quinta-feira, 22 de março de 2012

bernardino machado, apóstolo da democracia


DO REGICÍDIO À IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA

“A revolução redentora há-de estalar subitaneamente um dia, mas há-de ser preparada perseverantemente, laboriosamente, todos os dias, a cada minuto. O poder não evoluciona liberalmente para a república, não contemos com isso! Mas evolucionemos nós sem tréguas para ela pelo incessante exercício e progressivo desenvolvimento das nossas virtudes cívicas.”

Bernardino Machado, Eleições Locais, 1908

No próximo dia 21 de Abril, pelas 16h00, no Museu Bernadino Machado, em Vila Nova de Famalicão, vai ser apresentado o III volume-II Tomo das Obras de Bernardino Machado. A Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, o Museu Bernardino Machado e as Edições Húmus continuam, assim, com a publicação das Obras de Bernardino Machado, cujo II Tomo compreende os anos de 1908 a 1910, fase histórica que compreende o Regicídio até à Implantação da República em Portugal, no dia 5 de Outubro de 1910, na intensidade da ditadura franquista. Com a coordenação científica do Professor Norberto Ferreira da Cunha (coordenador científico do Museu Bernardino Machado), o II Tomo das Obras de Bernardino Machado, que corresponde à sua produção textual política, alia-se a uma intensa actividade de propaganda republicana por parte de Bernardino Machado, cognominando-o a imprensa como sendo o “apóstolo da democracia e grande educador”.
O II Tomo da obra política de Bernardino Machado contém, desta forma, textos como “A Concentração Monárquica” (1908), “Eleições Locais” (1908), “Orientação e Táctica Republicana” (1909), “A Lógica dos Acontecimentos” (1910), “A Monarquia e a Tutela Estrangeira” (1910) e “Pela República: 1908-1909 – II” (1910), volumes já completamente esgotados no plano editorial, sendo agora republicados. Paralelamente, o II Tomo vai ter, igualmente, textos e entrevistas de Bernardino Machado publicados apenas uma única vez na imprensa (nacional e estrangeira), caso de jornais como “A Beira”, “O Imparcial”, “Diário de Notícias”, “O Mundo”, “Vanguarda”, “República”, “O Norte”, “Voz Pública”, “A Luta”, “O Primeiro de Janeiro” e de “O Século”; por seu turno, dos jornais internacionais temos textos, principalmente entrevistas, publicados em “Le Matin” (França), “Diário Português” (Rio de Janeiro) ou no “Haroldo de Madrid” e no jornal “Huelva” (Espanha).
Para além desta característica deste II Tomo, os textos que o compõem reflectem a sua actividade no campo da propaganda eleitoral pelo ideal republicano (acreditando Bernardino Machado que a revolução deveria ser mais um acto político do que um acto militar), discursando um pouco por todo o País, de norte a sul, seja nas eleições municipais ou nas eleições para o Parlamento, muitas vezes em centros republicanos já existentes e em outros que inaugura. Vejamos este último caso: Grupo Republicano França Borges, Grupo Democrático A Juventude Republicana, Centro Republicano João Chagas, Centro Escolar Republicano A Luta, Centro Republicano de Abranches, Centro Republicano Dr. Machado (Porto, V. N. de Famalicão), Centro Republicano do Lavradio, Centro Republicano Basílio Teles, Grupo da Mocidade Democrática Guerra Junqueiro, Centro Republicano Guilherme Braga, Centro Republicano de Pontevel e Centro Democrático de Montemor-o-Novo. Do primeiro caso, temos, por exemplo, a actividade discursiva de Bernardino Machado no Grémio Republicano Federal, na Comissão Municipal Republicana, Centro Republicano Latino Coelho, Escola 31 de Janeiro, Concentração Musical 24 de Agosto, Centro Republicano António José de Almeida, Centro Republicano das Mercês, Voz do Operário, Centro Republicano de S. Carlos, Associação dos Caixeiros de Lisboa, Centro Republicano Afonso Costa, Centro Republicano João Chagas, Centro Republicano Botto Machado, Centro Republicano Tomás Cabreira, Centro Republicano Alexandre Braga e em tantos tantos outros. Muitas vezes, em plena campanha eleitoral, discursa três vezes no mesmo dia em locais diferentes!
 O II Tomo, para além da introdução do Professor Norberto Ferreira da Cunha, terá também, do mesmo, notas-de-rodapé explicativas relativamente aos acontecimentos históricos. A apresentação do II Tomo contará com a presença do Vereador da Cultura e Vice-Presidente da Câmara Municipal de V. N. de Famalicão Paulo Cunha.

camilo, o barão de trovisqueira e a política




antes de mais nada, um apontamento, que clarifica o pseudónimo deste texto que hoje se republica, mateus. mais conhecido por rodrigo terroso, e de nome completo rodrigo júlio dos santos terroso (v. n. de famalicão, 14/12/1866-v. n. de famalicão, 19/05/1925), foi escrivão-notário e jornalista. usou vários pseudónimos, noemadamente samuel (tendo sido com este que escreveu as famosas memórias intituladas "figuras antigas: rua direita" e publicadas no jornal famalicense "estrela do minho"), daniel e rosundo (com este, escreveu novas memórias famalicenses). para além de ter sido o correspondente de famalicão em "o primeiro de janeiro", colaborou na "gazeta do minho" e foi o redactor do jornal "o minho", particularmente da 2.ª série. está na origem do jorna l"egualdade", o qual surgiu em 4 de feveriro de 1885, tendo sido neste mesmo que surgiu a primeira referência à república em v. n. de famalicão. após esta aventura política, será terroso um dos militantes mais fervorosos do partido progressista famalicense, sendo "o minho" uma espécie de órgão do mesmo partido. aliás, joaquim trovisqueira, filho do barão de trovisqueira, foi a seu lado proprietário do referido jornal, também nele colaborando. privou com camilo, tendo sido uma visita de seide. das relações de camilo com o barão de trovisqueira, tendo sido este padrinho de um dos filhos do habitante de seide, isso e outra história. fica aqui esta reprodução do texto de rodrigo terroso e das relações de camilo com a política.


domingo, 18 de março de 2012

camilo suicida

José Sarmento - "Camilo". In Estrela do Minho. V. N. de Famalicão, Ano 23, n.º 1174 (7 Abr. 1918), p. 2

sábado, 17 de março de 2012

zeferino bernardes pereira e uma casa com história



a casa que ardeu na madrugada de terça-feira (13 de março) em vila nova de famalicão, bem no centro nevrálgico da cidade, é uma casa com história - situada na esquina entre a avenida narciso ferreira e a rua adriano pinto basto, em frente à antiga bomba e restaurante iris. uma casa com história na medida em que era pertença de zeferino bernardes pereira (?-1929), vereador da comissão administrativa da câmara municipal famalicense até 1913 e o 1.º presidente eleito na república em 1914 nas eleições municipais. diga-se, antes de mais nada, que estamos perante um dos republicanos famalicenses históricos, tendo sido um dos homenageados em 2011 pela câmara famalicense, no âmbito do centenário da implantação da república em famalicão. desta forma, zeferino bernardes pereira, proprietário e natural da régua, que ficou ligado a famalicão pelo casamento que realizou com uma das descendentes dos donos e dos fundadores do hotel carolina, que então ficava na actual praça d. maria ii, de nome ernestina varela dos santos, aparece, pela primeira vez, na comissão republicana municipal em 1906 como substituto, aparecendo logo em 1908 já como candidato efectivo. em 1910, surge na comissão administrativa republicana que tomou posse em 8 de outubro de 1910 em vila nova de famalicão, tendo sido eleito presidente da câmara em 1914, sendo a lista concorrente a do partido republicano evolucionista, que o apelidavam de mestre zéfrino. em 1912 é eleito membro efectivo de uma nova comissão municipal republicana (saída da reunião do hotel do carmo, a antiga casa de bernardino machado, herdada do seu irmão, o 2.º barão de joane, o homem forte do partido progressista local), assim como em 1916. a propósito da inscrição de nomes republicanos na toponímia famalicense, já josé casimiro da silva, no jornal "estrela da manhã", anuncia a proposta da inscrição do nome de zeferino bernardes pereira se inscrever na toponímia famalicense. a propósito da imagem de zefereino bernardes pereira na comunidade famalicense, casimiro da silva diz-nos dele que foi "sempre uma pessoa circunspecta e reservada, pelo menos pela sua gravidade ou austeridade que haveria de determinar o teor da vida económica na administração municipal". no seguimento do elogio público a zeferino, continua casimiro da silva que "era, enfim, um Homem de que o momento político necessitava", e "de tal modo defendia os dinheiros do povo que alguns dos seus pares passaram a considerá-lo um «unhas-de-fome»", ficando com a alcunha de «Conta-Achas». assim se vai escrevendo a história.


sexta-feira, 16 de março de 2012

a organização da maçonaria






O Museu Bernardino Machado, de Vila Nova de Famalicão, convidou para a segunda conferência do V Ciclo de Conferências “A Maçonaria em Portugal: do século XVIII ao século XXI” o Professor João José Alves Dias, que virá falar sobre a “Organização e Funcionamento: ritos, símbolos e graus” na Maçonaria, no próximo dia 23 de Março do corrente ano, pelas 21h30.
Com a licenciatura em História pela Faculdade de Ciências e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (1982) e com o doutoramento em História: História Económica e Social – Séculos XV-XIX, o Prof. João Alves Dias pela mesma Faculdade, e da sua docência, é Presidente do Centro de Estudos Históricos da Universidade Nova de Lisboa, Membro da Associação Historians of Early Europe, da Associação de História medieval Portuguesa e é Sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa. Para além de ter participado com comunicações em conferências e seminários no estrangeiro e em Portugal sobre História, os estudos históricos do Prof. João Alves Dias inserem-se no âmbito da Paleografia, no Renascimento, na Bibliofilia, sobre a Imprensa, a Filatelia ou sobre as Chancelarias portuguesas e com uma vasta produção editorial destas respectivas temáticas históricas, publicou sobre a Maçonaria “Pombal na Tradição Maçónica Portuguesa” (1991), “A República e a Maçonaria: o recrutamento maçónico na eclosão da República Portuguesa” (1986), “A Maçonaria em Portugal de 1727 a 1892” (2002), “Para a História da Maçonaria no Porto em Finais do Século XIX” (2002), “Pombal e a Maçonaria” (1982), “Museu Maçónico Português: uma viagem ao visível do invisível” (1994), entre outros estudos maçónicos. Colaborou no “Dicionário de História de Lisboa” (1994), sob a direcção de Francisco Santano e Eduardo Sucesso e na “Encyclopédie de la Franco Maçonnerie” (2002), com a direcção de Eric Saumier sobre várias temáticas maçónicas.
As conferências do V Ciclo de 2012, com a entrada livre e gratuita e a entrega de certificado de presença, aguarda acreditação do Centro de Formação Científica, para os professores das disciplinas de História, Filosofia e de Sociologia.


 

"queres saber como... se faz a manteiga?"








José Augusto Vieira, no seu “Minho Pitoresco” (1886) considerava a Fábrica de Lacticínios, situada então na Freguesia de Formariz (Paredes de Coura) do Conselheiro Miguel Dantas como “um conceituadíssimo centro de actividade fabril”, representando “o ganha-pão de imensas famílias – e para bem avaliar de quão poderosamente contribui para o viver económico do concelho, basta que acrescente que recebem ali, todos os dias, 2.000 litros de leite, importando esta dose do precioso líquido em cerca de 2.000$000 rs. Mensais.” Bernardino Machado virá a herdar a Fábrica de Lacticínios do Conselheiro Miguel Dantas, situada ma margem esquerda do Rio Coura, a pouca distância do Palacete de Mantelães; e se hoje já nada existe do edifício da fábrica, sendo um complexo de habitação, a “Fábrica de Lacticínios” para além de ter promovido a economia doméstica, foi um foco de grande desenvolvimento económico da região. Neste contexto, e na passagem de mais um aniversário de Bernardino Machado, O Museu Bernardino Machado, de Vila Nova de Famalicão, no âmbito das suas actividades pedagógicas, vai organizar um atelier denominado “Queres saber como… se faz a manteiga?, no próximo dia 28 de Março, entre as 10h00 e as 13h00, com a colaboração do Gabinete de Arqueologia e com o apoio “Senras Dairy – Fabrico Artesanal de Queijo”, de Ribeirão.