quinta-feira, 1 de março de 2012

a república entre a política, a literatura e a cultura

"Este livro assinala o último encontro dos participantes no ciclo da Tertúlia LETRAS COM(N)VIDA de que assume o título: Do Ultimato à(s) República(s): Variações literárias e culturais. A coordenação do ciclo e da obra consagra uma parceria entre o CLEPUL e a Universidade Aberta amplamente anunciada e participada."

"... a Tertúlia LETRAS COM(N) VIDA foi conquistando companheiros de percurso, dezenas de instituições culturais, científicas e académicas, que vão assumindo a coordenação de ciclos temáticos como este. Corresponde a uma estratégia de política científica de abertura da investigação científica à comunidade, divulgando e debatendo a reflexão científica neles desenvolvida, convidando outros a fazê-lo e alargando o debate tanto quanto possível ao grande público. Mas corresponde também à paixão de conversar sobre temas transversais à cultura, porquanto é a vertente mais convivial, informal e flexível de um movimento de reavaliação e de revitalização da vida cultural e científica nacionais..."

Annabela Rita, Dionísio Vila Maior


  • Amadeu Carvalho Homem - "Linhas de Clivagem do Ultimato Inglês"
  • Alexina Vila-Maior - "História e o seu ensino nos liceus, desde 1868 aos primeiros anos da República"
  • Amadeu Prado de Lacerda - "António José de Almeida, o Médico Presidente ou o Tempo e o Modo"
  • Annabela Rita - "Retrato nacional da Monarquia à República"
  • António de Macedo - "Indícios de Sá-Carneiro: uma época entre o fogo e o ouro"
  • António Moniz - "A República Portuguesa: os sonhos e as lutas, as propostas e as desilusões"
  • Augusto Montinho Borges - "Médicos e a República: Os Médicos e suas ca(u)sas"
  • Carlos Leone - "A República: deslocação criativa em curso"
  • Dionísio Vila Maior - "Do Ultimato ao Ultimatum: a vitalidade nacional"
  • Ernesto Castro Leal - "Sampaio (Bruno) e a República do 31 de Janeiro de 1891"
  • Ernesto Rodrigues - "A literatura e o jornalismo na vitória da República"
  • Fernando Cristóvão - "Um poeta lírico, panfletário por uma República falhada [Gomes Leal]"
  • Glória Bastos, Ana Isabel Vasconcelos - "O teatro às portas da República: entre a continuidade e a renovação"
  • João Caetano - "O lugar da República, em Portugal, entre o séc. XIX e o séc. XXI"
  • João Maurício Barreiro Bráz - "1890-1910: a eficácia republicana e o Ultimatum - aparentes sucessos e fracassos"
  • Joaquim Miguel Patrício - "Portugal : entre a Europa e o Atlântico e num mundo global"
  • José Eduardo Franco - "Jesuítas no foco  da propaganda:  a solução republicana e a exorcização da decadência"
  • Luís Machado de Abreu - "O anticlericalismo de relance"
  • Maria de Jesus Reis Cabral - "O fim de António Patrício: O Revés da História no Tecido do Drama"
  • Maria Isabel Móran  Cabanas - "Projecções do Ultimato na Galiza: análise de textos e contextos"
  • Maria José Craveiro - "Para que servem os poetas em tempo de indigência" revolucionária? a perspectiva de Teixeira de Pascoaes"
  • Paulo Alexandre Loução - "Sampaio Bruno, a Ideia de República e o Novo Paradigma Científico Espiritual"
  • Rosa Maria Sequeira - "O Sentimento dum Ocidental a contracorrente da utopia cultural nas comemorações do Tricentenário da morte de Camões"
  • Rui Sousa - "Fialho de Almeida e o Portugal de entre 1890-1910:  enquadramentos de um olhar crítico contemporâneo"
  • Simion Doru Cristea - " O rei sou eu, viva a República!"
  • Teresa Nunes - "Do Ultimatum à República: tendências políticas e económicas dominantes entre 1890 a 1910"

temas de hoje, temas de sempre


A Associação Portuguesa de Ética e Filosofia Prática vai publicar e apresentar brevemente em Braga (uma série de apresentações se seguirão de norte a sul do país) o seu primeiro livro sob a coordenação de Eugénio de Oliveira (Presidente da Direcção Nacional da mesma associação), com o título "Temas de Hoje, Temas de Sempre". A obra reúne um conjunto de textos proferidos em comunicações, palestras e conferências, caso dos Filo-Cafés ou do I Congresso Nacional. Apresenta três capítulos, a saber: I - Educação, II - Ética, III - Filosofia Prática, abrangendo assuntos como, por exemplo, a eutanásia, a ética política, a ética animal, a sexualidade, a educação, filosofia para crianças, filosofia com humor ou consultodoria filosófica. Terá textos de José Rui Costa Pinto, Eugénio Oliveira, José Barrientos Rastrojo, Joana Sousa, Amadeu Gonçalves, Miguel Coimbra, Carlos Teixeira, Anselmo Freitas, entre outros.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

"quo vadis" (1912) no salão olímpia em 1914


inaugurado em 16 de novembro de 1913, o salão-teatro olímpia (para além do sucesso que o animatógrafo avenida teve com o filme "os miseráveis" em 1912), um novo equipamento cultural da repúiblica em famalicão de propriedade privada e, por ironia, de um monárquico, Álvaro Bezerra, logo no início de 1914, mais propriamente em 8 de janeiro, passa o filme "quo vadis" de enrico guazzoni, de 1912. mereceu uma página inteira, a qual reproduzo, no jornal famalicense "estrela do minho". contudo, o primeiro jornal a noticiar a vinda do filme "quo vadis" foi o "desafronta", precisamente em 1 de novembro de 1913 e nos seguintes termos: "o facto de saber-ser  que a empresa cinematográfica desta vila tenciona brevemente no seu sação, ao campo mouzinho, a assombrosa película o quo vadis, tão admirada em todo o mundo, volta a ser lido com interesse o romance de henryk sienkiewicz, tradução de eduardo noronha. que há questão de uma dúzia de anos causou também um sucesso extraordinário no nosso meio literário." termina a notícia esclarecendo o público que o aluguer da película custou então a quantia de 300 escudos.


a 3 de janeiro de 1914, o mesmo jornal, "desafronta" anuncia a "sensacional fita" e que tanta gente aí espera com ansiedade", já que, diz-se e comenta-se "ser a mais assombrosa película até hoje exibida em todo o mundo." mas quem procura os bilhetes para esta "fita sensação" (segundo o "estrela do minho" de 28 de dezembro de 1912)? segundo o "desafronta", "os bilhetes estão sendo procurados com verdadeiro interesse, por todas as pessoas ilustradas da terra". após a exibição do filme, este "despertou interesse entre as pessoas ilustradas" de vila nova., segundo a notícia de 10 de janeiro de 1914. por seu turno, o "estrela do minho", de 11 de janeiro, que noticia que foram passadas as três sessões em vez das quatro anunciadas, refere que "assistiu numerosa concorrência, principalmente à segunda, ficando o público muito bem impressionado pela opulência e por vezes deslumbrante efeito das cenas exibidas dos costumes da antiga roma dos césares, cuja história se faz reviver por momentos no quo vadis?" nada como dar uma espreitadela no sítio http://www.harpodeon.com/ fragmentos deste filme que assombrou famalicão em 1914.

a cruzada das mulheres portuguesas e o "estrela do minho"

Para o dr. Manuel Sá Marques, cujo texto que aqui se republica é, assim o julgo, de Manuel Pinto de Sousa, então proprietário, editor e director do jornal famalicense "Estrela do Minho", a propósito da Cruzada das Mulheres Portuguesas, contrariando assim a tese de alguns historiadores, para os quais a imprensa da província estava longe do que se passava a nível nacional.


Elzira Dantas Machado

"A partir de 1916, a mobilização feminina passou pela Cruzada das Mulheres Portuguesas..., tendo Ana de Castro Osório e Elzira Dantas Machado como dirigentes comuns. Fundada em Março, no mês da declaração de guerra da Alemanha a Portugal, era presidida pela esposa do Presidente da República; teve implantação nacional; reuniu mulheres de ministros e ex-ministros; dispòs, entre 1916 e 1918, de dezenas de subcomissões locais, desde Águeda a Vila Viçosa; e organizou-se em oito Comissões Centrais - Administrativa, Propaganda e Organização de Trabalho, Assistência às mulheres e mães dos mobilizados, Hospitalar, Enfermagem e criação dos cursos de enfermeiras laicas e profissionais, Assistência aos militares mobilizados, Assistência infantil, Angariadora de donativos - , cada uma com a sua presidente e vida autónoma na propaganda e no trabalho. Em pouco tempo, implementou o Instituto de Reeducação dos Mutilados de Guerra (Arroios); criou duas creches (em Alcântara  e Xabregas) e Casas de Trabalho; fundou a Escola Profissional n.º 1, em Lisboa, no Campo de Santa Clara, inaugurada pelo Presidente da República em 28 de Novembro de 1917; fez propaganda das escolas profissionais e agrícolas femininas; abriu a Escola Agrícola Feminina de Alcobaça; promoveu a assistência aos afilhados de guerra, repatriados e famílias; e proporcionou formação profissional a enfermeiras de guerra. Durante o Sidonismo, porque era presidida pela esposa do Presidente deposto, sofreu perseguições e tornou-se num símbolo da oposição feminina às suas orientações políticas."
João Esteves, Mulheres e Republicanismo

domingo, 26 de fevereiro de 2012

tomás da fonseca, famalicão e camilo

em 1912, tomás da fonseca andou por terras de famalicão. o "estrela do minho", de 15 de setembro de 1912, assim o noticia: "esteve há dias em famalicão o nosso velho amigo sr. tomás da fonseca, brilhante escritor, deputado e actual director das escolas normais de lisboa. / anda colhendo impressões pela província, que manda para o jornal «a montanha», do porto. " e a propósito do texto que publica de tomás da fonseca, que aqui se coloca, com o título "por vales e montanhas", tendo como pano de fundo famalicão e a casa-museu de camilo, acrescenta-se que, tal artigo, "é muito interessante, principalmente no que diz respeito a s. miguel de seide que, para vergonha nossa, há vinte anos se encontra ao abandono mais deprimente para a intelectualidade portuguesa." conclui-se nos seguintes termos: "felizmente que a nossa câmara vai iniciar o museu camiliano em seide, reconstituindo a casa do mestre, tal qual se faz lá fora, como a victor hugo ou michelet em frança, onde não falta até o próprio leito daquelas glórias da literatura mundial." deste apontamento histórico, realço, indiscutivelmente, pela coincidência, um outro, a notícia referente à biblioteca municipal, e que diz respeito à reunião de câmara de 7 de setembro que cria a mesma biblioteca. estamos a caminho das comemorações do seu centenário.


"os miseráveis" de victor hugo no animatógrafo avenida - famalicão (1912)





nos 150 anos de "os miseráveis", de victor hugo, nada como lembrar a passagem do filme, baseada na obra homónima de hugo, por terras de vila nova. fica-se é na dúvida de que filme poderá ter sido: ou o de j. stuart blackton de 1909, ou os dois de albert capellani, o primeiro de 1911 e um outro de 1913. o animatógrafo avenida, o sucessor do cynematographo pathé e o antecessor do olympia, foi inaugurado em 24 de novembro de 1912 na avenida barão de trovisqueira, sendo então os seus proprietários os srs. carvalho & irmão da boa reguladora no edifício da typographia minerva, e segundo notícia do jornal famalicense "estrela do minho" de 3 de novembro de 1912, com capacidade para mil espectadores!




no mesmo jornal, de 16 de fevereiro de 1913, anuncia-se da seguinte forma a vinda do respectivo filme: "no fim do próximo mês de março vai o animatógrafo exibir a fita de maior celebridade mundial, os miseráveis, obra que está traduzida em todas as línguas e que representa a maior coroa de glória do grande escritor francês que foi victor hugo. / a fita "os miseráveis" será por assinatura para as três sessões..." e no dia em que o filme foi exibido, a um domingo, em 30 de março de 1913, pela vila era "o assunto do dia, despertando grande entusiasmo o espectáculo que há noite há-de ser exbidido e para o qual, certamente, os lugares hão-de escassear." para além do "palpitante interesse", a empresa oferecia "magistralmente descontos". pelas notícias anteriores, relativamente a outros filmes que então o animatógrafo exibia, e com casa cheia, o que não deixa de ser impressionante, na exibição do filme "os miseráveis" também o mesmo deverá ter acontecido. coloco aqui a publicidade que o então jornal famalicense "estrela do minho" publicou a propósito do filme "os miseráveis".