terça-feira, 10 de julho de 2012

cruz malpique na imprensa famalicense


Para o Prof. Paulo Ferreira da Cunha


- Chávenas de café quase amargo. Pedantismo, inteligência que congemina, não que realiza. Os que chegam e os que passam. Monarquias-Repúblicas. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 336 (28 Ago. 1966), pp. 1-2.
- Chávenas de café quase amargo. Diário. Créus e incréus. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 337 (4 Set. 1966), p. 3.
- Chávenas de café quase amargo. Correspondência de Flaubert. Homem universal. Ponto de confluência. No signo da frustração. Companhia solitária e solidão acompanhada. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 338 (11 Set. 1966), pp. 1-2.
- Chávenas de café quase amargo. Homens e bichos. Compensação. Pensar, sentir, agir. O homem do balandrau. No signo do querer. Pensar profundo. O fontanário e a disciplina. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 339 (18 Set. 1966), pp. 1, 3.
- Chávenas de café quase amargo. Fecha os olhos e verás. Diz-me o que fazes... Pensamentos euclidianos e pensamentos sinuosos. Erudição e cultura. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 341 (2 Out. 1966), pp. 1-2.
- Chávenas de café quase amargo. Amigos e inimigos. Génio e laboratório. Nulidades insupríveis. Perfeição. Rugas na memória. O anão sobre os ombros do gigante. Chicaneiros e sofistas. Mulheres de letras. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 342 (9 Out. 1966), p. 5.
- Chávenas de café quase amargo. O viático da boa leitura. Natura e cultura. Cultura e civilização. Animal e homem. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 344 (23 Out. 1966), p. 3.
- Chávenas de café quase amargo. Civilização descontínua? Que o discordar seja um caminho para progredir. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 346 (6 Nov. 1966), p. 2.
- Chávenas de café quase amargo. Tratar a Deus por Tu. Nobreza. Perucas a mais e cabeça a menos. Entre oficiais do mesmo ofício. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 351 (11 Dez. 1966), p. 3.
- Chávenas de café quase amargo. A Princesa Ratazzi. Mortos vivos e vivos mortos. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 353 (25 Dez. 1966), p. 2.
- Chávenas de café quase amargo. Mais devagar. Jovens e velhos. Não forcemos o amadurecimento. Crisóstomo das arábias. Poeta na vida, maneira de o ser nos versos. Conversa narcotizante. Confissões integrais? Estrela da Manhã. Ano 7, nº 355 (8 Jan. 1967), p. 3.
- Chávenas de café quase amargo. Zoocentrismo. «Verdades» e verdade. «Cherchez l`argent”. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 356 (15 Jan. 1967), pp. 1-2.
- Chávenas de café quase amargo. Génio e talento. Língua e oração. Duas equações. Biblioteca e seus leitores. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 357 (22 Jan. 1967), p. 2.
- Chávenas de café quase amargo. No signo da imprimissão. Além do português básico. Santidade. Escritor livre. Batalha do pão, batalha da alma. Prémios literários. Vocação. Escrever e dizer. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 359 (5 Fev. 1967), pp. 1, 5.
- Chávenas de café quase amargo. A cabra que era corpo. Em louvor da palavra. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 360 (12 Fev. 1967), p. 4.
- Chávenas de café quase amargo. A máquina e o homem. Da esperança à realidade. Arte e liberdade. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 361 (19 Fev. 1967), p. 2.
- Chávenas de café quase amargo. Inteligência e não. No signo das verdades. No mundo dos escritores. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 362 (26 Fev. 1967), p. 2.
- Chávenas de café quase amargo. E a todos o vento levou... Da vida e da morte. Temperamento e personalidade. A prova do pudim. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 363 (5 Mar. 1967), p. 2.
- Chávenas de café quase amargo. Castração pelo medo. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 364 (12 Mar. 1967), pp. 1, 5.
- Chávenas de café quase amargo. No signo do artifício. No signo da metafísica. Nós e a circunstância. Luz e sombra no homem. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 365 (19 Mar. 1967), pp. 1, 4.
- Chávenas de café quase amargo. Não consintas. Política do pão e política do pau. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 367 (2 Abr. 1967), pp. 1, 5.
- Chávenas de café quase amargo. Carácter. Estrela da Manhã. Ano 8, nº 369 (16 Abr. 1967, p. 5.
- Chávenas de café quase amargo. Príncipes sem vintém e milhões sem princesia nenhuma. Elogio do pêlo de arame. Mandar e obedecer. Quem souber, levante o dedo. Estrela da Manhã. Ano 8, nº 371 (29 Abr. 1967), p. 5.
- Chávenas de café quase amargo. Macrohistória e microhistória. Estrela da Manhã. Ano 8, nº 375 (28 Maio 1967), p. 2.
- Chávenas de café quase amargo. O colarinho engomado de Chopin. Chopin tuberculoso. Sonhos na gaveta e sonhos na vida. Estrela da Manhã. Ano 8, nº 384 (30 Jul. 1967), p. 2.
- Chávenas de café quase amargo. Disparidades e coincidências. Por que choras se... O homem perante a adversidade. Magistério-ouriço. «Dout-facias». A realeza ou é demófila ou tem seus dias contados. Estrela da Manhã. Ano 8, nº 390 (10 Set. 1967), p. 5.
- Chávenas de café quase amargo. Inteligência e obra de arte. Livros e seus autores. Erudição de ficheiro. Primado da consciência. Estrela da Manhã. Ano 8, nº 400 18 Nov. 1967), p. 2.
- Chávenas de café quase amargo. Crítica em Portugal. Estrela da Manhã. Ano 9, nº 471 (5 Abr. 1969), p. 1.
- Chávenas de café quase amargo. Essência e existência. Actividade lúdica. Governar. Alexandre Dumas e... doutras. Estrela da Manhã. Ano 10, nº 472 (12 Abr. 1969), pp. 1-2.
- Chávenas de café quase amargo. A revolução impossível. Interesses da comunidade, eis o grande paradigma. No signo do orgulho. Disciplina escolar. Maiorias e minorias. Verdade e mentira. Romantismo e naturalismo. Paisagem. Ideal. Estrela da Manhã. Ano 10, nº 473 (19 Abr. 1969), pp. 1-2.
- Chávenas de café quase amargo. «Un soufle, m`agite, rien ne m`ébranie». O sermão das lágrimas. Poeta na clave do soluço. Teologia e lágrimas. Estrela da Manhã. Ano 10, nº 474 (26 Abr. 1969), p. 2.
- Chávenas de café quase amargo. Ódio dos medíocres. Perguntas inocentes. Diálogo do mercado. De escalha-pessegueiro. Mal vai aos professores. Estrela da Manhã. Ano 10, nº 475 (3 Maio 1969), pp. 1, 3.
- Chávenas de café quase amargo. A boa memória. Aprender. Sivis pacem. A receita da ignorância. A suavidade dos fortes e a arrogância dos fracos. Dúvida. Recordar. Piloto e remador. Estrela da Manhã. Ano 10, nº 476 (10 Maio 1969), p. 3.
- Chávenas de café quase amargo. A superstição da letra e da forma. Osmose entre o corpo e o espírito. Literatura e vida, vida e literatura. Onde está a beleza: dentro ou fora de nós? Imaginação e experiência. Estrela da Manhã. Ano 10, nº 478 (24 Maio 1969), p. 2.
- Chávenas de café quase amargo. No signo de Pascal e de Descartes. Sabemos o que é o belo, mas se nos perguntam... . O homem no rio das gerações. Se alguém... . Estrela da Manhã. Ano 10, nº 480 (7 Jun. 1969), p. 2.
- Chávenas de café quase amargo. A farda faz o ministro. Arte e moral. A verdade e só a verdade. Hipertrofia do eu. Estrela da Manhã. Ano 10, nº 481 (14 Jun. 1969), p. 5.
- Chávenas de café quase amargo. Ideias e e ideais. Verdades científicas e outras verdades. Experiência livresca e experiência vital. Língua sujeita a plebiscito permanente. Liberdade. No signo da uniformidade. A arte não é cópia. O prelúdio da obra. Hipótese e experiência. Estrela da Manhã. Ano 10, nº 485 (12 Ju. 1969), p. 3.
- Chávenas de café quase amargo. Fatalidade da crítica subjectiva. Fundo e forma da poesia. Estrela da Manhã. Ano 10, nº 486 (19 Jul. 1969), p. 2.
- Chávenas de café quase amargo. Função do historiador. De «humanus» a «humanior». Contra a aritmética das negativas. Testamento quase incrível. Estrela da Manhã. Ano 10, nº 491 (23 Ago. 1969), p. 6.
- Chávenas de café quase amargo. Violência é uma coisa, energia é outra. Simples troca de letras. O moleiro cabeçudo – honra lhe seja! Estrela da Manhã. Ano 10, nº 492 (30 Ago. 1969), p. 5.
- Chávenas de café quase amargo. Trabalho, trabalho. O Sr. «Farinha»... . Livra! Filosofia. Importa ver o passado de lá para cá. Estrela da Manhã. Ano 10, nº 494 (13 Set. 1969), pp. 1, 5.
- Chávenas de café quase amargo. Ne varietur. Os grandes poetas. Muita parra e pouca uva. Estrela da Manhã. Ano 10, nº 501 (1 Nov. 1969), p. 2.
- Chávenas de café quase amargo. Civilização. Docendo, discendo, é de temer o homem de um só livro. Napoleão, força da natureza. O vívio do trabalho. Vida é filosofia, filosofia e vida. Certo estilo. Certo emigrante. Estrela da Manhã. Ano 10, nº 504 (22 Nov. 1969), pp. 2, 5.
- Chávenas de café quase amargo. Certos críticos, certos escritores. No signo dos bugalhos. Viver por viver. Todos para mim, eu para ninguém. Estrela da Manhã. Ano 10: 506 (6 Dez. 1969) 3.
- Chávenas de café quase amargo. Os Josués da gramática. «Il faut o ser être soi». História patrioteira. O dinheiro e o diabo. Estrela da Manhã. Ano 10, nº 513 (31 Jan. 1970), p. 2.
- Chávenas de café quase amargo. Elogio da nitidez. Magistério. Autores e leitores. Ensinar e des-ensinar. Magistério ruidoso. Na hora da largada. No signo das grandes velocidades. Não fazemos duas vezes a mesma viagem. Estrela da Manhã. Ano 10, nº 515 (14 Fev. 1970), pp. 1, 5.
- Chávenas de café quase amargo. Os portugueses precisam de viajar. Cicerones bem informados. Estrela da Manhã. Ano 10, nº 520 (21 Mar. 1970), p. 3.
- Chávenas de café quase amargo. Pedestrianismo. Estrela da Manhã. Ano 10, nº 521 (28 Mar. 1970), p. 5.
- Chávenas de café quase amargo. História e vida. Aventura e rotina. Literatice e literatolice. Leitura de ontem e de hoje. Estrela da Manhã. Ano 11, nº 556 (28 Nov. 1970), pp. 2, 7.
- Chávenas de café quase amargo. Língua sempre em devir. Estrela da Manhã. Ano 11, nº 599 (19 Dez. 1970), pp. 1, 5.
- Filosofia de rato na biblioteca. Estrela da Manhã. Ano 6, nº 314 (27 Mar. 1966), pp. 1-2.
- Filosofia de rato na biblioteca. Estrela da Manhã. Ano 6, nº 315 (3 Abr. 1966), pp. 1-2.
- Filosofia de rato de biblioteca. Estrela da Manhã. Ano 6, nº 316 (10 Abr. 1966), pp. 1, 5.
- Filosofia de rato da biblioteca. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 317 (17 Abr. 1966), pp. 1, 3.
- Filosofia de rato da biblioteca. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 318 (24 Abr. 1966), pp. 1-2.
- Filosofia de rato da biblioteca. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 319 (1 Maio 1966), pp. 1-2.
- Filosofia de rato da biblioteca. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 321 (15 Maio 1966), p. 3.
- Filosofia de rato da biblioteca. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 325 (12 Jun. 1966), p. 3.
- Filosofia de rato da biblioteca. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 327 (26 Jun. 1966), pp. 1, 4.
- Filosofia de rato da biblioteca. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 328 (3 Jul. 1966), p. 2.
- Filosofia de rato da biblioteca. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 330 (11 Jul. 1966), pp. 1, 3.
- Filosofia de rato da biblioteca. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 332 (31 Jul. 1966), p. 3.
- Filosofia de rato da biblioteca. Estrela da Manhã. Ano 7, nº 333 (7 Ago. 1966), pp. 1, 3.
- Júlio Brandão: o poeta e o contista. Estrela da Manhã. Ano 10, nº 489 (9 Ago. 1969), pp. 1-2.
- A obra literária de José Trêpa, em redor do aforismo “A arte é, não serve”, de Casais Monteiro. Estrela da Manhã. Ano 12, nº 605 (6 Nov. 1971), pp. 1-2.
- A obra literária de José Trêpa: veia satírica. Estrela da Manhã. Ano 12, nº 610 (11 Dez. 1971), pp. 1, 3.
- A obra literária de José Trêpa: o seu ex-líbris. Estrela da Manhã. Ano 12, nº 613 (31 Dez. 1971), pp. 1, 3.
- Memórias de um homem sem memória. Jornal de Famalicão, Ano 25, nº 1354 (8 Mar. 1975), pp. 1, 4.
- Memórias de um homem sem memória. Jornal de Famalicão, Ano 25, nº 1355 (15 Mar. 1975), pp. 1, 5.
- Memórias de um homem sem memória. Jornal de Famalicão, Ano 26, nº 1357 (29 Mar. 1976), p. 3.
- Memórias de um homem sem memória. Jornal de Famalicão, Ano 26, nº 1358 (5 Abr, 1975), p. 3.
- Memórias de um homem sem memória. Jornal de Famalicão, Ano 26, nº 1359 (12 Abr. 1975), p. 3.
- Memórias de um homem sem memória. Jornal de Famalicão, Ano 26, nº 1361 (26 Abr. 1975), p. 6.
- Memórias de um homem sem memória. Jornal de Famalicão, Ano 26, nº 1363 (10 Maio 1975), p. 3.

o prof. fernando catroga no museu bernardino machado


O próximo convidado do Museu Bernardino Machado para o V Ciclo de Conferências dedicado à temática “A Maçonaria em Portugal” é o professor Fernando Catroga com a intervenção “Os Fundamentos Filosóficos do Maçonismo Moderno”, no próximo dia 13 de Julho, pelas 21h30, com a entrada livre.
Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (Instituto de História e Teoria das Ideias), o Prof. Fernando Catroga para além das suas funções universitárias, acções científicas e actividade docente, tem realizado centenas de conferências em Portugal, Espanha, França, ex-URSS, Alemanha, Brasil, E. U. A e Bélgica. Com áreas de interesses que vai desde a História Cultural, passando pela História da Cultura em Portugal (Séculos XIX-XX), História da Cultura Europeia, História das Ideias Políticas, Teorias da Nação e do nacionalismo, Teorias da História ou pela Historiografia, tem colaboração dispersa em algumas revistas, nomeadamente “Revista de História das Ideias”, em algumas obras colectivas, caso da “História de Portugal”, dirigida por José Mattoso, com os textos “As Maçonarias Liberais e a Política”, “Romantismo, Literatura e História”, “Nacionalistas e Iberistas”, “Os Caminhos Polémicos da geração Nova”, “Morte Romântica e Religiosidade Cívica” e “Cientismo Político e Anticlericalismo”. Tem obras publicadas como “A Formação do Movimento Republicano: 1870-1883” (1982), “A Militância Laica e a Descristianização da Morte em Portugal: 1865-1911” (1988), “O Republicanismo em Portugal: da formação ao 5 de Outubro de 1910” (1991, 2000)”, “O Céu da memória: cemitério romântico e culto cívico dos mortos” (1999), “Antero de Quental: história, socialismo e política” (2001), “Memória, História e Historiografia” (2001), “Caminhos do Fim da História” (2003), “Entre Deuses e Césares: secularização, laicidade e religião civil” (2006) e, mais recentemente, “Ensaio Republicano” (2001).
Recorde-se que o Prof. Fernando Catroga já esteve presente no Museu Bernardino Machado no IV Ciclo de Conferências, cuja temática era “As Mulheres e a I República” (2011), com a conferência inaugural “As Mulheres e a República”. As conferências deste V Ciclo são acreditadas pelo Conselho Científico da Formação Contínua de Professores, para os professores da disciplina de História, Filosofia e Sociologia. Aos presentes será entregue um certificado.

sábado, 7 de julho de 2012

bernardino machado e "o primeiro de janeiro"

para o dr. manuel sá marques, a minha prenda de aniversário, com um grande abraço saudoso e de fraterna amizade





A 23 de Abril de 1925, o jornal portuense "O Primeiro de Janeiro" noticia nos seguintes termos a colaboração de Bernardino Machado nas suas páginas nos seguintes termos: "Começa hoje a hinrar nas colunas de «O Primeiro de Janeiro» com a sua colaboração, que esperamos seja tão assídua como é brilhante, o nosso respeitável amigo e eminente estadista sr. Doutor Bernardino Machado. / Inteligência vivíssima, servida por fulgurantes talentos e pela mais sólida e vasta ilustração; alma sensível a todos os entusiasmos honestos, vibrante de mocidade, de bondade, de cordealidade; homem de letras, homem de Estado, possuindo a mais brilhante folha de serviços à República, à Pátria, à Humanidade; cidadão, chefe de família de raras virtudes que o tornam em verdadeiro modelar, o sr. Doutor Bernardino Machado ocupa um lugar primacial na vida portuguesa e é sempre lido e ouvido com a mais justa, respeitosa e comovida estima. / «O Primeiro de Janeiro» saúda o eminente estadista e venerando republicano e rejubila pela honra de o ter no número dos seus colaboradores." Para além de Bernardino Machado, vários famalicenses colaboraram no jornal portuense, nomeadamente o seu velho amigo Júlio Brandão, poeta e publicista, o qual manteve no mesmo jornal uma colaboração de mais vinte anos. A carta de Bernardino Machado (do espólio Museu Bernardino Machado, de Vila Nova de Famalicão), de Paredes de Coura, evidencia essa mesma colaboração, como igualmente será através de Júlio Brandão que Aquilino Ribeiro irá colaborar no mesmo jornal portuense. Bernardino Machado escreveu os seguintes artigos: "O Inquilinato: casas económicas" (23 Abr. 1925); "As Revoltas e as Facções" (entre 26 de Maio a 17 de Junho de 1925), "Militarismo" (13 Set. 1925) e, sem título, mas que o chamamos assim "A Polémica ou Política?" (3 Ago. 1926), evidenciando a pragmaticidade e a coerência de um dos republicanos portugueses mais influentes.


mistificações à volta da maçonaria e a I república


O Prof. António Ventura e o Prof. Norberto Cunha


O Prof. António Ventura
A propósito do Centenário da República e da sua implantação em Portugal e do tema que relaciona a Maçonaria e a I República, o Professor António Ventura iniciou a sua conferência, subordinada à Maçonaria na I República e no Estado Novo, criticando a publicação de algumas obras relacionadas com o tema, na medida em que algumas são especulativas, outras fantásticas e raras abordam a mesma relação.
Tomando como princípio comum que uma coisa são as instituições, outra coisa são as pessoas, a Maçonaria, em si, antes da República, não teve nada a ver com o 31 de Janeiro: aliás, a Maçonaria foi alheia ao movimento, caso da Maçonaria portuense e do próprio Grande Oriente Lusitano Unido, que o condenou, na medida em que a Maçonaria não combate as instituições. É o que Bernardino Machado, quando toma posse do cargo de Grão-Mestre, ainda longe o ideário republicano, defende no discurso da tomada de posse. Com as suas cisões próprias, até à Revolução do 5 de Outubro, o Prof. António Ventura evidenciou que não há um texto da maçonaria a apelar à revolução! O que existe é que há maçons na revolução republicana, isto é que é diferente! Mesmo no I Governo Provisório, poucos são os maçons que estão no Governo, como é o caso de Bernardino Machado, Afonso Costa e de António José de Almeida. O que o prof. António Ventura defende é que não há maçons com responsabilidades, o que existe são maçons, e muitos, que são iniciados, reincidentes ou alguns irradiados. É o caso da Comissão de Resistência, que tinha o mero papel de ouvir as lojas e de apoiar os maçons perseguidos. Por seu turno, a Maçonaria já teve um papel decisivo da missão da França em Inglaterra (1908). Desta forma, e em larga medida, a República é o triunfo da Maçonaria, até porque o triunfo da Revolução vai ser não só o triunfo da própria Maçonaria, como o desenvolvimento da mesma em Portugal. Os maçons vão ocupar cargos importantes, funda-se novas lojas e triângulos um pouco por todo o País, surgindo algo novo:  o aparecimento público da Maçonaria.
Com mais uma cisão da Maçonaria em 1914, estando em causa a problemática “ou uma federação de lojas ou de ritos”, surgindo então o Grémio Luso-Escocês, Sebastião de Magalhães Lima vai ter um papel preponderante para a união da instituição. E se no 28 de Maio não há propriamente uma condenação há Maçonaria, o que só acontecerá em 1935, nesta fase importante será também o papel de Oliveira Camões, o qual defende que não é propriamente em regimes de liberdade que os maçons fazem falta, mas sim em regimes ditatoriais. Para o Prof. António Ventura, a Maçonaria não está habituada à clandestinidade. E mesmo perante o 28 de Maio, o Grande Oriente Lusitano Unido não o condena. Se temos antigos maçons com a  ditadura e o Estado Novo, maçons no Tarrafal, existe igualmente figuras de destaque no Estado Novo que nunca esquecerão o seu passado de maçons.


Uma vez mais, o Prof. António Ventura

UM aspecto do auditório no Museu Bernardino Machado

sexta-feira, 6 de julho de 2012

histórias de pindela, famalicão



À ESQUINA DO CAETANO[1]

O Condeixa, apesar deste tempo invernoso, veio até à minha esquina no desejo de esclarecer a confusão do novo simpático vizinho da «Esquina do Mesquita».
Em boa hora o Ego Sum abriu a sua caixa de recordações, para nos falar dos homens do passado, naquele poder descritivo e elegante com que o sabe fazer. Servido por uma memória pouco vulgar, poderia, do outro lado da rua, notar as deficiências deste, quando o nevoeiro do tempo já passado nos não deixe ver tão claramente como desejávamos.
 – Lembro-me bem do barbeiro Braga, diz-me o Condeixa.
Olha, na Rua de Santo António, haviam nesse tempo, e todas do mesmo lado, quatro barbearias: a do Braga, a do Machado, do Toca e a do Barãozinho. O Ego Sum já disse onde se situavam as do Braga e do machado, mas eu digo-te onde ficavam as outras: a do Barãozinho onde está hoje mais ou menos o café garantia e a do Toca, na casa que foi do Seara Toucinheiro, em frente do prédio da família Costa Júnior e que, nesse tempo, era pertença do Nunes Barateiro.
Ficava, como te disse, quase no fundo da rua, ou pelo menos, mais próxima da Praça da Mota, que das nossas esquinas
O Braga foi o barbeiro de todos aqueles Homens que ele aponta, mas quando morreu, parte dos seus fregueses foram para o Toca e, entre outros, o Visconde de Pindela.
Em determinados dias ia ao Solar daquele fidalgo e quantas vi o cocheiro da Casa de Pindela, com a sua libré verde, à porta da barbearia, dar ordens ao mestre João e levá-lo naquela charrett tão pequena, como o pequeno garrano que a puxava!...
Duma vez, passou-se um facto que bem define a forma de ser daquele barbeiro, que no Inverno se cobria até aos pés, com um varino negro.
Lembras-te do mordomo de Pindela? O Mota, um homem alto, forte, de grandes suíças brancas, bem tratadas, impecavelmente asseado, muito cortês…
Sempre que o Toca ia a Pindela, era sempre com ele que primeiramente se avistava e era sempre ele, que findo o serviço, dava ao mestre João, um copo e um cá te espero.
Um dia, depois do seu trabalho concluído, o Visconde de Pindela, disse-lhe como sempre:
 – Agora. Sr. João, vá almoçar.
O nosso João, acompanhado pelo Mota, encaminhou-se para uma das dependências do Solar, onde já lá estava o costumado cá te espero e o respectivo copo que começou a saborear.
Mas, contra o costume, o Visconde passa e vê que o almoço do João, se resume áquilo…
 – Então o sr. João não almoça? – pergunta o Visconde.
E ante a atrapalhação do Mota que ia começar as suas primeiras desculpas, o nosso João responde-lhe:
 – Hoje, não me apetece, Sr. Visconde, muito obrigado a Vossa Excelência.
O mordomo de Pindela nunca esqueceu a lição. Na verdade, o João Toca, era um homem que encobria, sobre aquele ar simples e humilde, sentimentos de dignidade pouco vulgares…
Afinal, continua o Condeixa, quis desfazer uma confusão e pus-me para aqui a palrar… Desculpem-me…
E lá se foi sob a chuva impiedosa que cai e tudo alaga…
















[1] Nihill – “À Esquina do Caetano”. In Estrela da Manhã. V. N. de Famalicão, Ano 2, n.º 105 (8 Abr. 1962), pp. 1-2.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

histórias de rorigo, calendário, famalicão



À ESQUINA DO MESQUITA[1]
Do outro lado desta esquina, Nihil fez desfilar perante nós a figura simpática do «Toca», com o seu violão, o seu varino, a sua filosofia e a sua honestidade.
Que bem que me lembro dele e que bem que Nihil o pintou!
Mas há uma passagem que me faz um pouco de confusão. É quando nos diz – que tinha a sua barbearia ao fundo da Rua de Santo António e afirma que era barbeiro dos nobres…
É que se a memória me não atraiçoa, quem tinha a barbearia quase ao fundo da Rua de Santo António, por baixo da casa onde primeiro morou o chauffeur Carvalho e fazia a barba ao barão de Joane, ao Cristina de Cabeçudos, ao Dr. Moreira Pinto, ao Meneses do Vinhal e ao Visconde de Pindela era o Braguinha, que era também o barbeiro do professor e solicitador António Dias Costa, do João Constantino e do Correia Júnior.
Não se recordam do António Braga?
Era pai daquele rapaz muito pálido que em Quarta-Feira de trevas, silencioso e grave, cadenciados os passos e metido na sua opa roxa, percorria as ruas da vila agitando a pesada matraca que enchia a moçaria de medo e de respeito!
E passada a Quarta-Feira de Trevas, lá o víamos outra vez na Quinta-Feira de Endoenças!
Mas não o confundamos com o filho do machado barbeiro que, meia dúzia de metros abaixo, tinha o seu estabelecimento no rés-do-chão do prédio do solicitador Lino Guimarães e que veio a suceder, no uso das matracas, ao filho do Braga, de cuja alcunha, um pouco esquisita, todos se recordarão certamente…
Olhar vítreo, andar de sonâmbulo, só a sua figura infundia medo quando ao entardecer fazia matraquear aquele instrumento pesado – uma tábua com grossas argolas de ferro! – chamando as almas aos Templos para ali viverem a tragédia do Gólgota!
Pelo menos  quem fazia a barba ao barão de Joane e se deslocava a Rorigo três vezes por semana era o Braguinha, pois algumas vezes lhe fomos abrir o portão e o guardamos, criançola de oito anos, das sanhas do Dragão e do Belagre, dois corpulentos cães S. Bernardo – que o terceiro, o Sultão, era já velhinho e inofensivo… que no pomar-jardim guardavam o velho solar e o grande aviário bem povoado das mais exóticas espécies!
Aqueles dois enormes cães nunca gostaram do Braga nem do Cristino que sempre que tocavam à campainha aguardavam a escolta do Jerónimo, da Josefa, ou da Balbina.
Eram para mim dois lindos… cavalos de estimação, tantas vezes os montei sob a vigilância paternal do Barão de Joane, que ria perdidamente!
E tinham também simpatia pela Teresa tola que sempre que tinha fone subia a Rorigo e ali conservava semanas a fio para depois desertar e só voltar a aparecer quando as roupas estavam reduzidas a tiras e a fome e apertava de novo!
Por isso lhe chamavam a Teresa do Barão!
Cuidava dos cavalos, auxiliando o Sr. João, seu velho e bonacheirão tratador e cocheiro; cuidava no quinteiro dos perus, dos patos, dos galináceos de todas as espécies, e de entre estes, imponentes faisões, galinhas da Índia e pavões, e falava com todos os bichos que a conheciam à distância e fazia tudo quanto queria do Dragão e do Belagre!
Lembro-me que quando o «Sultão» morreu – o Sultão era um enorme alão, todo branco – o Sr. Barão recolheu-se e não saiu ao jardim durante uns dias…
O Barão de Joane, quando Provedor do nosso Hospital, que visitava todos os dias, mas sempre a horas diferentes, sofreu grandes desgostos!
Bondoso em extremo, afligia-se quando a falta de camas e de meios não permitia o internamento de um doente, pois naquele tempo o Hospital era como uma ante-câmara da morte, para onde só iam moribundos!...
E dizia-se: «está muito malzinho… até já foi para o Hospital»…
E ele queria que fosse uma casa de cura e, portanto, de vivos!
Com os preparativos para a República, o barão de Joane preocupava-se com o «mano» – nunca o ouvi referir-se de outro modo ao Dr. Bernardino Luís Machado Guimarães! – e dizia para a Balbina e para a sua afilhada Josefa: «Não sei em que aventuras se anda a meter o «mano»…
Finamente educado, esperto e diplomata, António Machado Guimarães convivia afabilissimamente com regeneradores, progressistas e franquistas, sem que nenhum dos respectivos influentes lograsse atraí-lo para a sua órbita!
Nem eles, os políticos da terra, nem o Professor da Universidade seu «mano», por quem tinha, de resto, a mais profunda admiração!
Mas esta alusão ao Barão de Joane sugere-me a invocação da insinuante e veneranda figura do «mano», que ficará para a próxima semana.


a seu tempo se falará destas crónicas, de josé casimiro da silva,  o qual, com a "esquina do mesquita" e a "esquina do caetano", descreveu, através dos seus alter-egos condeixa e lourenço e dos pseudónimos nihill e ego sum, uma memória e mentalidade social e cultural de vila nova de famalicão dos tempos da I república.
 







[1] Ego Sum – “À Esquina do Mesquita”. In Estrela da Manhã. V. N. de Famalicão, Ano 2, n.º 104 (1 Abr. 1962), pp. 1-2.


segunda-feira, 2 de julho de 2012

o estado novo e as mulheres










Encontra-se no Museu Bernardino Machado, de Vila Nova de Famalicão, a exposição intitulada “O Estado Novo e as Mulheres”, a qual estará patente ao público entre Julho até 4 de Setembro do corrente ano. Organizada pela Biblioteca Museu República e Resistência, da Câmara Municipal de Lisboa, com a coordenação de João Mário Mascarenhas e textos de Helena Neves, a exposição “O Estado Novo e as Mulheres” tem vinte e dois painéis com as seguintes temáticas: i) As Ditaduras Fascistas, ii) Os Ditadores, iii) Mobilização dos Ventres: política natalista e laboral, IV) O Antifeminismo, V) Organizações Femininas dos Regimes Ditatoriais, VI) A Lição de Salazar, VII) A Escola: «Oficina das Almas» femininas, VIII) A Elite Feminina, IX) OMEN: Obra das Mães para a Educação Nacional, X) OMEM: assistencialismo, XI) Mocidade Portuguesa Feminina: a formação, XII) Mocidade Portuguesa Feminina, XIII) MPF: Sentinelas da Alma de Portugal, XIV) MPF: religiosidade e nacionalismo, XV) MNF: Movimento Nacional Feminino, XVI) MPF: a imprensa, XVII) Culto ao Chefe e a Questão Colonial, XVIII) MNF: o serviço de embarque, XIX) MNF: o esvaziamento, XX) MNF: Madrinhas de Guerra e Natal do Soldado, XXI) OMEN: ruralidade como defesa da Nação, XXII) A Evolução do Regime e as Organizações de Mulheres. Pretendendo evidenciar, conforme a sinopse da organização, o género feminino como elemento essencial de veiculação e da mobilização política por parte do Estado Novo, retrata-se, à semelhança de outras ditaduras, a condição e o enquadramento social e cultural da mulher, a exposição “O Estado Novo e as Mulheres”, agora patente no Museu Bernardino Machado, tem entrada livre.