terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Júlio Brandão, Aquilino Ribeiro e Bernardino Machado

 
 
"está resolvido que Aquilino Ribeiro escreva dois artigos mensais, a 100 escudos cada um"
Júlio Brandão a Bernardino Machado
 


 








Para o Dr. Manuel Sá Marques, com o meu abraço de fraterna amizade e sempre saudosa

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Américo da Silva Castro (1889-?), um republicano famalicense


 
De Américo da Silva Castro, já Bernardino Machado, num discurso no Porto, na inauguração do Montepio da Classe Comercial da mesma cidade, se refere a Castro nos seguintes termos: "esperançoso e simpático aluno da Faculdade de direito da nossa Universidade" (Bernardino Machado, Obras: Política - I, "A Reforma", p. 414)Natural de Santo Tirso, formado em Direito pela Universidade de Coimbra em 1908, abriu banca de advogado no Porto. Fixou residência em Vila Nova de Famalicão desde Dezembro de 1943, exercendo o cargo de Conservador do Registo Civil, trabalhando em advocacia. No Porto, enquanto estudante liceal, fundou, com outros, a União Académica.
 
 

Dos livros que publicou, dos quais só conheço "Últimos Anos da Monarquia", com dedicatória a Sousa Fernandes, "Amostras sem Valor", com dedicatória a Nuno Simões e "Vita", publicou ainda "Os Meus Pensamentos", "Tristezas", "Marília", "Na Hora Derradeira" e "O Egoísmo, base da sociedade". No Porto, foi vereador da Câmara Municipal, Conservador do Registo Civil no 2.º Bairro, Administrador do Concelho em Matosinhos, Presidente do Tribunal dos Árbitros Avindores, Presidente da Comissão Administrativa dos Bens da Igreja, Director do Instituto Industrial do Porto, Conservador do Registo Civil em Espinho, entre outros cargos. Foi deputado em 1921 pelo círculo de Santo Tirso e, em 1922, pelo Porto nas listas do Partido Democrático. Em 1907 escreveu no jornal "O Porvir" várias crónicas intituladas "Palavras Vermelhas".



 
Nos seus setenta anos, o "Estrela do Minho", possivelmente num texto de José Casimiro da Silva, traça~lhe o seguinte perfil: "Festeja hoje o seu 70.º aniversário natalício o nosso prezado amigo sr. dr. Américo de Castro que, por tal modo e em obediência à lei, deixou o cargo onde tantos anos se insinuou, de conservador do registo civil. / Atingido pelo limite de idade, pare que os seus 70 anos capricharam em apresentá-lo na plenitude de todo o seu vigor físico e mental, o que prova, mais uma vez, que muitos velhos (perante a lei do calendário, souberam imunizar-se contra a decrepitude - e o dr. Américo de Castro é disso exemplo flagrante - e muitos novos envelheceram precocemente. / De resto, no seu "Vita" e nas "Poucas Palavras" que precedem a biografia daquele conhecidíssimo fidalgo das bandas do Douro que dava pelo nome de Francisco Meneses de Atouguia Pousada de Albergaria, ele o diz: «Orgulhosamente afirmo que ainda não me sinto à margem. Os que me lerem, dirão, porém, se sou um velho a escrever, se sou ainda um cérebro que não apodreceu e pensa. / Há novos velhos, há velhos novos e há ainda velhos velhos. / A que categoria pertenço? Os outros o dirão. Seja qual for a sua crítica, eu sei o que sou. Conheço-me bem.» E porque assim é, se nos causa desgosto o afastamento do dr. Américo de Castro, da conservatória do registo civil de Famalicão, não podemos, pelo outro, deixar de exteriorizar a nossa satisfação pela viveza de espírito e pela rigidez física com que o faz. / Dura lex, sem lex."
 
 
 
Das aventuras republicanas no Porto, ainda jovem estudante do liceu D. Manuel, no livro "ùltimos Anos da Monarquia", refere-se a elas nos seguintes termos, no capítulo "Vida Académica no Porto", com referências a Santos Silva ou a Manuel de Laranjeira, entre outros: "Em 1898 eu frequentava no porto um dos primeiros anos do Liceu da Rua de S. Bento da Vitória, mais tarde batizado com o nome de «Liceu D. Manuel II» e hoje crismado em «Liceu Rodrigues de Freitas. / Os estudantes portuenses dessa época impunhams-se por uma élite de rapazes de talento. / As ideias  republicanas estavam disseminadas na academia, de que então faziam parte os Drs. Manuel de Oliveira, falecido há pouco, João de Oliveira Monteiro, Santos Silva, Júlio Abeilard Teixeira, Pádua Correia, Bartolomeu Severino, Manuel Laranjeira e muitos outros que nunca arrepiaram caminho, por mais difícil que se lhes apresentasse a arrancada, e que pela vida fora tem sempre mostrando uma só fé e uma só crença nos destinos de Portugal. / Os estudantes de então faziam política e blague, riam e cantavam, mas lutando sempre pela libertação de uma pátria que, amarguradamente viam a caminhar para o abismo, empurrada por aqueles que se diziam seus salvadores. / A nós estudantes, interessavam-nos os problemas político, económico e religioso. / Não era rao, no café Central, então frequentado quase exclusivamente pela academia, haver essa discussão entre os rapazes de cérebros sacudidos de pó e teias de aranha e aquele que, sobretudo o Colégio do Espírito Santo, de Braga, exportava para os nossos institutos superiores de ensino."
 
PROJECTO EM CURSO
"Dicionário de Escritores Famalicenses"

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Bernardino Machado Pedagogo


Numa organização da Câmara Municipal em colaboração com o Museu Bernardino Machado, vai realizar-se no próximo dia 15 de Fevereiro, pelas 21h30, no referido Museu, a segunda conferência do ciclo “Pedagogos e Pedagogia em Portugal”. Desta vez, o convidado é o professor Norberto Amadeu Ferreira Gonçalves da Cunha, professor catedrático aposentado da Universidade do Minho e coordenador científico do Museu Bernardino Machado, que irá proferir a conferência “Bernardino Machado Pedagogo”. Para além da entrega do certificado de presença, e a entrada livre, o Ciclo de Conferências aguarda acreditação pelo Centro de Formação Científica para os professores das disciplinas de História, Filosofia e Sociologia.
 O Prof. Norberto Cunha doutorou-se em 1990 pela Universidade do Minho com a dissertação “Génese e Evolução do ideário de Abel Salazar” e foi Professor Catedrático do Departamento de Filosofia e Cultura do Instituto de Letras e Ciências Humanas da mesma Universidade, desde 1998 até 2006, ano em que se aposentou. Presidiu, durante vários anos, ao Centro de Estudos Lusíadas da Universidade do Minho, organizando, no âmbito das suas actividades, dezenas de conferências e vários colóquios internacionais. Foi, igualmente, durante vários anos, Presidente do Conselho de Cursos do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho e Director do Departamento de Filosofia e Cultura do mesmo Instituto, encontrou-se à Fundação Lloyd Braga, tendo sido seu vogal e membro da Comissão Instaladora da Casa-Museu de Monção, da Universidade do Minho. Membro dos conselhos científicos de várias revistas nacionais e dos órgãos de várias instituições académicas, ao longo da sua carreira leccionou as disciplinas de Lógica e Epistemologia do Conhecimento Social e Mentalidades e Cultura Portuguesa, dirigiu mestrados, assim como os leccionando, dentro e fora da Universidade do Minho, em Portugal e no Estrangeiro, tal como em Cursos de Verão, sobre “ Temas de Filosofia Portuguesa Contemporânea” , sobre “ O Ensaio em Portugal no século XX” e sobre “ A Ideia da Europa em Portugal (desde a Ilustração ao Estado Novo)” . No mestrado de História das Instituições e Cultura Moderna e Contemporânea, do Departamento de História da Universidade do Minho, leccionou, durante vários anos, a disciplina de Cultura e Mentalidades no Portugal Contemporâneo assim como leccionou, também durante vários anos (1991-1992 até 2002/2003); e no mestrado em História e Filosofia da Educação da mesma Universidade, também durante seis anos, a disciplina de “Pensamento Educacional Português”. Foi orientador de dezenas de teses de mestrado (especialmente sobre educadores portugueses) e várias teses de doutoramento, tendo sido arguente de umas e outras em Universidades portuguesas. Tem participado em vários projectos de investigação, realizou conferências em diversos Congressos e Colóquios nacionais e estrangeiros e fez parte de júris de vários prémios de História Contemporânea. As suas publicações têm como objectivo fundamental, a compreensão de Portugal e dos portugueses a partir das Luzes e da modernidade, através da chamada “ história intelectual” – tendo como ponto de partida os paradigmas científicos-naturais – numa perspectiva metodológica de convergência entre a história das ideias e a história e a sociologia das ciências. Tem seis livros publicados, proferiu mais de duas centenas de conferências no país e no estrangeiro e publicou mais de uma centena de artigos em revistas da especialidade. Os seus trabalhos publicados têm, como referente: (a) a Ilustração em Portugal, com especial ênfase nos chamados “estrangeirados” (como Verney, Cunha Brochado, José Anastácio da Cunha, Martinho de Mendonça e Ribeiro Sanches) e na Academia Real de História Portuguesa; (b) a Filosofia em Portugal e a Cultura portuguesa – da “ Geração de 70” à crise da II Guerra Mundial – com especial incidência nos “ intelectuais” e no “ensaísmo” português, na ideologia e política republicanas, na “ Renascença Portuguesa”, no tradicionalismo integralista, nos seareiros e no neopositivismo lógico; (c) a ideologia do Estado Novo e seus próceres; (d) a recepção da Ideia da Europa em Portugal; (e) a representação da Galiza na historiografia portuguesa; (f) o republicanismo português (1903-1918); (g) e Bernardino Machado (obra pedagógica e politica). Actualmente, tem prestado especial atenção, sobretudo, aos paradigmas e “dispositivos” intelectuais pró-naturalistas de longa duração na Cultura Portuguesa (das Luzes ao século XX), à teoria da história (relações entre ensaísmo e modalidades actuais da escrita actual da História; e o papel da metáfora na História), à problemática do tempo e à publicação das “ Obras” de Bernardino Machado.


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Sousa Fernandes (1849-1928), o republicano

 
 

Joaquim José de Sousa Fernandes
(Vila Nova de Famalicão, 24/01/1849-Vila Nova de Famalicão, 13/041928)

 

Nascido em Vila Nova de Famalicão, era filho de António Joaquim Fernandes e de Justa Maria de Sousa Fernandes. Com treze anos, em 1862m emigrou para o Brasil, segundo um caminho já traçado por outros membros da sua família, tornando um brasileiro de torna-viagem, até fixar residência definitiva em V. N. de Famalicão, em 1906. No Brasil, a exemplo de outros portugueses emigrados, seguiu a carreira comercial, no Rio de Janeiro, na casa Gomes & irmão, tornando-se sócio-gerente em 1878.


Foi, precisamente, no Rio de Janeiro que começou a sua instrução autodidacta, vindo a ser influenciado pela revolução republicana brasileira (1889), escrevendo assiduamente não só para o jornal portuense “O Primeiro de Janeiro” as suas afamadas “Crónicas Brasileiras”, como igualmente na Revista do Retiro Literário Português, fundada por Sousa Fernandes, vindo, aliás, a ser Presidente Honorário e seu Sócio Benemérito do Retiro. Colabora, igualmente, ainda nesta época, em dois almanaques, nomeadamente no “Almanaque do Minho” (1893) e no “Almanaque de Braga” (1894), com ficções e textos de divulgação sobre V. N. de Famalicão, o mesmo acontecendo, no último caso, no citado jornal portuense, segundo demonstra a seguinte notícia: “Este importantíssimo diário portuense publicou no seu número de Domingo último gravuras desta formosa vila, acompanhas dum artigo descritivo do ilustrado publicista nosso conterrâneo, Exmo Sr. Sousa Fernandes.[1]” Publicou três livros: “Recordações de Viagem” (1883), “Telas de Viagem” (1890) e “Pequenos Estudos” (1891), sendo um dos primeiros a escrever, e a publicar, sobre o género, a literatura de viagens, em V. N. de Famalicão


[1] “O Janeiro”. In O Lutador. V. N. de Famalicão, Ano 2, n.º 69 (16 Abr. 1902), p. 2.



Como aconteceu um pouco por todo o País, a última década do século XIX foi marcada pela efervescência da propaganda republicana, o mesmo acontecendo entre nós. Na sequência do Ultimatum e da revolução republicana do Porto de 31 de Janeiro de 1891, o Partido Republicano Português vê aumentar a sua força, crescer o número de aderentes e multiplicam-se os órgãos de propaganda. Em V. N. de Famalicão, e através de Sousa Fernandes, publicou-se a revista literária “Nova Alvorada”, de propaganda carismaticamente republicana, sendo Fernandes seu director entre 1891 a 1895; e, por seu turno, neste mesmo último ano funda não só a Comissão Municipal do Partido Republicano, como igualmente o seu órgão, o jornal “O Porvir”, assim se candidatando às eleições municipais.
Destes tempos de propaganda temos, pelo menos, dois testemunhos; o de Manuel da Silva Mendes (1869-1938) e o de Nuno Castelo Branco (18641896). Nuno Castelo Branco, a 27 de Outubro de 1895 no jornal “O Leme”, numa crónica denominada “A Política do Concelho”, analisa os três partidos que então vão concorrer à autarquia famalicense: do Partido Regenerador, diz-nos que “as coisas não lhe estão na melhor ordem”, enquanto que relativamente ao Partido Progressista questiona: “Quem é o chefe? Onde está o chefe? Quem são os progressistas? Onde estão eles?” Quanto ao Partido Republicano, afirma que este é o que vai ganhando “sangue novo”, tratando “de se preparar para as eleições camarárias com toda a sua força.” E continua: “ Não sabemos se tem bons dados para o alcançamento da vitória”, existindo “grande receio por parte dos regeneradores, progressistas e mesmo católicos”.


Quem nos conta um pouco mais desta época republicana nascente em V. N. de Famalicão, e do papel de Sousa Fernandes, é Silva Mendes nas suas “Impressões de Macau”. Referindo-se a si mesmo como “republicaneiro”, informa-nos que dizia mal da odiosa monarquia e dos monárquicos no “Porvir” de Sousa Fernandes; e deste, diz-nos, a dada altura, que “vindo da Rua do Quitanda para Famalicão, donde era natural, com alguns fumos de rico, e muitos de liberal-republicano. No Rio tinha feito muitos discursos vermelhos, sabia de cor Danton e Robespierre e fundou na vila “O Porvir”, que era como quem dissesse a República à porta."
Esta fase de euforia republicana duraria até finais de 1897, altura em que Sousa Fernandes regressou ao Brasil. A partir daqui, com o fim da publicação do jornal “O Porvir” e as demissões verificadas na Comissão Municipal Republicana, alguns dos quais irão surgir mais tarde nas fileiras do Partido Progressista, os republicanos famalicenses passariam por uma crise identitária, só terminando com o regresso de Sousa Fernandes, com uma nova fase de propaganda, a saber: reorganizou uma nova Comissão Municipal em 1905, 1906 e 1908 e fez parte da Comissão Distrital Republicana de 1908 e 1910. Em 1906 faz Fernandes ressurgir “O Porvir” e neste mesmo ano, na Associação do Operariado Famalicense, mais propriamente no Teatro Progresso, realiza em 18 de Novembro a conferência “O Espírito da Associação na sua Evolução Histórica e Modo de Ser Actual” e o comício de Braga em 1908, uma nova etapa de propaganda republicana em Famalicão se concretiza, tendo sido o acontecimento mais marcante a inauguração em 14 Novembro de 1909 do Centro Republicano Dr. Bernardino Machado, com a presença do patrono, o qual proferiu a conferência “Têm Liberdade os Monárquicos em Portugal?”, numa homenagem, ao mesmo tempo, ao republicano Gonçalves Cerejeira.


 
Depois do 5 de Outubro, Sousa Fernandes será, sucessivamente, Administrador do Concelho e Presidente da Comissão Municipal Republicana da Câmara Municipal (recorde-se, não sem incidentes de percurso, como são os casos da Fonte Santa de Mouquim, a polémica à volta do regulamento da Guarda Nacional Republicana ou ainda a intenção de Fernandes de acabar com os Bombeiros e a sua respectiva associação, para dar voz a uns Sapadores de Bombeiros, polémica esta com a Comissão Municipal do Partido Republicano Evolucionista, entre outras), que tomou posse a 8 de Outubro de 1910, ficando marcado este último cargo, indiscutivelmente, pela sua intervenção na fundação da Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco. Foi deputado à Assembleia Constituinte (1911) e eleito Senador pelo Distrito de Braga. Desiludido com os sucessivos governos republicanos, considerava que só o Governo Provisório e o I Ministério de Afonso Costa tinham feito obra útil e republicana, afastando-se Fernandes da actividade política a seguir ao sidonismo, dedicando-se a causas cívicas e culturais. participando e discursando nas sessões cívicas e comemorativas de V. N. de Famalicão, no plano cívico, e segundo o “Estrela do Minho”, de 15 de Abril de 1928, numa espécie de In Memorian, sabemos que o edifício escolar da época “deve-lhe grande auxílio de alguns contos que lhe prestou, abrindo uma subscrição entre os seus amigos no Brasil.”
 
 

Paralelamente, será nomeado por Carlos Bacelar Director da Casa-Museu de Camilo em 1924, assim que a Comissão de Homenagem a Camilo, presidida então por José de Azevedo e Menezes, passaria a administração da respectiva Casa-Museu para o município famalicense. O “Estrela do Minho”, de 13 de Abril de 1924, noticia, assim, já na parte final da notícia, o referido acontecimento: “Está, portanto, entregue em boas mãos o Museu Camiliano de Seide. O sr. Sousa Fernandes é um culto e um alto espírito que muito honra Famalicão. Tem, por isso, toda a competência para aquele delicado cargo, além de ser também um fervoroso admirador da obra do grande torturado de S. Miguel de Seide.”
Em 1925, entrando já a República na sua fase de decadência, no jornal “O Minhoto”, órgão do Partido Republicano Radical da Comissão Municipal, em 5 de Outubro de 1925, considerava-se Fernandes “um soldado fiel e disciplinado do velho e benemérito Partido Republicano Português.” Homenageado em 1911 e em 1925 por um Grupo de Republicanos Famalicenses, a Câmara Municipal de V. N. de Famalicão homenageou-o em 1988.





terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Bernardino Machado: Obra Política III


Numa organização da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e em colaboração com o Museu Bernardino Machado, assim como com as Edições Húmus, a apresentação do III Tomo da Obra Política de Bernardino Machado tem já a sua data confirmada, respectivamente, para o próximo dia 8 de Março de 2013 às 21h30 no Museu Bernardino Machado. O Período que abrange o presente volume (1910-1914) corresponde a três fases muito distintas no percurso politico de Bernardino Machado: a) a sua acção ministerial no Governo Provisório e participação nas Constituintes; b) da sua malograda candidatura a Presidente da Republica até ao fim da sua actividade, como senador, da Republica (em meados de 1912);  e c) a sua estadia oficial no Brasil, como ministro de Portugal, de meados de 1912, até ao seu regresso a Portugal, no início de 1914. O 1º destes períodos é de grande euforia: é o da realização do programa do Governo Provisório, no qual se empenha, entusiasticamente, convicto de que as medidas implantadas não só correspondem às promessas do P.R.P. na Oposição como se identificam com a opinião pública e as aspirações populares; o 2º período, é o da sua deliberada marginalização politica pelo “bloco” do Poder (maioritário no Senado e na Câmara dos Deputados) que procuram “linchá-lo” e desacreditá-lo, moralmente, enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros (através do “caso” Batalha Reis) mas também minimizar a sua acção no tempo da propaganda republicana (como fez Camacho); o 3º período, é o da sua estadia oficial no Brasil, cujo regresso a Portugal – já com o Partido Democrático, com a maioria absoluta na Câmara dos Deputados (desde Novembro) e a maioria absoluta nos municípios – acabará por se traduzir numa vitória triunfal sobre os seus inimigos, ao ser convidado, por Manuel de Arriaga, para formar Governo. A introdução, assim como as notas deste volume, do Professor Norberto Cunha, coordenador científico do Museu Bernardino Machado e das Obras de Bernardino Machado, encontra-se assim estabelecida:

 
1.          Imperativo e razões de união do Partido Republicano

2.          As ideias religiosas de Bernardino Machado

3.          Defesa do Governo Provisório e porquê

4.          O lugar da “metáfora” no discurso politico de Bernardino

5.          A ideia de revolução e a revolução de 5 de Outubro

6.          Nação, pátria e PRP: uma e a mesma coisa

7.          O “5 de Outubro” foi, acima de tudo, um movimento da “alma nacional” (e, subsidiariamente, um acto pontual)

8.          Contra os conspiradores

9.          9. O anticlericalismo: justificação e limites.

10.      A emancipação religiosa, politica e económica como regeneração e redenção da “alma nacional”.

11.      A mulher

12.      A estadia de Bernardino no Brasil:

12.1.                     A emigração portuguesa no Brasil e para o Brasil

12.2.                     As relações luso-brasileiras

13.       Em defesa da descentralização