quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Macau e V. N. de Famalicão

 
"Encontrar terra portuguesa, a mais de 3.600 léguas de distância da nossa querida pátria, é tamanha ventura, que os cinco dias que estivemos em Macau contarão na nossa vida como para o caminhante no deserto contam as horas de descanso passadas à sombra benfazeja das palmeiras dum oásis."
 
Conde de Arnoso
 
 



O Catálogo que aqui apresento com o título "Macau: 4 séculos de Portugal na China" diz respeito a uma exposição bibliográfica que esteve patente na Figueira da Foz em Setembro de 1996 integrada na "Quinzena de Macau na Figueira da Foz". Mais nos diz a introdução deste respectivo catálogo que as espécies bibliográficas pertencem às colecções da Biblioteca Central de Macau, Arquivo Histórico de Macau e de Cecília Jorge e de Rogério Beltrão Coelho. Fiquei satisfeitíssímo por ver Manuel da Silva Mendes, cujas edições, uma ou outra, desconhecia, mas cujos textos conheço noutras edições, caso de "O Ensino da Língua Portuguesa em Macau" (texto que o Prof. António Aresta compilou no livro "A Instrução Pública em Macau" e que me ofereceu, assim como "Sobre Filosofia"), e a edição de "Macau: impressões e recordações" (texto antologiado em 1998 na "Antologia dos Autores Famalicenses"). Mais satisfeito fiquei ainda com a indicação de Bernardo Pindela/Conde Arnoso com o seu livro "Jornadas Pelo Mundo" (este comprado em alfarrabista), mas não conhecendo a antologia de 1988 "De Longe à China: Macau na historiografia e na literatura portuguesas". Não ficando por aqui, lá estavam as obras do P. da Silva Rego relacionadas com Macau, não querendo deixar de referir o título "Macau entre duas crises", oferta à minha pessoa, como entre tantos outros títulos, de um sobrinho-neto do referido historiador português. De salientar, é a naturalidade destas três personalidades, todas elas relacionadas com Vila Nova de Famalicão. Um apontamento com um abraço de amizade fraterna para Rogério Beltrão Coelho.



terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Júlio Brandão, Aquilino Ribeiro e Bernardino Machado

 
 
"está resolvido que Aquilino Ribeiro escreva dois artigos mensais, a 100 escudos cada um"
Júlio Brandão a Bernardino Machado
 


 








Para o Dr. Manuel Sá Marques, com o meu abraço de fraterna amizade e sempre saudosa

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Américo da Silva Castro (1889-?), um republicano famalicense


 
De Américo da Silva Castro, já Bernardino Machado, num discurso no Porto, na inauguração do Montepio da Classe Comercial da mesma cidade, se refere a Castro nos seguintes termos: "esperançoso e simpático aluno da Faculdade de direito da nossa Universidade" (Bernardino Machado, Obras: Política - I, "A Reforma", p. 414)Natural de Santo Tirso, formado em Direito pela Universidade de Coimbra em 1908, abriu banca de advogado no Porto. Fixou residência em Vila Nova de Famalicão desde Dezembro de 1943, exercendo o cargo de Conservador do Registo Civil, trabalhando em advocacia. No Porto, enquanto estudante liceal, fundou, com outros, a União Académica.
 
 

Dos livros que publicou, dos quais só conheço "Últimos Anos da Monarquia", com dedicatória a Sousa Fernandes, "Amostras sem Valor", com dedicatória a Nuno Simões e "Vita", publicou ainda "Os Meus Pensamentos", "Tristezas", "Marília", "Na Hora Derradeira" e "O Egoísmo, base da sociedade". No Porto, foi vereador da Câmara Municipal, Conservador do Registo Civil no 2.º Bairro, Administrador do Concelho em Matosinhos, Presidente do Tribunal dos Árbitros Avindores, Presidente da Comissão Administrativa dos Bens da Igreja, Director do Instituto Industrial do Porto, Conservador do Registo Civil em Espinho, entre outros cargos. Foi deputado em 1921 pelo círculo de Santo Tirso e, em 1922, pelo Porto nas listas do Partido Democrático. Em 1907 escreveu no jornal "O Porvir" várias crónicas intituladas "Palavras Vermelhas".



 
Nos seus setenta anos, o "Estrela do Minho", possivelmente num texto de José Casimiro da Silva, traça~lhe o seguinte perfil: "Festeja hoje o seu 70.º aniversário natalício o nosso prezado amigo sr. dr. Américo de Castro que, por tal modo e em obediência à lei, deixou o cargo onde tantos anos se insinuou, de conservador do registo civil. / Atingido pelo limite de idade, pare que os seus 70 anos capricharam em apresentá-lo na plenitude de todo o seu vigor físico e mental, o que prova, mais uma vez, que muitos velhos (perante a lei do calendário, souberam imunizar-se contra a decrepitude - e o dr. Américo de Castro é disso exemplo flagrante - e muitos novos envelheceram precocemente. / De resto, no seu "Vita" e nas "Poucas Palavras" que precedem a biografia daquele conhecidíssimo fidalgo das bandas do Douro que dava pelo nome de Francisco Meneses de Atouguia Pousada de Albergaria, ele o diz: «Orgulhosamente afirmo que ainda não me sinto à margem. Os que me lerem, dirão, porém, se sou um velho a escrever, se sou ainda um cérebro que não apodreceu e pensa. / Há novos velhos, há velhos novos e há ainda velhos velhos. / A que categoria pertenço? Os outros o dirão. Seja qual for a sua crítica, eu sei o que sou. Conheço-me bem.» E porque assim é, se nos causa desgosto o afastamento do dr. Américo de Castro, da conservatória do registo civil de Famalicão, não podemos, pelo outro, deixar de exteriorizar a nossa satisfação pela viveza de espírito e pela rigidez física com que o faz. / Dura lex, sem lex."
 
 
 
Das aventuras republicanas no Porto, ainda jovem estudante do liceu D. Manuel, no livro "ùltimos Anos da Monarquia", refere-se a elas nos seguintes termos, no capítulo "Vida Académica no Porto", com referências a Santos Silva ou a Manuel de Laranjeira, entre outros: "Em 1898 eu frequentava no porto um dos primeiros anos do Liceu da Rua de S. Bento da Vitória, mais tarde batizado com o nome de «Liceu D. Manuel II» e hoje crismado em «Liceu Rodrigues de Freitas. / Os estudantes portuenses dessa época impunhams-se por uma élite de rapazes de talento. / As ideias  republicanas estavam disseminadas na academia, de que então faziam parte os Drs. Manuel de Oliveira, falecido há pouco, João de Oliveira Monteiro, Santos Silva, Júlio Abeilard Teixeira, Pádua Correia, Bartolomeu Severino, Manuel Laranjeira e muitos outros que nunca arrepiaram caminho, por mais difícil que se lhes apresentasse a arrancada, e que pela vida fora tem sempre mostrando uma só fé e uma só crença nos destinos de Portugal. / Os estudantes de então faziam política e blague, riam e cantavam, mas lutando sempre pela libertação de uma pátria que, amarguradamente viam a caminhar para o abismo, empurrada por aqueles que se diziam seus salvadores. / A nós estudantes, interessavam-nos os problemas político, económico e religioso. / Não era rao, no café Central, então frequentado quase exclusivamente pela academia, haver essa discussão entre os rapazes de cérebros sacudidos de pó e teias de aranha e aquele que, sobretudo o Colégio do Espírito Santo, de Braga, exportava para os nossos institutos superiores de ensino."
 
PROJECTO EM CURSO
"Dicionário de Escritores Famalicenses"

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Bernardino Machado Pedagogo


Numa organização da Câmara Municipal em colaboração com o Museu Bernardino Machado, vai realizar-se no próximo dia 15 de Fevereiro, pelas 21h30, no referido Museu, a segunda conferência do ciclo “Pedagogos e Pedagogia em Portugal”. Desta vez, o convidado é o professor Norberto Amadeu Ferreira Gonçalves da Cunha, professor catedrático aposentado da Universidade do Minho e coordenador científico do Museu Bernardino Machado, que irá proferir a conferência “Bernardino Machado Pedagogo”. Para além da entrega do certificado de presença, e a entrada livre, o Ciclo de Conferências aguarda acreditação pelo Centro de Formação Científica para os professores das disciplinas de História, Filosofia e Sociologia.
 O Prof. Norberto Cunha doutorou-se em 1990 pela Universidade do Minho com a dissertação “Génese e Evolução do ideário de Abel Salazar” e foi Professor Catedrático do Departamento de Filosofia e Cultura do Instituto de Letras e Ciências Humanas da mesma Universidade, desde 1998 até 2006, ano em que se aposentou. Presidiu, durante vários anos, ao Centro de Estudos Lusíadas da Universidade do Minho, organizando, no âmbito das suas actividades, dezenas de conferências e vários colóquios internacionais. Foi, igualmente, durante vários anos, Presidente do Conselho de Cursos do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho e Director do Departamento de Filosofia e Cultura do mesmo Instituto, encontrou-se à Fundação Lloyd Braga, tendo sido seu vogal e membro da Comissão Instaladora da Casa-Museu de Monção, da Universidade do Minho. Membro dos conselhos científicos de várias revistas nacionais e dos órgãos de várias instituições académicas, ao longo da sua carreira leccionou as disciplinas de Lógica e Epistemologia do Conhecimento Social e Mentalidades e Cultura Portuguesa, dirigiu mestrados, assim como os leccionando, dentro e fora da Universidade do Minho, em Portugal e no Estrangeiro, tal como em Cursos de Verão, sobre “ Temas de Filosofia Portuguesa Contemporânea” , sobre “ O Ensaio em Portugal no século XX” e sobre “ A Ideia da Europa em Portugal (desde a Ilustração ao Estado Novo)” . No mestrado de História das Instituições e Cultura Moderna e Contemporânea, do Departamento de História da Universidade do Minho, leccionou, durante vários anos, a disciplina de Cultura e Mentalidades no Portugal Contemporâneo assim como leccionou, também durante vários anos (1991-1992 até 2002/2003); e no mestrado em História e Filosofia da Educação da mesma Universidade, também durante seis anos, a disciplina de “Pensamento Educacional Português”. Foi orientador de dezenas de teses de mestrado (especialmente sobre educadores portugueses) e várias teses de doutoramento, tendo sido arguente de umas e outras em Universidades portuguesas. Tem participado em vários projectos de investigação, realizou conferências em diversos Congressos e Colóquios nacionais e estrangeiros e fez parte de júris de vários prémios de História Contemporânea. As suas publicações têm como objectivo fundamental, a compreensão de Portugal e dos portugueses a partir das Luzes e da modernidade, através da chamada “ história intelectual” – tendo como ponto de partida os paradigmas científicos-naturais – numa perspectiva metodológica de convergência entre a história das ideias e a história e a sociologia das ciências. Tem seis livros publicados, proferiu mais de duas centenas de conferências no país e no estrangeiro e publicou mais de uma centena de artigos em revistas da especialidade. Os seus trabalhos publicados têm, como referente: (a) a Ilustração em Portugal, com especial ênfase nos chamados “estrangeirados” (como Verney, Cunha Brochado, José Anastácio da Cunha, Martinho de Mendonça e Ribeiro Sanches) e na Academia Real de História Portuguesa; (b) a Filosofia em Portugal e a Cultura portuguesa – da “ Geração de 70” à crise da II Guerra Mundial – com especial incidência nos “ intelectuais” e no “ensaísmo” português, na ideologia e política republicanas, na “ Renascença Portuguesa”, no tradicionalismo integralista, nos seareiros e no neopositivismo lógico; (c) a ideologia do Estado Novo e seus próceres; (d) a recepção da Ideia da Europa em Portugal; (e) a representação da Galiza na historiografia portuguesa; (f) o republicanismo português (1903-1918); (g) e Bernardino Machado (obra pedagógica e politica). Actualmente, tem prestado especial atenção, sobretudo, aos paradigmas e “dispositivos” intelectuais pró-naturalistas de longa duração na Cultura Portuguesa (das Luzes ao século XX), à teoria da história (relações entre ensaísmo e modalidades actuais da escrita actual da História; e o papel da metáfora na História), à problemática do tempo e à publicação das “ Obras” de Bernardino Machado.