presidente da Assembleia-Geral do Sindicato Agrícola, e Delfim de Carvalho. Este último, no final da sessão, anuncia que o Sindicato Agrícola vai organizar a Exposição Regional de Famalicão, mais propriamente, A Exposição Agrícola, Industrial e Pecuária, a qual se realizou entre 27 a 30 de Setembro, sendo incluída no programa das festas de Setembro. A Comissão Executiva da Exposição foi constituída pelos seguintes cavalheiros: Presidente, José de Azevedo e Menezes; Secretário, Jaime Valongo; Tesoureiro, Francisco de Correia Mesquita Guimarães; Director da Secção Agrícola, Delfim de Carvalho; Director da Secção de Pecuária, Duarte de Menezes; Director da Secção Industrial; Alfredo Costa; Presidente do Sindicato Agrícola, António Joaquim de Sousa Veloso; Presidente da Associação Comercial e Industrial, Amadeu Pereira. Outras personalidades estiveram ligadas a esta Comissão, nomeadamente: Jaime Mesquita, Francisco M. de Oliveira e Silva, Nuno Simões, Adelino Santos, Luís Cunha, Manuel A. Bouças Júnior, António Maria Pereira e João Cabral de Araújo Álvares. Os prémios foram constituídos em dinheiro e em objectos de arte, sendo o júri composto por agrónomos e veterinários vindos de fora.

Bernardino Machado, Presidente do Ministério

Entretanto, Bernardino Machado, “o homem de ciência, como exímio estadista”, já vinha no Avon a caminho da Pátria, uma Pátria sem governo, e já se estabeleciam contactos para chefiar o próximo governo. Ministro de Portugal na Legação do Rio de Janeiro e o primeiro Embaixador português no Brasil, já que foi o fundador da embaixada portuguesa, Bernardino Machado será, de facto, nomeado por Manuel de Arriaga, então Presidente da República, para constituir o novo governo de Portugal, como sendo, segundo notícia do “Estrela do Minho”, o “único capaz de fazer acalmar as paixões políticas que no momento exacerbam os nossos políticos.” A “glória da nossa terra” constitui o seu governo da seguinte forma: Justiça, Manuel Monteiro (Deputado e Vogal do Supremo Tribunal Administrativo); Finanças, Tomás Cabreira (Senador, Major de Infantaria, com o curso de Engenharia Civil e Lente de Química da Universidade de Lisboa); Guerra. Pereira de Eça (General de Artilharia e Director do Arsenal do Exército); Fomento, Aquiles Gonçalves (Deputado e Vogal da Junta de Crédito Público); Marinha, Augusto Neuparth (Capitão de Fragata, Engenheiro Hidrógrafo e Chefe da 3.ª Repartição do Ministério da Marinha); Colónias, Lisboa de Lima (Chefe da 3.ª Repartição do Ministério das Colónias) e Instrução, Sobral Cid (Professor da Universidade de Lisboa). Termina assim a informação noticiosa deste novo Ministério, em 15 de Fevereiro: “Folgamos com a entrada na presidência do ministério do nosso ilustre conterrâneo sr. Dr. Bernardino Machado, um primoroso carácter, servido por um grande talento. Por isso, o seu programa de amnistia e discussão da Lei da Separação, cremos bem que trará a concórdia e paz à família portuguesa.” Acrescente-se, p projecto da lei eleitoral e, paralelamente, devido aos acontecimentos europeus, a entrada de Portugal na I Grande Guerra, não tão neutral como se julga. Será com este ministério que, presidido por Bernardino Machado, em 7 de Agosto de 1914 (e com a declaração de guerra de Portugal à Alemanha em 10 de Março de 1916, era então Presidente da República Bernardino Machado, tendo já o segundo país declarado guerra ao primeiro no dia anterior), Portugal será autorizado a intervir militarmente na política externa, colocando-se ao lado da Inglaterra, tal autorização concedida ao Governo na reunião extraordinária do Congresso, convocada por decreto de 4 de Agosto. A mesma confirmação, e rectificação, irá surgir numa nova reunião extraordinária do Congresso, por decreto de 17 de Novembro, e realizada em 23 de Novembro. Relativamente à sessão de 7 de Agosto, o “Estrela do Minho”, a 9, dirá o seguinte aos famalicenses: “Reuniu ontem extraordinariamente o Congresso Nacional, a fim de autorizar o governo a usar dos meios necessários na emergência de acontecimentos que por ventura a guerra que se está digladiando entre os maiores países da Europa nos imponha. / Por unanimidade de votos, os representantes da nação aprovaram a proposta apresentada pelo chefe do ministério, dando ao governo plenos poderes para zelar pela dignidade da nação no grave momento histórico que atravessámos.” Quem esteve para ser Ministro da Justiça, neste Governo de Bernardino Machado, a convite deste, foi o famalicense jurista Eduardo José da Silva Carvalho, que neste ano publica “Manual do Processo do Inventário”, a quem os republicanos em 1920 conferem-lhe o Grau de Grande Oficial de S. Tiago de Espada, devido à publicação de vários trabalhos de carácter jurídico.
Fevereiro é tempo de Carnaval e faz-se publicidade ao “grande sorteio na Papelaria Minerva”, com “lança perfumes estrangeiros, serpentinas e confettis”, material apropriado para os festejos, realçando-se os bailes de Carnaval no Palacete Folhadela nos dias 22 e 24 de Fevereiro. Se a actividade teatral em Famalicão foi praticamente escassa neste ano de 1914 (aparecendo apenas Os Comediantes de Lúcifer em 8 e 15 de Novembro), a vida da comunidade famalicense decorria normalmente, quando se reivindica a organização de uma planta para o ordenamento da então Vila, quando se realiza a Festa da Árvore e se propagandeia a Associação do Culto da Árvore, vindo a Famalicão o seu promotor (José de Castro), se homenageia o famalicense de torna-viagem Manuel Joaquim Pinto da Silva, noticia-se e realiza-se a conferência agrícola, com o agrónomo do distrito, com o tema “Adubações Químicas”, eis que surge o escândalo de Riba d`Ave a concelho, o qual seria, segundo o cidadão famalicense Manuel de Araújo Monteiro, numa carta dirigida ao Presidente do Ministério, um “concelho de talassas e inimigos da República”.

A Questão de Riba d`Ave

Entretanto, Sousa Fernandes, republicano famalicense e a desempenhar o cargo de Senador, informava o Município famalicense com uma carta, a qual o “Estrela do Minho” publica a 10 de Maio, que dizia o seguinte: “Em reunião de ontem, a que assistiu o Dr. Afonso Costa, Directório e alguns ministros, resolveram por unanimidade os senadores e deputados republicanos que constituem a maioria do Congresso Nacional, não propor nem votar nenhum novo concelho, já por isso enfraquecer os actuais municípios que só por fortes e grandes é que podem corresponder à obra da descentralização em que a República está empenhada, e já porque, importando um aumento de despesa, então, por isso, essas novas criações administrativas incursas na lei de 15 de Março de 1913. / Pode, portanto, V. Ex.ª tranquilizar o povo de Famalicão sobre a pretendida criação de um concelho em Riba d`Ave. / Ele não será votado pelo único partido parlamentar que tem a maioria no Congresso; e caso qualquer deputado dos grupos da oposição fosse apresentada – o que importaria uma reconsideração grave para os correligionários que eles possam ter na nossa terra, não passaria dessa apresentação, caindo, ante a primeira votação decisiva.” Conclui: “Por tudo isto acho desnecessário que, por agora, nem a Câmara, nem as Associações de Classe, nem as comissões políticas e juntas paroquiais se empenhem em qualquer cruzada de protesto.” Era então Presidente do Município de V. N. de Famalicão Zeferino Pereira e a carta de Sousa Fernandes tem a data de 6 de Maio. Contudo, contra a sugestão de Fernandes, em 22 de Maio a Associação Comercial promove uma reunião com todas as associações locais, pretendendo iniciar o movimento de protesto contra a criação do concelho de Riba D`Ave, o qual seria constituído por Riba d`Ave, Oliveira S. Mateus, Pedome, Bairro, Carreira, Delães, S. Simão, Ruivães e Bente (do concelho de V. N. de Famalicão), Lordelo, Guardizela, Serzedelo e Gondar (do concelho de Guimarães) e a de S. Miguel das Aves (do concelho de Santo Tirso) e que tinha o apoio dos evolucionistas e dos unionistas; e a 24, um comício que estava marcado para o Salão dos Paços do Concelho, teve que ser realizado nos jardins do mesmo, devido a uma enorme assistência. Presidiu a esse comício Delfim de Carvalho (Subdelegado de Saúde), tendo sido secundado por Domingos Portela (em representação da Associação Comercial) e Mesquita Guimarães (vereador municipal). No seu discurso, Delfim de Carvalho referiu-se ao problema de seguinte forma: o “concelho que se pretende formar é para fins particulares e não uma questão de interesse público.” Ainda falaram Nuno Simões (a convite do Sindicato Agrícola), Jaime de Mesquita (em nome da Associação dos Empregados de Comércio), Alfredo Costa, que realizou uma representação ao Senado municipal “que foi acolhida com entusiasmo pela assistência) e João Rebelo (em representação da União Operária). A 25 de Maio todos os estabelecimentos comerciais e industriais da Vila fecharam as suas portas em forma de protesto contra a criação do concelho de Riba d`Ave, realizando-se uma manifestação pelas ruas principais: “Foi uma imponente manifestação, como já há muito não temos visto, percorrendo os operários e os empregados de comércio, com os respectivos estandartes, as ruas da Vila, dando vivas à integridade deste concelho e reunindo-se por fim na Praça da República onde improvisaram outro comício e onde continuaram afirmando o seu amor a esta terra e o desejo de não verem fragmentado o seu concelho.” A 31 de Maio novo comício de protesto contra a pretensão da constituição do novo concelho, em Delães. Falaram, segundo notícia do “Estrela do Minho” em 7 de Junho, neste comício Delfim de Carvalho, Jaime Valongo, Ernesto Lopes, Adriano Varela e Alfredo Costa. Delfim de Carvalho foi de opinião que a criação do concelho não visava “dar aos povos dessa região um melhor bem-estar”, já que poderia aumentar a “contribuição predial”. Em contrapartida, Jaime Valongo afirmou que “a maior parte dos habitantes daquela região não deseja a criação do novo concelho, ao qual não pode chamar com verdade de Riba d`Ave, mas sim da fábrica de Riba d`Ave”, enquanto que Ernesto Lopes, da comissão municipal do Partido Republicano Evolucionista, “ia ali manifestar o seu aplauso ao protesto que se estava lavrando e afirmar o propósito que o seu partido mantinha de se dissolver, caso o projectado concelho obtivesse os votos dos seus correligionários”; por seu turno, Adriano Varela afirmou que ao criar-se o referido concelho, “os proprietários daquela região iriam pagar muito mais”, diga-se, impostos, e, por outro lado, alegou que se os operários fizessem uma greve logo após a criação do respectivo concelho, “Narciso Ferreira, que seria o mandão daqueles sítios, faria encher as cadeias”. Finalmente, Alfredo Costa diria à assistência “que o novo concelho só poderia ser criado se o povo o reclamasse”! E a 5 de Julho, os famalicenses suspiraram de alívio com a seguinte notícia: “Podemos estar sossegados, que nada foi conseguido para que se criasse o tão falado concelho de Riba d`Ave, que nenhum motivo razoável justificava. / O Parlamento não tomou conhecimento do pretendido município, para o que é de justiça que se diga, muito contribuiu o senador Sousa Fernandes na missão bem grata de defender os interesses de Famalicão.”

O Inquérito do Governo de Bernardino Machado sobre a Lei da Separação da Igreja do Estado

No primeiro trimestre do ano, a Tipografia Minerva abriu as portas da sua “Papelaria” e em Landim, no início de Julho, nas propriedades de António Joaquim de Sousa Veloso, realizou-se um torneio de tiro aos pombos, o mesmo sucedendo, no fim do mesmo mês, na “Festa do Club dos Caçadores”. A Tuna da Associação dos Empregados do Comércio têm novo regente, Armindo Costa, Nuno Simões alarga as subscrições para o busto de Camilo de Diogo de Macedo, e em inícios de Outubro a Tebaida de Seide recebe a visita de Eugénio de Castro, Visconde de Villa-Moura e Mário Beirão. Fizeram as honras famalicenses José de Azevedo e Menezes e Nuno Simões e de Barcelos António Ferraz. No almoço que José de Azevedo e Menezes ofereceu na sua Casa do Vinhal, esteve também presente Júlio Brandão. A deslocação a Seide destes ilustres visitantes foi para projectarem o “Museu Camilo”. Em Setembro e Outubro, o Salão Olympia exibirá filmes sobre a guerra, tendo “o nosso público ocasião de apreciar várias cenas da maior guerra que tem havido em todos os tempos.” Entretanto, os monárquicos, os conservadores e alguns dissidentes republicanos, mais da Comissão Municipal do Partido Republicano Evolucionista, fundavam, com Joaquim José da Rocha à frente o jornal “A Gazeta de Famalicão”, enquanto que a crise das subsistências é um tema a considerar. De facto, apesar do governo de Bernardino Machado ter proibido em 10 de Agosto a elevação dos preços dos géneros alimentares para assim evitar a especulação, a verdade é que os famalicenses, assim como no geral do país, se iriam encontrar com a problemática da carestia de vida, conforme a crónica com o mesmo título de 8 de Novembro. Facto estranho, será o “Estrela do Minho” nunca referenciar a polémica no Senado Municipal a propósito do Inquérito do Governo de Bernardino Machado sobre a Lei da Separação da Igreja do Estado, referente à reforma que pretendia realizar sobre a mesma lei e enviado aos governadores civis, os quais enviariam aos municípios, para estes responderam. Os famalicenses tomaram conhecimento desta problemática pelo jornal “A Gazeta de Famalicão”. O “Inquérito” é um documento único para a compreensão da nossa comunidade nos seus mais variados aspectos, passando pela mentalidade política, social e cultural; e, contudo, nem tudo o que parece é: as respostas do então Presidente da Câmara Municipal, Zeferino Bernardes Pereira, parecem respostas mais de foro pessoal do que propriamente institucionais. Por exemplo, esquivou-se de responder à terceira pergunta, já que em 1912 houve em V. N. de Famalicão a polémica do caso da Fonte Santa de Mouquim.
1.      Tem havido nesse concelho conflitos motivados pela Lei da Separação?
Tem havido.
2.      Por que motivo e quantas vezes?
Não posso saber quantas vezes e os motivos. Tem sido somente a má vontade do padre contra a lei, pois que, na sua grande generalidade, não se confina ainda com ela, hostilizando-a sempre que podem.
3.      Quem dirigiu esses movimentos? Os padres, os agentes destes, a massa dos fiéis provocada por eles, ou o povo em movimento espontâneo?
São sempre os padres; e esses movimentos restritos ao que anteriormente fica dito. Dos fins colectivamente nunca aqui se levantou conflito algum, nem movimento algum de protesto.
4.      O povo sente e manifesta a necessidade do culto religioso? Por simples culto de tradição, por divertimento e gozo ou por má-fé?
O povo não sente necessidade alguma neste sentido. Tem o culto religioso por tradição e educação e até por um costume resultante do meio em que vive. Parece-me haver quem especule com a religião e haver quem vá à igreja simplesmente para se mostrar.
5.      Parece-lhe que a República será prejudicada se a Lei da Separação não sofrer qualquer modificação no sentido de se facilitar o culto externo? Há, porventura, no momento quem reivindique a causa das congregações religiosas?
Não me parece, pois a República não é incompatível com a Lei da Separação e assim ela deverá ter apenas pequenas modificações. Ninguém aqui reivindica a causa das congregações religiosas, a não ser alguns espíritos obcecados pela ignorância ou pelos interesses, mas estes são infelizmente em número muito pequeno neste concelho.
6.      O povo ou qualquer associação tem reclamado contra a aplicação da citada Lei?
Não tem reclamado ninguém, além da reacção política e religiosa.
7.      Foram expulsos desse concelho alguns padres? Quantos e porque motivo?
Expulsos superiormente só foram dois, por desacato às leis do Estado. Há quatro que fugiram por conspiradores e mais dois foram processados por juízo, sendo absolvidos.
8.      Os padres expulsos têm sido substituídos? Quando regressaram, qual foi a atitude do público e dos fiéis: favorável, hostil ou indiferente?
Sim. Foram substituídos – um por indicação do mesmo expulso, outro por escolha dos fiéis. Dos expulsos, um fugiu para o Brasil, onde está, o outro incorporado em virtude da amnistia. Não sabemos como será recebido.
9.      A concorrência aos templos tem aumentado ou diminuído depois da Revolução da República?
Não tem aumentado. É a mesma coisa.
10.  Quantos padres pensionistas há? Têm sido perseguidos? Por quem e que motivo é alegado para a perseguição?
Houve três, destes morreu um, foi outro para o Brasil, restando apenas um só. Têm sido perseguidos pelos outros padres, sob protesto de que foram traidores à classe. O que foi para o Brasil, foi fugido a esta perseguição.
11.  Nota-se fanatismo nesse concelho? Com que intensidade?
Existe, mas em moderna escala. É mais pronunciado nas mulheres.
12.  Quantas igrejas há? Quantas se criaram depois da proclamação da República? Quantas se fecharam? Quantas se reabriram? Quantas foram interditas?
Há pelo menos 50 igrejas, tantas como paróquias. Também há bastantes capelas. Após a proclamação da República, nem se criaram, nem se fecharam igrejas nenhumas.
13.  Que mais se lhe oferece dizer sobre o assunto?
Que a Lei da Separação deve ser aprovada pelo Parlamento quanto antes, visto que, após a amnistia, os inimigos dela podem por qualquer meio procurar hostilizá-la.

Guerra


A. Vinardell Roig (1852-1937)

Até que, em 12 de Julho, o cronista-mor do “Estrela do Minho”, A. Vinardell Roig, entre 1914 a 1918, e mesmo antes de 1914, e nos anos posteriores face à Conferência da Paz, justificando-se agora todo o interesse “a «Parisiana», do nosso ilustre cronista de Paris”, na sua crónica de 12 de Julho intitulada “Tragédias da História”, diz logo no início que “apesar de parecer já tarde para falar do horrível atentado de que foram vítimas em Serajevo (Bósnia) o Arquiduque herdeiro do trono e sua esposa, posso afirmar que aqui, em Paris, onde contudo costumam esquecer depressa os sucessos da véspera, o triste acontecimento continua sendo de grande actualidade”, para, mais à frente, reflectir no seguinte: “Alguma coisa há, porém, na história dessas terríveis catástrofes, que tenha na sua explicação, já que não podemos dizer sua justificação em termos absolutos. Razões de pura moral opor-se-ão sempre a admitir a possibilidade de cohonestar o cometimento dum atentado pessoal, quaisquer que sejam o delinquente e a vítima. Entendo, porém, que assim como na virtude há gravitações, também as há, ou deve havê-las no delito. Se, em tese geral, prova-o a necessidade jurídica, se pode aceitar – até nos maiores crimes – as circunstâncias atenuantes não são de modo algum admissíveis.” Após esta reflexão ética, na parte final do texto, anuncia que o assassinato do arquiduque “foi sem dúvida um primeiro estalido dessa grande conspiração que um dia pode transformar-se num levantamento geral, se outra centelha não causar a conflagração europeia que tanto se receia e de que tão ameaçados estamos.” Não se enganou muito! A 16 de Agosto, na crónica “Alea Jacta Est”, leram então os famalicenses que “rebentou o tão terrível e temido incêndio europeu e, quem havia de dizê-lo!, foi a Alemanha, o povo que tem a fama de ser o mais civilizado, o mais seriamente culto da Europa, que o provocou. Que grande responsabilidade a dela perante o mundo!” Por seu turno, quando se dá a mobilização em França, Roig dirá que “todos se levantaram como um só homem, levando no coração, mais do que nos lábios, a convicção profunda que desta vez a pátria em perigo vai fazer um supremo esforço para vencer o inimigo legendário”; e mais à frente: “vede os milhares de jovens e adultos nacionais e estrangeiros que solicitam ardentemente serem alistados como combatentes voluntários. E tudo aquilo se faz sem barulho, com uma calma aparente que quase atinge o sublime. É mister ver como os recrutas e reservistas vão para a estação procurar os comboios que hão-de levá-los para os pontos de concentração. Ninguém dá um grito; despedem-se das famílias sem lamentações, convencidos de que com eles vai o ideal da pátria; só quando partem os comboios é que se ouve sem estridor o hino santo da Marselhesa ou o comovedor Canto da Partida. É simplesmente belo!” Perante estas palavras de A. Vinardell Roig, entre o sentido telúrico do dever e o misticismo patriótico, os famalicenses não devem ter ficado indiferentes. Com o desenrolar da Batalha das Fronteiras (Ardenas, Charleroi, de Mons, Le Cateau e a do Marne, Roig conta aos famalicenses, em 18 de Outubro, que “apesar de todos falarem da possibilidade do cerco de Paris pelos alemães, considero tal eventualidade cada dia menos provável. / Houve um tempo em que toda a gente o julgou quase certo. Os alemães tinham-no anunciado com tanto alarido, que a ideia chegou a tomar corpo, e desde aquele momento a terça parte dos parisienses emigrou para evitar o incómodo do sítio.” E a propósito da batalha do Marne, Roig que em 13 de Setembro, “Joffre, o taciturno, como aqui lhe chamam, mandou ao governo, que o publicou, o primeiro boletim de vitória. Depois do terrível fracasso de Charleroi, na Bélgica, que obrigou as tropas aliadas a retrocederam para a fronteira francesa, é esta a primeira vez que o ilustre general falou abertamente de triunfo. Foi com efeito um triunfo incontestável o da batalha do Marne. Joffre afirma-o em linguagem sóbria, e diante da sua afirmação categórica todos se inclinaram com júbilo e admiração. O último combate desta memorável batalha foi encarniçado. Os alemães lutaram com fúria, sem poderem repelir a investida não menos furiosa dos aliados. Houve horas deveras épicas. As perdas de um lado e de outro foram enormes. Depois da sua derrota, que vão fazer os alemães?” A partir de 25 de Outubro, os famalicenses tomarão contacto com os acontecimentos da batalha de Aisle e irão perceber que, entre a censura à imprensa e a propaganda à volta da I Grande Guerra, nas palavras de Roig, a 25 de Outubro, “a imaginação do público” está “sempre pronta para as grandes ilusões.” A 1 de Novembro, saberão os famalicenses que “a cidade de Antuérpia, como era de recear, acaba de ser tomada pelos alemães.”
Mas a 9 de Agosto, os famalicenses poderiam ler no editorial “Portugal e a Guerra”, qual a posição portuguesa perante o conflito, se era neutro ou não. Portugal neutral? Enquanto que em Setembro e Novembro já temos, respectivamente, a primeira e a segunda expedição africana, em Outubro uma divisão portuguesa “parte para o teatro da guerra”, segundo leram os famalicenses em 18 do mesmo mês. A notícia continua nos seguintes termos: “Soldados nossos vão combater ao lado dos ingleses, nação nossa aliada, cumprindo assim, honradamente, o nosso tratado de aliança…” Por seu turno, a primeira expedição militar para Angola e Moçambique, segundo notícia de 13 de Setembro, comandada por Alves Roçadas e Massano de Amorim, a segunda expedição, em notícia de 8 de Novembro, desta vez para o teatro de operações angolanas, será constituída essencialmente por marinheiros da Armada. Em 23 de Agosto, o editorial com o título “A Guerra”, evidencia um optimismo falsificado frente à realidade da guerra, numa altura em que os alemães pretendiam uma guerra rápida, encontrando-se a resistência e a vitória dos aliados, característica, aliás do jornal nos próximos quatro anos, para a salvaguarda da pátria e no resgate de heróis, como exemplos de civilidade para o bem-comum e de incentivação à participação. Mas leia-se o editorial referido, sem indicação de autor: “Do teatro da guerra temos, em resumo, após sangrentos combates parciais dos exércitos aliados e alemães, o próximo e terrível choque de 3 milhões de soldados que há alguns dias estão em contacto, se é que essa inenarrável difusão de sangue não começou já. Não pode haver dúvida de que no campo da batalha morreram já muitas dezenas de milhares de soldados, mas a grande hecatombe, que em algumas horas trucidará – oh irrisória civilização dos povos – centenas de milhares de homens, está em véspera de chocar-se! / Parece não restar dúvida de que até agora as vantagens pertencem aos aliados, que continuam a invadir a Alsácia e a Lorena, ao passo que nenhum alemão pisou ainda o solo francês. / Na Áustria também os valorosos sérvios têm vencido os seus adversários, infringindo-lhes grandes derrotas, ao passo que correu com o inimigo para além das suas fronteiras. / Os russos também estão invadindo a Alemanha e a Áustria, tendo-se feito já os primeiros combates, com vantagens dos soldados do Czar. / Nos mares é a Inglaterra com a sua enorme frota, a que se junta a da França, que estão senhoras da navegação. / A frota alemã, acolheu-se prudentemente nos canais do norte ou protegida pelas fortalezas do seu litoral, não se aventurando por ora, ao grande combate que tem de chocar-se entre os dois colossos dos mares em que um deles ficará esmagado. / Presume-se que dentro de alguns dias, do teatro da guerra, hão-de vir-nos notícias retumbantes, pavorosas cenas de sangue.” Mas repare-se no optimismo das crónicas “A Guerra Europeia”, publicadas neste ano entre Agosto e Setembro”, particularmente em alguns títulos: Tiremont bombardeada – combate-se nos arredores da cidade; os franceses novamente em Mulhouse – a tomada de Mulhouse foi um brilhante feito de armas; a cavalaria alemã ocupa Bruxelas; Um sucesso na Alsácia e um insucesso na Lorena; os sérvios derrotam duas divisões austríacas; os russos apoderaram-se de duas linhas férreas de penetração; os russos defrontam os alemães em Stalluponen – confirma-se uma vitória dos russos; o movimento dos alemães pode custar-lhes caro; os alemães repelidos no norte e com a retirada cortada em Compiegne? Os famalicenses lerão em 27 de Setembro, num texto com o título “Notícias da Guerra” o seguinte: “O que não pode resultar dúvida é que o triunfo caberá no final da contenda aos aliados, da Liberdade contra o despotismo militarista que é necessário esmagar para o triunfo da Civilização.”


sexta-feira, 27 de junho de 2014

Os Famalicenses e a I Grande Guerra (1914-1918)


MEMORIAL FAMALICENSE

“… talvez faltem, ainda hoje, as análises dos sentimentos das pessoas, combatentes ou não-combatentes, das ideias dos grupos e colectividades, das famílias, das aldeias, dos povos.”

Aniceto Afonso, Carlos de Matos Gomes, Portugal e a Grande Guerra: 1914.1918, 2013

Se a historiografia contemporânea tem apontado a data de 28 de Junho de 1914 como o rastilho que provocou o desencadeamento da I Grande Guerra (1914-1918), com o assassinato do arquiduque herdeiro da Áustria e da sua mulher, com a declaração de guerra da Alemanha à França e à Inglaterra logo no início de Agosto, várias são as causas, as quais se situam principalmente ao longo do século XIX, que desencadearam esse mesmo conflito, que ainda hoje deixam muitos historiadores estupefactos pelo tempo que durou. Será com Bernardino Machado em 7 de Agosto de 1914, numa reunião extraordinária do Congresso e convocada por decreto de 4 de Agosto, que Portugal intervém militarmente, colocando-se ao lado da Inglaterra, o mesmo será dizer ao lado dos Aliados. A mesma confirmação irá surgir numa outra reunião extraordinária, esta autorizada por decreto de 17 de Novembro, na sessão do dia 23 do mesmo mês: e se a problemática relativamente a Portugal, se coloca num plano de neutralidade ou não, o que é certo é que logo desde o primeiro momento Portugal intervém militarmente, não só com uma mobilização em Outubro de 1914 para França, como igualmente com duas expedições africanas. A mobilização geral, digamos assim, concretiza-se em 1916, a partir do momento em que Portugal declara guerra à Alemanha em 10 de Março, tendo feito o mesmo a Alemanha relativamente a Portugal no dia anterior, estando em causa a problemática dos navios alemães. Será neste contexto histórico-militar e, num primeiro momento, radicalizando-se o teatro das operações em África e, num segundo momento, na Europa, que muitos famalicenses, tal como por todo o país, serão mobilizados. Se até ao momento, consegui o levantamento de mais de duas centenas de militares famalicenses que estiveram presentes no teatro das operações africanas e europeias, para além de uma reconstrução de um memorial famalicense, assim resgatando esses heróis silenciosos, o que convém perceber, precisamente, é a razão da duração de uma guerra desgastante e, por outro lado, como a comunidade famalicense na época, entre 1914 a 1918, viveu essas quase quatro décadas. Se não é este o meu propósito nestas breves linhas (ficando o segundo momento para um projecto de trabalho que será publicado brevemente e que terá o título “A I Grande Guerra no olhar do “Estrela do Minho” e V. N. de Famalicão nesse tempo – o monumento” ), o que me interessa aqui focar é a mobilização que se realizou no concelho de Vila Nova de Famalicão. Até ao momento, o levantamento que realizei, muitos mais irei de certeza encontrar, cifra-se em 150 soldados, 15 oficiais, 15 sargentos e 15 cabos, assim distribuídos geograficamente: S. Tiago de Antas, 3; Arnoso Santa Maria, 1; Bairro, 1; Cabeçudos, 3; Calendário, 20; Carreira, 4; Castelões, 4; Cavalões, 1; Cruz, 4; Esmeriz, 3; Fradelos, 9; Gavião, 5; Gondifelos, 2; Jesufrei, 3; Joane, 7; Lagoa, 2; Landim, 1; Lemenhe, 4; Louro, 7; Lousado, 10; Mogege, 3; Nine, 3; Oliveira Santa Maria, 7; Outiz, 1; Pedome, 1; Portela, 1; Pousada de Saramagos, 3; Requião, 3; Riba d`Ave, 2; Ribeirão, 7; Ruivães, 5; S. Paio, 2; Seide, 3; Sezures, 1; Vale S. Cosme, 6; Vale S. Martinho, 2; Vermoim 7; Vila Nova de Famalicão, 22; Vilarinho, 7.
Consciente de que há ainda muito trabalho de investigação a realizar pela frente (tendo sido a base deste trabalho um levantamento realizado, mas muito incompleto, por Vasco de Carvalho, nos anos quarenta do século passado, e existente no Fundo Local da Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, contando então na altura uns quarenta militares), as unidades militares para onde os famalicenses foram mobilizados são seguintes, de norte a sul do país: Batalhão de Lanceiros, Batalhão de Morteiros, Batalhão de Sapadores C./Ferro, Batalhão de Telegrafistas de Campanha, Companhia de Telegrafistas de Praça, Escola de Equitação, 8.º Grupo de Metralhadoras, 1.ª Companhia de Reformados, Regimento de Artilharia n.º 5, n.º 7, Regimento de Obuses de Campanha, Regimento de Artilharia de Montanha, Regimento de Cavalaria n.º 2, n.º 3, n.º 5, n.º 9, n.º 11, Regimento de Infantaria n.º 3, n.º 5, n.º 6, n.º 8, n.º 9, n.º 17, n.º 18, n.º 20, n.º 21, n.º 23, n.º 28, n.º 29, n.º 31, Regimento de Sapadores Mineiros, 2.ª Companhia de Reformados, Terceiro Grupo de Administração Militar, Terceiro Grupo de Companhias de Saúde e Terceiro Grupo de Metralhadoras.

Deixo aqui o registo, em sua memória, dos combatentes famalicenses que já consegui encontrar, através do trabalho já focado de Vasco de Carvalho, pelo jornal famalicense “Estrela do Minho” e pelo sítio, assim como pela ajuda mais do que prestativa que me tem fornecido, do Arquivo Geral do Exército, que estão a fazer um magnífico trabalho. A quem ler, não só para completar o memorial famalicense, agradecia informações dos respectivos combatentes, para a realização de um “Dicionário de Combatentes Famalicenses na I Grande Guerra”. Coloco o nome, o posto e a freguesia. Observação: se alguém usar alguma informação do que aqui publico, agradeço referência bibliográfica.


A. Ribeiro – Soldado (Gondifelos)
Abel Domingos de Azevedo – Soldado
Abílio Garcia de Carvalho – Alferes Médico Miliciano (Vila Nova de Famalicão)
Adolfo da Silva Pinto – Soldado
Abel Domingos de Azevedo – Soldado (Fradelos)
Agostinho Dias Ferreira – Soldado (Mogege)
Aires Domingues da Silva – Soldado (Calendário)
Alberto Sá Coelho – Soldado (Oliveira St.ª Maria)
Albino Francisco Marques – Soldado (Vila Nova de Famalicão)
Alcides Gonçalves Ribeiro – 2.º Sargento (Calendário)
Alexandre Álvaro Salazar – 2.º Sargento (Pedome)
Alfredo de Freitas – Soldado (Antas, S. Tiago de )
Alfredo Gomes – Soldado (Avidos)
Alfredo José Joaquim – Soldado (Calendário)
Alfredo Pereira – Soldado (Requião)
Álvaro Marques – Sargento (Vila Nova de Famalicão)
Amadeu Augusto da Silva – Soldado (Calendário)
Amândio da Costa Correia – Soldado (Calendário)
Aníbal Carneiro de Oliveira – Soldado (Requião)
António de Araújo – Soldado (Lagoa)
António Azevedo – Soldado
António Carneiro de Campos – Soldado (Lousado)
António Carvalho da Silva – Soldado (Vale S. Cosme)
António Correia da Fonseca – Soldado (Louro)
António Costa – Soldado (Jesufrei)
António da Costa – Soldado (Lemenhe)
António da Costa Moreira – Soldado (Vilarinho)
António Dias da Silva – Soldado (Carreira)
António Ferreira de Azevedo – Soldado (Lagoa)
António Ferreira da Silva – Soldado (Vale, S. Martinho do)
António Ferreira de Sousa – Soldado (Requião)
António Gomes da Silva – Soldado (Vila Nova de Famalicão)
António de Jesus Simões de Azevedo – 1.º Cabo (Portela)
António Joaquim Lopes – Soldado (Vermoim)
António José Machado – Soldado (Cruz, S. Tiago da)
António José da Silva – Soldado (Louro)
António Lopes da Silva – Soldado (Vila Nova de Famalicão)
António Luís – Soldado (Outiz)
António Machado – 1.º Cabo (Vila Nova de Famalicão)
António Martins – Soldado (Lousado)
António Maurício de Oliveira Fernandes – Soldado (Arnoso Santa Maria)
António Moreira – Soldado (Calendário)
António Paredes – 1.º Cabo Miliciano (Lemenhe)
António Pereira Faria – Soldado
António Pereira da Fonseca – Soldado (Avidos)
António Pereira Soares – Soldado (Calendário)
António Rodrigues da Cunha Azevedo (10/12/1878-25/02/1956) – Coronel (Lemenhe)
António de Sá e Silva – Soldado (Vilarinho)
António Sabino da Costa – 1.º, 2.º Cabo (Calendário)
António Sampaio – Soldado (Avidos)
António da Silva Alves – Soldado
António da Silva Carvalho – Soldado (Carreira)
António da Silva Moreira Pinto – 1.º Sargento, Alferes (Jesufrei)
António da Silva Pinto Marinho [Marinho Pinto] – 2.º Sargento, Alferes, Aspirante a Oficial Miliciano de Infantaria (Jesufrei)
Armando Chaves de Oliveira – Alferes Miliciano de Artilharia (Calendário)
Armando da Costa Araújo – 1.º Cabo (Nine)
Augusto Bento Moreira – Soldado (Cruz, S. Tiago da)
Augusto Bento Pereira – Soldado (Cruz, S. Tiago da)
Augusto Gonçalves Pinto – Soldado (Vilarinho)
Augusto de Oliveira Machado – Soldado (Cabeçudos)
Augusto Pinheiro da Silva – 2.º Sargento (Gavião)
Augusto Pinto – Soldado (Gavião)
Augusto Pinto de Araújo Campos – Soldado (Gavião)
Augusto da Silva Duarte – Soldado
Augusto da Silva Rei – Soldado (Vila Nova de Famalicão)
Augusto de Sousa e Silva – Soldado (Vila Nova de Famalicão)
Aurélio Passos – Soldado (Vale S. Cosme)
Avelino de Barros – Soldado (Ruivães)
Avelino José da Silva – 2.º Cabo (Fradelos)
Avelino José da Silva – Soldado
Avelino Pereira Gomes – Soldado (Joane)
Bento Barbosa – Soldado (Bairro)
Bernardino Coelho – Soldado
Camilo António de Araújo – Soldado (S. Miguel de Seide)
Camilo Dias – Soldado (Esmeriz)
Camilo Pereira de Sá – Soldado (Calendário)
Cândido Domingos de Azevedo – Soldado (Fradelos)
Carlos Gomes de Faria – Corneteiro (Cavalões)
Carlos Rodrigues – 1.º Cabo (Vila Nova de Famalicão)
Casimiro da Cruz – Soldado
Constantino Gonçalves dos Santos – Soldado
Daniel Gomes Barbosa – Soldado (Lemenhe)
Delfim da Costa Rodrigues – Soldado (Lousado)
Domingos da Cunha Brandão – Soldado (Oliveira Santa Maria)
Domingos Ferreira da Silva – Soldado (Sezures)
Domingos José de Campos – Soldado (Louro)
Domingos Martins Lopes – Soldado (Nine)
Eduardo Joaquim da Silva – 2.º Sargento (Vila Nova de Famalicão)
Ernesto Moreira – Soldado
Euclides Ribeiro Gomes de Barros – Capitão (Vila Nova de Famalicão)
Félix Ferreira Soares – Soldado (Vale S. Cosme)
Fernando Ferreira da Cruz – 2.º Sargento (Calendário)
Fonseca – Guarda-Marinha
França Barbosa Júnior – Soldado (Requião)
Francisco Alves da Costa – Soldado (S. Migue de Seide)
Francisco Alves da Silva – Soldado (Calendário)
Francisco Azevedo – Soldado (Oliveira Santa Maria)
Francisco de Azevedo – Soldado (S. Miguel de Seide)
Francisco Ferreira Barbosa – Soldado (Esmeriz)
Francisco José Vieira Monteiro – 2.º Cabo (Calendário)
Francisco Martins Lopes – Soldado (Vermoim)
Francisco Moreira – Soldado (Calendário)
Francisco Pinto Carneiro – Soldado (S. Paio de Seide)
Guilherme dos Anjos Lopes – Soldado (Louro)
Guilherme Ferreira de Magalhães – Soldado (Vila Nova de Famalicão)
Henrique Garcia – Sargento Miliciano (Vila Nova de Famalicão)
Henrique Ventura – Soldado (Vila Nova de Famalicão)
Higino da Costa Pereira da Cruz – Soldado (Ribeirão)
Horácio Gomes da Silva – Soldado (Cruz, Santiago da)
Jaime da Costa Dias – Soldado (Vila Nova de Famalicão)
Jerónimo Ferreira – Soldado (Riba d`Ave)
Jerónimo Ferreira de Carvalho – Soldado (Pousada de Saramagos)
João da Costa – Soldado (Louro)
João Ferreira – Soldado (Ruivães)
João Ferreira – 1.º Sargento
João Pereira Marques – Soldado (Joane)
João Pereira de Matos – 1.º Sargento, Alferes (Lousado)
João Simões Pereira – 1.º Cabo Enfermeiro
Joaquim de Aguiar Pimenta Carneiro – Auditor Privativo da 1.ª Divisão Mobilizada. Oficial. Major Graduado (Vermoim)
Joaquim Alves Carneiro – Soldado (Requião)
Joaquim Alves Correia de Araújo – Médico-Capitão (Requião)
Joaquim Alves de Pinho – Soldado (Antas, Santiago de)
Joaquim de Azevedo – 2.º Sargento (Castelões)
Joaquim de Carvalho Ferreira – Soldado (Brufe)
Joaquim da Costa – 2.º Sargento (Oliveira Santa Maria)
Joaquim da Costa Carneiro – Terceiro Oficial da Secretaria da Guerra. Graduação Alferes (Fradelos)
Joaquim Faria da Cunha – Soldado (Joane)
Joaquim Ferreira do Couto – 1.º Cabo (Ribeirão)
Joaquim Gomes Morais – Soldado (S. Cosme do Vale)
Joaquim Monteiro de Azevedo – Soldado (Vermoim)
Joaquim Moreira da Costa – Soldado (Lousado)
Joaquim Pereira Lobo – Soldado (Mogege)
Joaquim Pereira Simões – Soldado
Joaquim Ribeiro – Soldado (Castelões)
Joaquim da Silva – Soldado (Castelões)
Joaquim da Silva Oliveira – Soldado (Ribeirão)
Joaquim Ribeiro – Soldado
Joaquim da Silva Pimenta – 2.º Sargento (Vila Nova de Famalicão)
Joaquim de Sousa – Soldado (S. Paio de Seide)
Joaquim de Sousa Lobo – Soldado (Oliveira Santa Maria)
José António do Forno – Soldado (Fradelos)
José António Martins – Soldado (Vilarinho)
José António da Silva – Soldado (Fradelos)
José de Barros – Soldado (Joane)
José Carvalhal da Silva – Soldado (Vila Nova de Famalicão)
José da Costa Rodrigues de Carvalho – Soldado (Calendário)
José Dias Veiga – Soldado (Ruivães)
José Fernandes – Soldado (Oliveira Santa Maria)
José Ferreira – Soldado (Castelões)
José Ferreira de Lima – 1.º Cabo (Calendário)
José Ferreira Tavares – Soldado (Calendário)
José Gomes de Queiroz – Soldado (Nine)
José Hermínio Barbosa – Alferes
José Inácio de Magalhães – Soldado (Pousada de Saramagos)
José Lopes da Fonseca – Soldado (Ruivães)
José Maria Ferreira – Soldado
José Maria Moreira – Capitão (Vale S. Martinho)
José Martins – Soldado (Vila Nova de Famalicão, Santo Adrião)
José Martins Ribeiro – Soldado
José de Oliveira e Silva – Soldado (Vilarinho)
José Ribeiro Barbosa (1887-1930) – Capitão (Joane)
José Rodrigues – Soldado
José da Silva Borralho – Soldado (Joane)
José da Silva Torres – Soldado (Fradelos)
José de Sousa Carneiro – Soldado (Lousado)
José de Sousa Soares – Soldado (Lousado)
José Tinoco de Carvalho – Soldado (Cabeçudos)
Júlio Mendes – Soldado (Vermoim)
Leandro Ferreira – Soldado (Vermoim)
Leopoldo Ferreira de Sousa – Soldado (Requião)
Lino Alves de Pinho – Soldado (Louro)
Luís de Menezes – Major (Vila Nova de Famalicão)
Luís Moreira – Soldado (Calendário)
Mamede Dias da Cruz – Soldado (Ribeirão)
Manuel Correia Guimarães – Soldado (Ribeirão)
Manuel da Costa Azevedo – Soldado
Manuel da Costa Gomes – Soldado
Manuel da Costa Reis – Soldado (Ribeirão)
Manuel Dias da Cruz – Soldado
Manuel Dias Moreira – Soldado (Ribeirão)
Manuel Folhadela Guimarães – Sargento (Vila Nova de Famalicão)
Manuel Gomes Pinto – Soldado (Vale S. Cosme)
Manuel Gonçalves da Costa – Soldado (Lousado)
Manuel Gonçalves da Costa Pacheco – Tenente de Infantaria (Louro)
Manuel Gonçalves do Couto – Soldado
Manuel Gonçalves de Sousa – Soldado (Fradelos)
Manuel José Rebelo – Capitão (Lousado)
Manuel José Vieira – 1.º Cabo (Vila Nova de Famalicão)
Manuel Leite Correia – 1.º Cabo (Joane)
Manuel Monteiro – Soldado (Carreira)
Manuel Monteiro – Soldado (Landim)
Manuel Nascimento Dias da Costa – Sargento (Ruivães)
Manuel de Oliveira – Soldado
Manuel Rodrigues Carvalho – Alferes-Miliciano, Tenente (Vila Nova de Famalicão)
Manuel da Silva – 2.º Cabo (Vila Nova de Famalicão)
Manuel da Silva Brandão – Soldado (Gavião)
Manuel da Silva Pinto – Soldado (Vilarinho)
Manuel de Sousa – Soldado (Vale S. Cosme)
Manuel Veloso de Araújo – Soldado (Calendário)
Mário de Araújo – Soldado (Esmeriz)
Miguel Rodrigues Afonso – Soldado (Gondifelos)
Narciso de Abreu – Soldado (Carreira)
Nelson Couto Pinto de Azevedo – 1.º Cabo (Antas, S. Tiago de )
Raúl Pereira Rodrigues – Soldado (Riba d`Ave)
Salvador Jorge Raimundo – Soldado
Urbano da Costa Dias – Soldado (Lousado)
Valdemar Cardoso – Soldado (Gavião)
Ventura Martins da Silva – Soldado (Fradelos)
Zacarias Carneiro Soares – Soldado (Pousada de Saramagos)
Zeferino de Carvalho – Soldado (Oliveira Santa Maria)
Zeferino Ribeiro – Soldado (Mogege)
Zeferino Rodrigues do Couto Veloso – Soldado (Vilarinho)