sábado, 7 de julho de 2012

bernardino machado e "o primeiro de janeiro"

para o dr. manuel sá marques, a minha prenda de aniversário, com um grande abraço saudoso e de fraterna amizade





A 23 de Abril de 1925, o jornal portuense "O Primeiro de Janeiro" noticia nos seguintes termos a colaboração de Bernardino Machado nas suas páginas nos seguintes termos: "Começa hoje a hinrar nas colunas de «O Primeiro de Janeiro» com a sua colaboração, que esperamos seja tão assídua como é brilhante, o nosso respeitável amigo e eminente estadista sr. Doutor Bernardino Machado. / Inteligência vivíssima, servida por fulgurantes talentos e pela mais sólida e vasta ilustração; alma sensível a todos os entusiasmos honestos, vibrante de mocidade, de bondade, de cordealidade; homem de letras, homem de Estado, possuindo a mais brilhante folha de serviços à República, à Pátria, à Humanidade; cidadão, chefe de família de raras virtudes que o tornam em verdadeiro modelar, o sr. Doutor Bernardino Machado ocupa um lugar primacial na vida portuguesa e é sempre lido e ouvido com a mais justa, respeitosa e comovida estima. / «O Primeiro de Janeiro» saúda o eminente estadista e venerando republicano e rejubila pela honra de o ter no número dos seus colaboradores." Para além de Bernardino Machado, vários famalicenses colaboraram no jornal portuense, nomeadamente o seu velho amigo Júlio Brandão, poeta e publicista, o qual manteve no mesmo jornal uma colaboração de mais vinte anos. A carta de Bernardino Machado (do espólio Museu Bernardino Machado, de Vila Nova de Famalicão), de Paredes de Coura, evidencia essa mesma colaboração, como igualmente será através de Júlio Brandão que Aquilino Ribeiro irá colaborar no mesmo jornal portuense. Bernardino Machado escreveu os seguintes artigos: "O Inquilinato: casas económicas" (23 Abr. 1925); "As Revoltas e as Facções" (entre 26 de Maio a 17 de Junho de 1925), "Militarismo" (13 Set. 1925) e, sem título, mas que o chamamos assim "A Polémica ou Política?" (3 Ago. 1926), evidenciando a pragmaticidade e a coerência de um dos republicanos portugueses mais influentes.


mistificações à volta da maçonaria e a I república


O Prof. António Ventura e o Prof. Norberto Cunha


O Prof. António Ventura
A propósito do Centenário da República e da sua implantação em Portugal e do tema que relaciona a Maçonaria e a I República, o Professor António Ventura iniciou a sua conferência, subordinada à Maçonaria na I República e no Estado Novo, criticando a publicação de algumas obras relacionadas com o tema, na medida em que algumas são especulativas, outras fantásticas e raras abordam a mesma relação.
Tomando como princípio comum que uma coisa são as instituições, outra coisa são as pessoas, a Maçonaria, em si, antes da República, não teve nada a ver com o 31 de Janeiro: aliás, a Maçonaria foi alheia ao movimento, caso da Maçonaria portuense e do próprio Grande Oriente Lusitano Unido, que o condenou, na medida em que a Maçonaria não combate as instituições. É o que Bernardino Machado, quando toma posse do cargo de Grão-Mestre, ainda longe o ideário republicano, defende no discurso da tomada de posse. Com as suas cisões próprias, até à Revolução do 5 de Outubro, o Prof. António Ventura evidenciou que não há um texto da maçonaria a apelar à revolução! O que existe é que há maçons na revolução republicana, isto é que é diferente! Mesmo no I Governo Provisório, poucos são os maçons que estão no Governo, como é o caso de Bernardino Machado, Afonso Costa e de António José de Almeida. O que o prof. António Ventura defende é que não há maçons com responsabilidades, o que existe são maçons, e muitos, que são iniciados, reincidentes ou alguns irradiados. É o caso da Comissão de Resistência, que tinha o mero papel de ouvir as lojas e de apoiar os maçons perseguidos. Por seu turno, a Maçonaria já teve um papel decisivo da missão da França em Inglaterra (1908). Desta forma, e em larga medida, a República é o triunfo da Maçonaria, até porque o triunfo da Revolução vai ser não só o triunfo da própria Maçonaria, como o desenvolvimento da mesma em Portugal. Os maçons vão ocupar cargos importantes, funda-se novas lojas e triângulos um pouco por todo o País, surgindo algo novo:  o aparecimento público da Maçonaria.
Com mais uma cisão da Maçonaria em 1914, estando em causa a problemática “ou uma federação de lojas ou de ritos”, surgindo então o Grémio Luso-Escocês, Sebastião de Magalhães Lima vai ter um papel preponderante para a união da instituição. E se no 28 de Maio não há propriamente uma condenação há Maçonaria, o que só acontecerá em 1935, nesta fase importante será também o papel de Oliveira Camões, o qual defende que não é propriamente em regimes de liberdade que os maçons fazem falta, mas sim em regimes ditatoriais. Para o Prof. António Ventura, a Maçonaria não está habituada à clandestinidade. E mesmo perante o 28 de Maio, o Grande Oriente Lusitano Unido não o condena. Se temos antigos maçons com a  ditadura e o Estado Novo, maçons no Tarrafal, existe igualmente figuras de destaque no Estado Novo que nunca esquecerão o seu passado de maçons.


Uma vez mais, o Prof. António Ventura

UM aspecto do auditório no Museu Bernardino Machado

sexta-feira, 6 de julho de 2012

histórias de pindela, famalicão



À ESQUINA DO CAETANO[1]

O Condeixa, apesar deste tempo invernoso, veio até à minha esquina no desejo de esclarecer a confusão do novo simpático vizinho da «Esquina do Mesquita».
Em boa hora o Ego Sum abriu a sua caixa de recordações, para nos falar dos homens do passado, naquele poder descritivo e elegante com que o sabe fazer. Servido por uma memória pouco vulgar, poderia, do outro lado da rua, notar as deficiências deste, quando o nevoeiro do tempo já passado nos não deixe ver tão claramente como desejávamos.
 – Lembro-me bem do barbeiro Braga, diz-me o Condeixa.
Olha, na Rua de Santo António, haviam nesse tempo, e todas do mesmo lado, quatro barbearias: a do Braga, a do Machado, do Toca e a do Barãozinho. O Ego Sum já disse onde se situavam as do Braga e do machado, mas eu digo-te onde ficavam as outras: a do Barãozinho onde está hoje mais ou menos o café garantia e a do Toca, na casa que foi do Seara Toucinheiro, em frente do prédio da família Costa Júnior e que, nesse tempo, era pertença do Nunes Barateiro.
Ficava, como te disse, quase no fundo da rua, ou pelo menos, mais próxima da Praça da Mota, que das nossas esquinas
O Braga foi o barbeiro de todos aqueles Homens que ele aponta, mas quando morreu, parte dos seus fregueses foram para o Toca e, entre outros, o Visconde de Pindela.
Em determinados dias ia ao Solar daquele fidalgo e quantas vi o cocheiro da Casa de Pindela, com a sua libré verde, à porta da barbearia, dar ordens ao mestre João e levá-lo naquela charrett tão pequena, como o pequeno garrano que a puxava!...
Duma vez, passou-se um facto que bem define a forma de ser daquele barbeiro, que no Inverno se cobria até aos pés, com um varino negro.
Lembras-te do mordomo de Pindela? O Mota, um homem alto, forte, de grandes suíças brancas, bem tratadas, impecavelmente asseado, muito cortês…
Sempre que o Toca ia a Pindela, era sempre com ele que primeiramente se avistava e era sempre ele, que findo o serviço, dava ao mestre João, um copo e um cá te espero.
Um dia, depois do seu trabalho concluído, o Visconde de Pindela, disse-lhe como sempre:
 – Agora. Sr. João, vá almoçar.
O nosso João, acompanhado pelo Mota, encaminhou-se para uma das dependências do Solar, onde já lá estava o costumado cá te espero e o respectivo copo que começou a saborear.
Mas, contra o costume, o Visconde passa e vê que o almoço do João, se resume áquilo…
 – Então o sr. João não almoça? – pergunta o Visconde.
E ante a atrapalhação do Mota que ia começar as suas primeiras desculpas, o nosso João responde-lhe:
 – Hoje, não me apetece, Sr. Visconde, muito obrigado a Vossa Excelência.
O mordomo de Pindela nunca esqueceu a lição. Na verdade, o João Toca, era um homem que encobria, sobre aquele ar simples e humilde, sentimentos de dignidade pouco vulgares…
Afinal, continua o Condeixa, quis desfazer uma confusão e pus-me para aqui a palrar… Desculpem-me…
E lá se foi sob a chuva impiedosa que cai e tudo alaga…
















[1] Nihill – “À Esquina do Caetano”. In Estrela da Manhã. V. N. de Famalicão, Ano 2, n.º 105 (8 Abr. 1962), pp. 1-2.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

histórias de rorigo, calendário, famalicão



À ESQUINA DO MESQUITA[1]
Do outro lado desta esquina, Nihil fez desfilar perante nós a figura simpática do «Toca», com o seu violão, o seu varino, a sua filosofia e a sua honestidade.
Que bem que me lembro dele e que bem que Nihil o pintou!
Mas há uma passagem que me faz um pouco de confusão. É quando nos diz – que tinha a sua barbearia ao fundo da Rua de Santo António e afirma que era barbeiro dos nobres…
É que se a memória me não atraiçoa, quem tinha a barbearia quase ao fundo da Rua de Santo António, por baixo da casa onde primeiro morou o chauffeur Carvalho e fazia a barba ao barão de Joane, ao Cristina de Cabeçudos, ao Dr. Moreira Pinto, ao Meneses do Vinhal e ao Visconde de Pindela era o Braguinha, que era também o barbeiro do professor e solicitador António Dias Costa, do João Constantino e do Correia Júnior.
Não se recordam do António Braga?
Era pai daquele rapaz muito pálido que em Quarta-Feira de trevas, silencioso e grave, cadenciados os passos e metido na sua opa roxa, percorria as ruas da vila agitando a pesada matraca que enchia a moçaria de medo e de respeito!
E passada a Quarta-Feira de Trevas, lá o víamos outra vez na Quinta-Feira de Endoenças!
Mas não o confundamos com o filho do machado barbeiro que, meia dúzia de metros abaixo, tinha o seu estabelecimento no rés-do-chão do prédio do solicitador Lino Guimarães e que veio a suceder, no uso das matracas, ao filho do Braga, de cuja alcunha, um pouco esquisita, todos se recordarão certamente…
Olhar vítreo, andar de sonâmbulo, só a sua figura infundia medo quando ao entardecer fazia matraquear aquele instrumento pesado – uma tábua com grossas argolas de ferro! – chamando as almas aos Templos para ali viverem a tragédia do Gólgota!
Pelo menos  quem fazia a barba ao barão de Joane e se deslocava a Rorigo três vezes por semana era o Braguinha, pois algumas vezes lhe fomos abrir o portão e o guardamos, criançola de oito anos, das sanhas do Dragão e do Belagre, dois corpulentos cães S. Bernardo – que o terceiro, o Sultão, era já velhinho e inofensivo… que no pomar-jardim guardavam o velho solar e o grande aviário bem povoado das mais exóticas espécies!
Aqueles dois enormes cães nunca gostaram do Braga nem do Cristino que sempre que tocavam à campainha aguardavam a escolta do Jerónimo, da Josefa, ou da Balbina.
Eram para mim dois lindos… cavalos de estimação, tantas vezes os montei sob a vigilância paternal do Barão de Joane, que ria perdidamente!
E tinham também simpatia pela Teresa tola que sempre que tinha fone subia a Rorigo e ali conservava semanas a fio para depois desertar e só voltar a aparecer quando as roupas estavam reduzidas a tiras e a fome e apertava de novo!
Por isso lhe chamavam a Teresa do Barão!
Cuidava dos cavalos, auxiliando o Sr. João, seu velho e bonacheirão tratador e cocheiro; cuidava no quinteiro dos perus, dos patos, dos galináceos de todas as espécies, e de entre estes, imponentes faisões, galinhas da Índia e pavões, e falava com todos os bichos que a conheciam à distância e fazia tudo quanto queria do Dragão e do Belagre!
Lembro-me que quando o «Sultão» morreu – o Sultão era um enorme alão, todo branco – o Sr. Barão recolheu-se e não saiu ao jardim durante uns dias…
O Barão de Joane, quando Provedor do nosso Hospital, que visitava todos os dias, mas sempre a horas diferentes, sofreu grandes desgostos!
Bondoso em extremo, afligia-se quando a falta de camas e de meios não permitia o internamento de um doente, pois naquele tempo o Hospital era como uma ante-câmara da morte, para onde só iam moribundos!...
E dizia-se: «está muito malzinho… até já foi para o Hospital»…
E ele queria que fosse uma casa de cura e, portanto, de vivos!
Com os preparativos para a República, o barão de Joane preocupava-se com o «mano» – nunca o ouvi referir-se de outro modo ao Dr. Bernardino Luís Machado Guimarães! – e dizia para a Balbina e para a sua afilhada Josefa: «Não sei em que aventuras se anda a meter o «mano»…
Finamente educado, esperto e diplomata, António Machado Guimarães convivia afabilissimamente com regeneradores, progressistas e franquistas, sem que nenhum dos respectivos influentes lograsse atraí-lo para a sua órbita!
Nem eles, os políticos da terra, nem o Professor da Universidade seu «mano», por quem tinha, de resto, a mais profunda admiração!
Mas esta alusão ao Barão de Joane sugere-me a invocação da insinuante e veneranda figura do «mano», que ficará para a próxima semana.


a seu tempo se falará destas crónicas, de josé casimiro da silva,  o qual, com a "esquina do mesquita" e a "esquina do caetano", descreveu, através dos seus alter-egos condeixa e lourenço e dos pseudónimos nihill e ego sum, uma memória e mentalidade social e cultural de vila nova de famalicão dos tempos da I república.
 







[1] Ego Sum – “À Esquina do Mesquita”. In Estrela da Manhã. V. N. de Famalicão, Ano 2, n.º 104 (1 Abr. 1962), pp. 1-2.


segunda-feira, 2 de julho de 2012

o estado novo e as mulheres










Encontra-se no Museu Bernardino Machado, de Vila Nova de Famalicão, a exposição intitulada “O Estado Novo e as Mulheres”, a qual estará patente ao público entre Julho até 4 de Setembro do corrente ano. Organizada pela Biblioteca Museu República e Resistência, da Câmara Municipal de Lisboa, com a coordenação de João Mário Mascarenhas e textos de Helena Neves, a exposição “O Estado Novo e as Mulheres” tem vinte e dois painéis com as seguintes temáticas: i) As Ditaduras Fascistas, ii) Os Ditadores, iii) Mobilização dos Ventres: política natalista e laboral, IV) O Antifeminismo, V) Organizações Femininas dos Regimes Ditatoriais, VI) A Lição de Salazar, VII) A Escola: «Oficina das Almas» femininas, VIII) A Elite Feminina, IX) OMEN: Obra das Mães para a Educação Nacional, X) OMEM: assistencialismo, XI) Mocidade Portuguesa Feminina: a formação, XII) Mocidade Portuguesa Feminina, XIII) MPF: Sentinelas da Alma de Portugal, XIV) MPF: religiosidade e nacionalismo, XV) MNF: Movimento Nacional Feminino, XVI) MPF: a imprensa, XVII) Culto ao Chefe e a Questão Colonial, XVIII) MNF: o serviço de embarque, XIX) MNF: o esvaziamento, XX) MNF: Madrinhas de Guerra e Natal do Soldado, XXI) OMEN: ruralidade como defesa da Nação, XXII) A Evolução do Regime e as Organizações de Mulheres. Pretendendo evidenciar, conforme a sinopse da organização, o género feminino como elemento essencial de veiculação e da mobilização política por parte do Estado Novo, retrata-se, à semelhança de outras ditaduras, a condição e o enquadramento social e cultural da mulher, a exposição “O Estado Novo e as Mulheres”, agora patente no Museu Bernardino Machado, tem entrada livre.





domingo, 27 de maio de 2012

maçonaria oitocentista em portugal



O convidado de mais uma conferência do Ciclo dedicado à Maçonaria, António Lopes, enalteceu a atitude cívica destes encontros, congratulando-se pela sua presença no Museu Bernardino Machado. Para António Lopes, não há perguntas muito difíceis para a Maçonaria, podendo haver uma ou outra. Pretendendo transmitir sobre “o que é isto, a Maçonaria”, inicia por clarificar o auditório que a Maçonaria é um grupo de pessoas, homens e mulheres, uma organização masculina e feminina, para se discutir e se falar de tudo. Tem como fim o combater preconceitos para sermos verdadeiramente livre-pensadores. A Maçonaria, que nasce no século XIX, é fruto de uma mudança política, cultural e social da Europa, sendo a causa e a consequência dessa mudança, indo buscar as lendas e os símbolos para os seus rituais à cultura. E se nasce em Inglaterra em 1717, na Maçonaria tudo se pode discutir, menos religião e política. Sempre que meteu a política e a religião, a Maçonaria sempre se deu mal.
António Lopes e Norberto Cunha
Com uma organização rudimentar na sua fase inicial em Portugal (conhecendo-se, apenas, duas lojas, A Casa Real dos Lusitanos e os Hereges Mercadores), as reuniões maçónicas iniciais realizavam-se em casas de particulares, o que tem uma consequência, o facto de serem itinerantes (constituindo, hoje, uma falha na documentação histórica); existia, igualmente, uma conflitualidade nas lojas maçónicas, sobre as questões de ordem ritual e, acima de tudo, a falta de uma estrutura central, apesar da existência de um Corpo Maçónico, que reunia a direcção das lojas então existentes em Portugal e as defendiam dos ataques por parte da Inquisição.Com a criação do Grande Oriente Lusitano (1802), no qual existia tanto o rito francês, como o inglês, existindo uma Maçonaria portuguesa até às invasões francesas e uma outra após as mesmas. Para além disto, na estruturação da Maçonaria no início do século XIX surge um conjunto de repressões perante a mesma instituição.
Não havendo documentos suficientes que comprovem a implicação da Maçonaria perante a Revolução Liberal de 1820, e nas relações do Sinédrio com a Maçonaria, surgindo, ao mesmo tempo, em Portugal a Carbonária, de tendências francesas, surgiram vários problemas de ordem social e cultural, e mesmo de mentalidade, perante a Constituição de 1822, nomeadamente a posição do Cardeal Patriarca de então, para o qual não se podia reconhecer a igualdade entre os homens, com o argumento de que se a mão tem cinco dedos todos eles diferentes, logo os homens não podem ser todos iguais. O que surgiu com a respectiva Constituição de 1822, foram algumas reacções, nomeadamente, por exemplo, a de Francisco Faria e Maia, para o qual os intelectuais aliaram-se da realidade, esquecendo a educação para o povo para a mudança da sociedade. Alias, para o Prof. António Lopes, Portugal andou sempre ao sabor dos ventos do liberalismo europeu, tendo sido um dos seus combatentes, de tal realidade, o P. José Agostinho de Macedo, surgindo com o miguelismo duas correntes: o liberalismo e o absolutismo.


António Lopes, num dos momentos da sua conferência
Do Brasil, após a vinda da corte, a Maçonaria adoptou o rito escocês, enquanto que da França e da Inglaterra surgiram novas ideias, vindo, particularmente de França, a Carbonária, conforme já se disse. Para o Prof. António Lopes, há várias carbonárias consoante as épocas. Em 1834 há um novo crescendo da Maçonaria, surgindo, ao mesmo tempo, cisões e divisões internas, devido, precisamente, às várias obediências então existentes, e mesmo perante o sistema político (existindo então as sociedades patrióticas, daqui nascendo os partidos políticos), que se começa a organizar em Portugal por meados do século XIX, com a Regeneração, estando em campo cabralistas e setembristas.
Uma das diferenças da Maçonaria da de hoje perante a emergente em meados do século XIX, está na força, na beleza e na sabedoria com aquilo que se discutia e se falava nas reuniões maçónicas. A Maçonaria, então, aproxima-se dos grémios e das associações culturais e cívicas de oitocentos, tendo como obrigação social ensinar a ler e a escrever. Será, essencialmente, a partir dos anos 70 que a Maçonaria se aproxima do movimento republicano, juntando então monárquicos e republicanos, ambos estando presentes nas respectivas associações e nos respectivos grémios. O que une, segundo António Lopes, esta geração é o altruísmo político em todos os quadrantes para o bem comum, estando em causa a participação cívica, ficando assim a pessoa mais completa.

Um aspecto do auditório

segunda-feira, 21 de maio de 2012

museus em mudança




Enquanto que no Dia Internacional dos Museus, o Museu Bernardino Machado recebeu, no dia 18 de Maio, à noite, a  actividade “Música no Museu”,  uma actividade da “Arte90” em colaboração com a Câmara Municipal de V. N. de Famalicão e o respectivo Museu, por seu turno, na “Noite dos Museus” (dia 19), para além da participação da ArtEduca (com os jovens músicos Rui Amorim, António Ferrão, Diogo Santos e Luís Azevedo), realizou-se a conferência “MUDEM-ME: Museus Desesperadamente em Mudança… Metodologias a explorar”, de Paula Menino Homem.
Pegando na temática do ano, “Museus Num Mundo em Mudança: Novos Desafios, Novas Inspirações”, Paula Menino Homem começou por explorar os vários agentes perante essa mesma mudança, focando inicialmente a diversidade de museus, as suas colecções e o pública que os visita, assim como os seus respectivos problemas. Questiona o factor público, isto é, que tipo de público se tenciona chamar aos museus, não esquecendo a democratização do acesso ao património. Desta forma, partindo do princípio de que há sempre qualquer coisa que chama atenção para as pessoas irem aos museus, a problemática do público é uma questão interessante, na medida em que é uma questão de território, os museus, na expressão de Paula Menino Homem, andam à “caça” do seu público-alvo. Uma outra questão a saber é se os museus são apelativos, colocando aqui a ênfase na família, isto é, até que ponto os pais colaboram com os filhos nas visitas aos museus. Um outro problema que os museus enfrentam diz respeito, na expressão da conferencista, dos “emplastros”, já que “para os meus são os investigadores”, estando aqui em causa o tipo de gestão documental que os museus têm mente. Outro género de problemas são os níveis de humidade, os factores poluentes, a iluminação das colecções, o ambiente interno, o qual tem de ser um ambiente ~equilibrado, e ter atenção ao público “atrevido”. Todas estas situações dizem respeito àquilo que os museólogos denominam de “gestão de risco”.
O problema principal que surge, então, perante essa gestão de risco, é saber como é que os museus vão mudar perante a diversificação de públicos e perante a falta de financiamento. O primeiro ponto que a conferencista salienta é conquistar territórios, sendo os espaços da cidade onde os museus se integram uma nova perspectiva de interactividade entre os museus e a comunidade na qual estão inseridos. É um problema tão simples e, ao mesmo tempo, complexo, até porque o trabalhar em rede e em conjunto é uma falsa questão. O de trabalhar em grupo de uma forma interdisciplinar. Para a conferencista Paula Menina Homem, a vontade de mudar é na inter-ajuda entre todos os diferentes museus, é o trabalhar em rede onde os museus estejam inseridos. O sentido de sobrevivência é os museus saírem à rua, realidade que já acontece. O esforço de uma união para uma interdisciplinariedade museológica é a proposta da conferencista para uma concretização dos museus no espaço citadino a que pertencem.