terça-feira, 13 de março de 2012

ana de castro osório e a i guerra mundial

camilo fingidor



o que temos nestas "memórias do cárcere"? camilo no seu melhor, enquanto fingidor de si próprio, enquanto andarilho e vagamundo pelo norte do país, albergando-se em casas de amigos, como josé cardoso vieira de castro ou de martins sarmento. no fundo, um camilo estóico entre as leituras e os livros e a escrita, passando pela fenomenologia do amor, a dimensão antropológica, reflexões sobre a amizade, uma imagem de portugal, um portugal que se transforma socialmente e a literatura no seu melhor (no jogo entre o real e a ficção). lemos na conclusão: "fecham-se as memórias. / há nelas uma grande lacuna. eu devia ter dito porque estive preso um ano e dezasseis dias. não disse, nem digo, porque verdadeiramente ainda não sei porque foi." a seu tempo, senão diariamente, iremos celebrar neste blog os 150 anos destas memórias camilianas andarilhas, com citações das temáticas anunciadas, tal como o já fizemos com o "amor de perdição".

segunda-feira, 12 de março de 2012

camilo vagamundo



"Consistiu a minha luta em fingir uma estóica serenidade, que, tão em revés da minha índole, vinguei e dissimulei."

Camilo, Memórias do Cárcere

domingo, 11 de março de 2012

adelina abranches e vicente arnoso em famalicão (1917)

para o meu caro amigo joão afonso machado, com um abraço fraternal



após um longo interregno, será com a inauguração do palco do teatro olímpia em 1917, mais propriamente em fevereiro, com o grupo cénico do orfeão famalicense, que as grandes companhias do teatro nacional virão a famalicão. a primeira a vir foi a companhia de carlos oliveira, tendo a representá-la a grande actriz de nomeada nacional lucinda simões, em 10 e 11 de agosto, que representou "mancha que limpa", a "casta esmeralda" e manhã de sol. anuncia-se a vinda da companhia de adelina abranches, a qual, segundo noticia do "estrela do minho" de 12 de agosto, nos informa que "levará à cena no teatro olímpia a "dor que mata" de vicente arnoso e o "gaiato de lisboa", de aristides abranches", que actuará em 20 e 21 de agosto. da "dor que mata", a 19 de agosto, diz-nos o mesmo jornal que "desperta grande curiosidade por ter agradado muito em lisboa e ainda por o seu autor ser filho do falecido conde de arnoso, que no nosso concelho tem o seu solar." efectivamente, , "dor que mata" foi representado pela primeira vez pela companhia adelina abranches no theatro avenida em 10 de maio de 1917.; e o solar que se referencia é o solar de pindela. por outro lado, vicente arnoso esteve presente na apresentação da sua peça em famalicão, conforme de pode ler na noticia publicada no mesmo jornal em 26 de agosto: "esteve há dias em famalicão, de visita a seu ilustre tio visconde de pindela, este distinto escritor, assistindo à representação da sua peça dramática "dôr que mata" desempenhada por adelina abranches." da representação da actriz e das impressões da sua apresentação, relativamente a "dôr que mata", e do valor literário da peça, vejamos o que o jornalista então escreveu: "é uma peça muito bem escrita, como ainda de toda ela rescende moralidade e nobreza de sentimentos. / quem assim escreve aspira a uma sociedade perfeita que se imponha pela bondade." E relativamente à actuação da actriz, temos o seguinte: "o desempenho foi impressionante de verdade, revelando-se adelina abranches, no papel principal, uma artista de raça, pois soube salientar com arte o sentimento do autor." recordamos que vicente arnoso não só foi antologiado em 1998 em "antologia de autores famalicenses", como igualmente esteve presente na exposição "uma aproximação aos autores famalicenses", com a colaboração da família.

famalicão e a i guerra mundial

o ano de 1917 em vila nova de famalicão, como um pouco por todos os concelhos do país, será marcado pela ida das tropas portuguesas para frança, nomeadamente de soldados famalicenses. mas já antes, o "estrela do minho", e uma constante, publica as crónicas de a. vinardell roig com o título "parisiana: guerra infame", que nos conta detalhadamente os acontecimentos no campo da batalha. em vila nova de famalicão, a par da reconstrução da casa de camilo e a questão das subsistências, constitui-se em 1917 não só a comissão de assistência às vitímas da guerra, constituída então pela viscondessa de pindela, amélia de lobão macedo chaves de oliveira, mariana folhadela de macedo, maria da glória ferreira de macedo sampaio e maria bertila garcia de carvalho, como igualmente a delegação da cruz vermelha em famalicão. o que merece de realçar, são as várias actividades que a então comissão de assistência às vítimas da guerra realizou em famalicão, no clube de caçadores, cívicas e culturais, não só se restringindo à festa da flor, esta realizada em 8 de maio de 1917, como realizando concertos e actividades desportivas para adquirir fundos para as vítimas da guerra. a seu tempo, destas e de outras notícias se publicará.







sábado, 10 de março de 2012

a cp e o seu cartão ditatorial


aventuras de um cartão ditatorial ou de um passageiro que fica estupefacto! a cp lembrou-se de instituir um cartão obrigatório para os seus utentes. no marketing, como se pode ver e ler, temos: "próxima paragem: mudar a sua vida". isto nem o diabo se lembrava, de certeza absoluta. a questão é: será que esse cartão vai mudar a vida da empresa? por esse cartão, o utente paga 50 cêntimos e se se esquece dele paga mais 50! mas quem estabelece essa obrigatoriedade?! até pensei que com o cartão a empresa poupasse no papel, mas não: o recibo é o dobro ou o triplo ainda maior que o próprio cartão. no fundo, é uma forma de uma empresa estatal falida tentar recuperar o seu cofre perdido e muribundo, eis o que salta para a nossa razoabilidade de cidadãos comuns e pacatos. para mudar a vida da empresa? só se for e mesmo assim duvida-se. malhas ou aventuras que um cartão tece. está há vista de todos o que a empresa pretende; e depois, se o utente pretende explicações, uma razão justificativa para a obrigatoriedade do respectivo cartão, ninguém as sabe dar: só apontam o dedo para uma folheca de informação colada no vidro e dizem: agora é obrigatório! eis um cartão ditatorial!

quinta-feira, 8 de março de 2012

manuel da silva mendes, pedagogo em famalicão


O jornal "O Minho", de Rodrigo Terroso, (1866-1925), órgão do Partido Progressista em Vila Nova de Famalicão, é um daqueles jornais que, ao lado de "O Porvir", do republicano Sousa Fernandes, mais noticiaram sobre a vida de Manuel da Silva Mendes (1867-1931) por terras de Vila Nova, até se deslocar para Macau em 1901, por influencia de Santos Viegas. Filósofo, político e pedagogo, destacando-se como um dos mais reputados sinólogos, será precisamente o jornal "O Minho", no n.º 24, de 17 de Março de 1898, e na sua rúbrica "Noticiário" nos informa o seguinte, com o título curso de francês: "Participa-nos o nosso amigo sr. dr. Silva Mendes que no propósito de auxiliar alguns rapazes do comércio que desejam aprender a linguagem francesa e ou não tenham meios ou não têm horas no dia em que possam frequentar aquela disciplina geral (pois que na vila não há curso nocturno), resolveu abrir um curso em horas em que todos o possam frequentar. Por isso, pede-nos que anunciemos este seu propósito, com a declaração de que a frequência é gratuita e nocturna, em lugar e hora que brevemente este jornal dirá. Os indivíduos, pois, que desejarem frequentar, deverão entregar o seu cartão nesta redacção. Adverte-se que podem frequentar tanto os empregados no comércio como outras quaisquer pessoas. Os compêndios a adoptar serão oportunamente designados." E segundo notícia a 24 de Março, ficamos a saber que as aulas se realizarão na Associação dos Bombeiros Voluntários, sendo os compêndios os mesmos dos liceus. O curso dirigido por Silva Mendes funcionava durante três dias na semana: terças, quartas e sábados, desde as 19h30 até às 20h30.