sexta-feira, 18 de maio de 2012

maçonaria portuguesa, século xix


A IV Conferência do Ciclo de Conferências “A Maçonaria em Portugal: do século XVIII ao século XXI”, organizado pelo Museu Bernardino Machado, tem, desta vez, como convidado o Mestre em História do Século XX António Lopes, com a tese subordinada ao tema “A Maçonaria em Portugal e os Açores 1792-1935”.
Director do Museu Maçónico Português entre 2003 a 2011 (tendo efectuado uma profunda intervenção em matéria de investigação, apresentação e conservação do seu espólio, assim como na imagem e na comunicação, tendo sido, aliás, o Museu reconhecido internacionalmente entre os seus congéneres a nível europeu. Merecendo, igualmente, da Câmara Municipal de Lisboa a distinção de ter sido considerado um equipamento de relevante interesse cultural e turístico para a cidade), António Lopes é Presidente da Associação Portuguesa de Arte Fotográfica e Director da revista “Grémio Lusitano”, desde 2008.
Co-autor do “Dicionário de História da I República e do Republicanismo”, numa edição da Assembleia da República e em vias de publicação, António Lopes já publicou “República e Republicanos em S. Miguel” (2011), “A Maçonaria Portuguesa e os Açores 1792-1935” (2008) e “Gomes Freire de Andrade – um retrato do homem e da sua época” (2003) e foi co-autor do livro “Amor da Pátria” (2010), livro que representa uma história da Maçonaria na ilha do Faial, e coordenador e autor da obra “A Maçonaria  a Implantação da I República” (2009), livro este editado pela Fundação Mário Soares e pelo Grémio Lusitano.
Para além de já ter participado em várias conferências e colóquios, cujas temáticas têm incidido particularmente sobre a I República, a Maçonaria e a Fotografia, António Lopes é Director da Escola de Fotografia da Associação Portuguesa de Arte Fotográfica, assim como coordenador e professor desde 1998.
Neste âmbito, e paralelamente à actividade de historiador, António Lopes é crítico de arte e de fotografia para a revista “Artes e Leilões”, jornal “Expresso” e a “Capital”, tendo igualmente vários artigos sobre a história da fotografia em Portugal em revistas, tais como, por exemplo, “Foto e Fotografia”. Realça-se nesta sua actividade o trabalho “Histórias de Cavalos de Ferro”, levantamento fotográfico e histórico do património ferroviário português desactivado, tendo sido considerado de “relevante interesse cultural” pelo então Ministério da Cultura, e cujo trabalho foi apoiado por diversas entidades, nomeadamente o Centro Português de Fotografia.
A conferência de António Lopes com o título “A Maçonaria no Século XIX, em Portugal”, tem início às 21h30 no Museu Bernardino Machado, de Vila Nova de Famalicão, no próximo dia 25 (Sexta-Feira)sendo a entrada gratuita e tendo os participantes o respectivo certificado de presença.
De relembrar que as conferências deste V Ciclo são acreditadas pelo Conselho Científico da Formação Contínua de Professores, nomeadamente para os professores de História, Filosofia e de Sociologia.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

v. n. de famalicão na "ilustração católica" (1914-1916)




Esta vila poética como todas as do norte, é uma das mais importantes. / É uma vila moderna em tudo e por tudo. / Ela tem como em todas as vilas, as suas feiras semanais e anuais, que são muito concorridas por feirantes de todo o país. / O seu comércio tem-se desenvolvido bastante, havendo nos arredores algumas fábricas de tecelagem, com grande número de empregados, assim como uma importanmteb fábrica de relógios. / Isto concorre muito para o de~senvolvimento daquela vila. / À distância de uma légua, pouco mais ou menos da vila, há uma estância balnear de águas sulfurosas, que são muito aconselhadas para as doenças da pele e bronquites. / O viajante que visita esta vila fica bem impressionado com seu aspecto ligeiro. / Famalicão tem ruas largas e desafogadas, praças espaçosas e os edifícios não têm aparência muito pesada. / Do Concelho têm saído grandes homens, que têm exercido lugares de destaque na sociedade. / Entre eles houve um que se distinguiu nas letras. / Foi o grande escritor Camilo Castelo Castelo Branco. Nasceu numa humilde aldeia vizinha e foi lá entre as árvores copadas do que lhe pertencia, que ele escreveu algumas das suas melhores obras e onde há poucos anos acabou para o mundo.




domingo, 13 de maio de 2012

platão e vieira da silva



"Pois o alvo do Amor não é de facto o Belo, como tu supões, Sócrates...»
Emtão qual é?
Gerar e criar no Belo!»

Diotima a Sócrates








quarta-feira, 9 de maio de 2012

portugal moribundo


Numa altura em que falta a Portugal não só uma consciencialização histórica, mas igualmente cultural (hoje, para espanto meu, numa visita que realizei no Museu Bernardino Machado a alunos de uma escola profissional, do curso de mecânica, e que possuíam o módulo de "Cidadania e Democracia", nenhum sabia quem era Aquilino Ribeiro!!!), o livro de Miguel Real, com três capítulos específicos, a saber, i) "O Espírito da Europa", ii) "O Fracasso Histórico de Portugal" e iii) "A Vocação Histórica de Portugal" é mais do que oportuno neste presente sem sentido. Tal significa que existe muito trabalho para fazer!!!


"... defendo um Portugal democrático tanto na política, como na cultura, como no pensamento, como na fé. O unanimismo [...] tem sido, ao longo da história, o argumento fundador de todas as inquisições, autoritarismos e ditaduras." (18)

"A ideia de vocação histórica concentra-nos na avaliação  e valorização dos nossos talentos, predisposições, competências, capacidades demonstradas para aproveitar as oportunidades e, ao mesmo tempo, enfrentar e superar as vicissitudes que se nos têm deparado na nossa caminhada histórica de vida em comum, autónoma, que poderemos olhar de forma decidida para os desafios do presente e dar-lhes uma resposta, tendo por referência aquilo que de melhor soubemos fazer no passado, em momentos tão ou mais difíceis do que os de agora. / Miguel Real, acredita e aposta firmemente na capacidade redentora e regeneradora da liberdade, uma liberdade que potencie as energias, os talentos, a vocação criadora dos portugueses para superarem com sucesso os tempos difíceis em que vivemos. Esta é a poderosa mensagem deste livro." (20-21)

José Eduardo Franco

terça-feira, 8 de maio de 2012

bernardino machado e o titanic


Entre 20 e 26 de Abril de 1912 o jornal "O Mundo" fazia reportagens sobre o desastre do transatlântico "Titanic"; mas já antes, Bernardino Machado, senador da República portuguesa, na sessão n.º 70, a 17 de Abril, propunha (talvez a única voz) "um voto de sentimento", pelo trágico acidente de 14, nos seguintes termos: "Aproveito o ensejo de estar com a palavra para propor á Câmara que seja aprovado um voto de sentimento pela catástrofe que acaba de dar-se e que comoveu o coração de todos os povos. / Refiro-me ao naufrágio do grande transatlântico Titanic."
 Coloco aqui algumas das fotografias que o jornal "O Mundo", então publicadas no "Excelsior", reproduzia, para memória histórica de acontecimento tão funesto. Mas da história tira-se sempre liçoes, e se do filme, ficção ou não, se retira, por um lado, a perspectiva do humano enquanto construtor de metáforas para sua glória, sendo esta metáfora, neste nosso caso, a da grandiosidade pela técnica, tal qual Wells na sua máquina do tempo, ou na do Dr. Moreau, pela criação do humano que se transforma em monstro, por outro lado, na ficção cinematográfico, depara-se, na tragédia, com aquilo que do pior o humano tem: a indiferença por aquilo que é verdadeiramente humano, qualificando-se esta mesma indiferença não só no "ser", mas no ter. Eis o problema de todos os tempos, assim colocado na sua simplificação. Para o dr. Manuel Sá Marques, tendo sido o seu avô Bernardino Machado que edificou a tragédia na glorificação ontológica no Senado português, e uma das únicas vozes, nas suas simples palavras que se transcreveu, com o meu abraço de amizade fraterna