domingo, 22 de janeiro de 2012

rousseau


da cidade política, rousseau imaginou "uma sociedade duma grandeza limitada pelo alcance das faculdade humanas", na qual o "amor da pátria" e "o amor dos cidadaõs" promovessem "a felicidade comum", na base de um "governo democrático sabiamente temperado." para além de projectar "um país em que as leis fossem comuns a todos os cidadãos", diz-nos rousseau que escolheria "para minha pátria uma feliz e tranquila república cuja antiguidade se perdesse de algum modo na noite dos tempos; que não tivesse experimentado senão ataques propícios a manifestar e tornar mais firmes nos seus habitantes a coragem e o amor da pátria e em que os cidadãos, acostumados desde longa data a uma sábia independência, fossem não somente livres, mas dignos de o ser." uma ilusão tanto real como paradoxal!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

gonçalves cerejeira (1873-1899)

Homenageado em 1909 na inauguração em Vila Nova de Famalicão do Centro Republicano Dr. Bernardino Machado, com a presença do patrono do mesmo centro, e na presença de outros republicanos, caso de Sousa Fernandes ou de Manuel Monteiro, Gonçalves Cerejeira seria de novo homenageado em Outubro de 1923 pelas mesmas personalidades republicanas, caso de Fernandes e de Machado, na inauguração de uma escola com o seu, Escola Dr. Gonçalves Cerejeira (suponho que em Lousado). Bernardino Machado diria então, e defendendo, num primeiro momento, a necessidade da instrução primária para o desenvolvimento do País, para, num segundo momento, exultar a personalidade de Cerejeira, tendo sido "seu companheiro na propaganda do ideal republicano". Acrescentamos, hoje, ainda mais um In Memorian a Gonçalves Cerejeira de 1911, o qual acrescenta mais um dado para a sua biografia, pertencendo o famalicense republicano à associação carbonária de Coimbra "Academia Livre". Para além de já ter publicado a biografia deste famalicense poeta e republicano, defensor do ideal da liberdade de expressão, reproduzo-a hoje neste blog. Dedico este simples trabalho ao Dr. Manuel Sá Marques, com um  forte abraço de fraternal amizade e de saudade.


Gonçalves Cerejeira
(1873-1899)


“Dr. Gonçalves Cerejeira”. In O Porvir. Ano 3, n.º 182 (21 Maio 1911), p. 3.

Fez no dia 10 do corrente 12 anos que faleceu em Lisboa este nosso ilustre correligionário e querido amigo que desde a fundação deste jornal lhe dispensou a sua brilhante colaboração sob a rubrica «Palavras Vermelhas». / Pobre e desditoso sonhador! / Rolou no túmulo com vinte e poucos anos de idade, na primavera da vida, quando o futuro se abria, esplendoroso, diante de si, quando no róseo horizonte da sua mocidade lhe acenavam de longe as mais fagueiras esperanças de glória!” / Que enternecida saudade nos desperta a lembrança deste rapaz!... / Ele foi nosso companheiro de escola e nosso companheiro de casa, quando estudantes em Braga. / Ele foi um dos que mais insuflou no nosso espírito o nobre ideal republicano. / E com que fé, com que entusiasmo, com que ardor ele trabalhava, anos depois, em Coimbra, pela implantação da República, filiado na «Academia Livre», associação de carbonários que já então existiam naquela cidade. / Pobre Gonçalves Cerejeira, que não teve a dita de ver implantada no seu país a República, pela qual tanto trabalhou!...



Quando em Braga frequentava o Liceu, começou a escrever nos jornais académicos “A Pátria” e “Canto Académico. Promoveu na cidade de Braga uma organização estudantil, onde se realizavam palestras literárias. Fundou, na mesma cidade, “A Alma Nova”, de combate anti-monárquico e anti-jesuítico até à sua ida para Coimbra. Em Coimbra, foi um dos fundadores do “Cenáculo”, revista crítica e literária, sendo também um dos redactores do “Portugal”. Foi um dos membros da comissão académica que promoveu a homenagem a José Falcão, da qual saiu a publicação popular da “Cartilha do Povo”, publicada em Vila Nova de Famalicão pela Tipografia Minerva, mediante subscrição pública. As revistas da época anunciavam que Gonçalves Cerejeira tencionava publicar os livros de versos “Canções Vermelhas” e “Alma Rebelde”, assim como também um livro de contos. Colaborou em “O Instituto” (Coimbra) e em “A Arte” (Porto). Apenas Publicou “Cinzas” (1896) e “Os Boémios” (1898). Em Vila Nova de Famalicão colaborou no jornal “O Porvir”, publicando aqui as suas famosas crónicas intituladas “Palavras Vermelhas” e no jornal “Estrela do Minho”.  O “Semanário Ilustrado” de Lisboa intitulado “Branco e Negro”, de 29 de Fevereiro de 1898, caracteriza o seu pensamento da seguinte forma: “Hoje, apesar da melancolia em que o seu espírito parece ainda envolto, evolucionado para uma fase mais humana e positiva, fora de todas as escolas, pela sua própria individualidade estética e pensante, com uma educação superior, visando o útil e a humanidade, sem nefelibatices, numa linguagem luminosa e alegre como o nosso sol e o nosso vinho, temperado apenas pela sentimentalidade amorosa e aventureira que caracteriza  a alma portuguesa, …” A Comissão Municipal do Partido Republicano de Vila Nova de Famalicão homenageou Gonçalves Cerejeira em 1909, mais propriamente em 14 de Novembro no Centro Republicano Bernardino Machado dez anos após o seu falecimento. A homenagem constou da instalação do seu retrato na nova sede da comissão republicana famalicense, liderada então por Sousa Fernandes, o futuro Presidente da Câmara Municipal de V. N. de Famalicão a seguir à República. Esta nova sede ficava, conforme nos diz o “Estrela do Minho” de 21 de Novembro de 1909, “instalado num prédio contíguo ao Hotel Vilanovense”. Considerou então Sousa Fernandes, na abertura da sessão, que Gonçalves Cerejeira “foi um valioso e dedicado partidário” e quem lhe faz o então elogio público será Manuel Monteiro, o futuro Governador Civil de Braga a seguir à implantação da República em Portugal. A seguir à intervenção de Manuel Monteiro, Bernardino Machado proferiu a comunicação “Têm Liberdade os Monárquicos em Portugal?”.

Amadeu Gonçalves
Do projecto literário “Dicionário Literário Famalicense: século XVIII a XX”.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

manuel laranjeira e v. n. de famalicão

para o meu caro amigo alexandre teixeira mendes, este artigo de manuel laranjeira publicado num jornal de v. n. de famalicão, com um abraço fraternal amizade



domingo, 15 de janeiro de 2012

diário de lisboa e camilo 1925


o "amor de perdição" e os seus 150 anos




FENOMENOLOGIA DO AMOR

"Paixões, que as leve o Diabo, e mais quem com elas engorda. Por causa de uma mulher, ainda que ela seja filha do rei, não se há-de um homem botar a perder. Mulheres há tantas como a praga, e são como as rãs do charco, que mergulha uma, e aparecem quatro à tona de água."

"- Que tinha morrido de paixão e vergonha, talvez! - exclamou uma leitora sensível.
- Não, minha senhora; o estudante continuava nessea no a frequentar a Universidade; e, como tinha já vasta instrução em Patologia, poupou-se à morte da vergonha, que é uma morte inventada pelo visconde de Almeida Garrett no Frei Luís de Sousa, e à morte da paixão, que é outra morte inventada pelos namorados nas cartas despeitosas, e que não pega nos maridos a quem o século dotou de uns longes de filosofia, filosofia grega e romana, porque bem sabem que os filósofos da Antiguidade davam por mimo às mulheres aos seus amigos, quando os seus amigos por favor não lhas tiravam. E esta filosofia hoje então..."

Camilo, Amor de Perdição