segunda-feira, 7 de maio de 2012

"o mundo" e o falecimento de manuel laranjeira


 O Mundo (24 Fev. 1912)


O Mundo (25 Fev. 1912)

manuel da silva mendes e bernardino machado

"Uma Aproximação aos Autores Famalicenses: catálogo da exposição", V. N. de Famalicão, 1998

Esta carta de Manuel da Silva Mendes a Bernardino Machado, de 10 de Novembro de 1910, mais de um mês após a implantação da República em Portugal, e que se encontra publicada no referido catálogo (e pertencente ao espólio do Museu Bernardino Machado) para além de tecer considerações profissionais, Silva Mendes informa Bernardino Machado que este é a pessoa do Governo Provisório da República em Portugal mais falada no Extremo-Oriente. Por outro lado, tece considerações políticas sobre a China, dizendo que «a Revolução que se realizou em Portugal foi comentada com imenso interesse em toda a China." E continua dizendo que "excitou muito os ânimos dos chineses principalmente os dos revolucionários, que os há em grande número - os reformistas." Contudo, hoje, no jornal "O Mundo", a consultá-lo para o III Tomo da Obra Política de Bernardino Machado, e a confirmar o material já obtido, apareceu-me este texto, que aqui reproduzo, assim intitulado "Enfim! A República Chinesa É um Facto", publicado no jornal republicano em 9 de Fevereiro de 1912. Dedico ao Dr. Manuel Sá Marques, com o meu abraço fraterno de amizade saudoso, e à Sr.ª  Anjos Mendes, o primeiro neto de Bernardino Machado, e a segunda, bisneta de Manuel da Silva Mendes.


domingo, 6 de maio de 2012

joão barrento


A entrega do Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho 2011 (atribuído pela Câmara Municipal de V. N. de Famalicão) que se realizou na Sexta-Feira na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, apenas veio comprovar a originalidade de um dos ensaístas portugueses da actualidade, e que se chama João Barrento. Se a minha primeira leitura se radicalizou no livro "O Espinho de Sócrates" sob a tutela de Nietzsche para pensar a literatura e a cultura, no seu relacionamento com a filosofia, a segunda leitura foram os dois volumes "Literatura Alemã" e de seguida "A Palavra Transversal", permanecendo a ideia da literatura das ideias e aquilo que ela ainda nos pode oferecer nestes tempos conturbados, a descoberta da nossa ontologização no mundo. Hoje comprei "O Mundo Está Cheio de Deuses: crise e crítica do contemporâneo", precisamente o livro que ganhou o Prémio já citado, livro que nos fala do papel do intelectual na sociedade da hoje, do papel da cultura e da arte, do papel da literatura e do quanto todas estas actividades ainda podem trazer uma luz de esperança, sendo esta luz de esperança, nas palavras de Searle, o «background» do humano que pode transportar outro mundo. Tal como João Barrento nos fala no final da sua introdução, "falo da alma múltipla do mundo, inimiga de todas as totalizações e reduções, e que não adormece nem tem fim. Falo da visão nova de Tales, ao se aperceber de que o mundo não é coisa inerte, mas pulsa ao ritmo irregular e vivo do que nele acontece." Resta apenas agradecer a João Barrento pelas leituras sempre proveitosas para que o humano se transporte noutro mundo que não neste, o mundo aquele em que ainda se acredita na justiça e na fraternidade, na amizade e no amor, numa sociedade justa, e noutras coisas que tais. Concerteza que voltaremos a João Barrento e a "O Mundo Está Cheio de Deuses", que somos nós mesmos, o humano, nos trabalhos e nos dias.

sábado, 5 de maio de 2012

da república

Eis um livro que se lê como um romance e que nos transporta vivamente para a I República entre 1910 a 1917. Neste livro, Pulido Valente analisa a República e o País, a ascensão e queda dos radicais, isto é, os republicanos históricos, caso de Afonso Costa, Bernardino Machado e Pimenta de Castro (radical, só Castro), o regime e a guerra, o «povo republicano», o fenómeno Fátima e a contra-revolução sidonista, com o seu governo presidencialista. Começa assim: "Pouco depois do «5 de Outubro», António José de Almeida perguntou, melodramaticamente, se 300 000 republicanos chegavam para manter em respeito 5 milhões de portugueses. A pergunta era boa. Sobretudo, porque, na melhor das hipóteses, os republicanos não passavam de 100 000." A mudança social e mental, o grande projecto dos republicanos, digo, das instituições, não poderia triunfar.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

o outro lado da nação

"Este livro explora a história do uso da força por parte do Estado nos conflitos colectivos portugueses, desdee a vitória liberal de 1834 até á consolidação da democracia, em finais do século XX. E fá-lo tendo em conta duas dimensões...: primeiro, a capacidade de o Estado se afirmar no território e construir uma ordem pública, uma administração respeitada que conhece a população e o território, que cobra impostos e que assegura a vigilância da lei e o respeito pelas sentenças judiciais; segundo, os dilemas políticos implícitos no uso da força por parte do Estado e na sua justificação por parte dos governantes, sobretudo quando a coerção se abate sobre pessoas mobilizadas que pretendem defender os seus direitos, situação em que a violência do Governo é atacada ao nível da opinião pública enquanto ilegítima." (14-15)

Diego Palacios Cerezales

quarta-feira, 2 de maio de 2012

do pessimismo que o não é





"... a solução, estando nós já na Europa, não pode agora senão estar em nós..."

Miguel Real







A edição, por si só, do texto de Manuel Laranjeira "Pessimismo Nacional", censurado no Estado Novo, é de ralçar não só pelo contexto nacional, europeu e mesmo internacional em que se vive, como igualmente, por outro lado, pela significação que em si comporta perante a época em que foi publicado, nomeadamente no jornal "O Norte", entre 24 de Dezembro de 1907 e 14 de Janeiro de 1908, e a época em que actualmente vivemos, num contexto de desorientação social, cívica, económica e politicamente. E, neste sentido, a análise contextual e épocal entre os princípios do século XX e o princípio do século XXI que Miguel Real realiza, apesar de ser perigoso uma tal análise relacional, é notável, aconselhando a leitura não só do texto de Laranjeira, como o prefácio de Miguel Real, denominado "A Actualidade de Manuel Laranjeira". Paralelamente, a republicação do texto de Miguel de Unamuno "Portugal Povo de Suicidas", retoma não só o projecto inicial do próprio autor, que pretendia escrever um livro único sobre Portugal, amigo de Laranjeira e este o seu máximo correspondente sobre a realidade mental e social portuguesa de então, revela o estado social e perigoso da sociedade portuguesa (aliás, às vezes, quando leio os textos de Bernardino Machado, tiro a conclusão prática de que Portugal, em termos mentais e educacionais, assim como políticos, falando igualmente do mesmo período histórico dos textos dee Laranjeira, e até à Implantação da República, parece não ter evoluído muito!) Quando somos governados por, realçando a expressão de Miguel Real, «jovens turcos», os quais substituiram os pais fundadores da democracia portuguesa, com políticas economicamente erradas para a sociedade portuguesa, os quais em vez de realçarem a esperança, encontram-se num estado volúvel e de sem sentido em termos governativos; em vez de exercerem uma justiça de equidade fiscal, proclamam hipocritamente que todos os portugueses, salvo seja, têm de pagar o que lhes é devido, criando assim uma sociedade pública e privada; quando os «jovens turcos» se tornam Pilatos, como tem sido o caso das pontes do Carnaval ou da Páscoa, reina simplesmente o estado amoral; quando os desempregados já passam a fasquia dos 15%, os nossos governantes, em vez de criarem politicas alternativas, avisam com ar de satisfação, que o país vai ter níveis de desemprego que nunca viu e assim também não podemos esperar nada de um estado que em vez de incentivar o trabalho, para criar riqueza, promove a emigração. Aliás, conforme a metáfora da multiplicação dos pães, tal como ouvi ontem no programa da SIC contra-corrente, a divisão para a multiplicação, não parece ser uma ideia a partilhar, na medida em que como pode haver multiplicação sem divisão (e fala-se, claro está, uma vez mais, na problemática da equidade fiscal)? E o fenómeno Pingo-Doce revela o estado social português: falta de civismo, de respeito e de educação de uns pelos outros, e, por ter sido a primeira vez que uma tal promoção aconteceu em Portugal, revelou-se a anarquia social entre o cidadão consumidor que a sociedade civilizacional promoveu e o cidadão que pretende envolver-se na cidadania, assim como as dificuldades económicas em que se vive, até porque uma promoção do género não é de perder, acaba por ser um fenómeno natural, assim se criando deuses sem o serem: pois, como dizia um cidadão, no telejornal de hoje, os políticos é que estão de olhos fechados, e o dono do Pingo-Doce é que é amigo dos pobres! Aos poucos, para pecado nosso, a teocracia, já em desenvolvimento, suplanta uma democracia que está a perder a sua consciência histórica e cívica, conforme a ditam os «jovens turcos», que, em alguns passos, estão a seguir a esquerda que governou antes deles. Na expressão de Laranjeira, tudo isto não passa por ser senão uma "ficção política". Em suma, se os dois textos, o de Miguel de Unamuno e o de Manuel Laranjeira surgem num contexto social e político avassalador, o que temos de ler em ambos esses textos é uma mensagem de esperança, ler nas entrelinhas e saber interpretá-los para que a sociedade portuguesa encontre um novo caminho. Termino com Laranjeira: "Há aí incalculáveis energias armazenadas; há aí muita vida, muita saúde, à espera de aplicação útil. Aproveitem-se, canalizem-se. Há ainda alma para refazer todo um Portugal novo." E se a solução está em nós, devemos estar com os olhos postos na Europa e no Mundo.

terça-feira, 1 de maio de 2012

1.º de maio


e num dia assim, ainda ficamos mais descontentes e o que vale é logo, vai ser mais quentinho e amoroso.