quinta-feira, 24 de novembro de 2011

bernardino machado e o ministério de 1893


É já amanhã que começam os XIV Encontros de Outono/2011, organizados pelo Museu Bernardino Machado e patrocinados pela Câmara Municicpal de Vila Nova de Famalicão. Com figuras notáveis do pensamento contemporâneo, caso de Fernando Rosas, David Justino, Jorge Fernandes Alves, Pacheco Pereira, Fernanda Rollo, Carlos Fiolhais, João Ferreira do Amaral ou Viriato Soromenho, entre outros, o Prof. Norberto Cunha, amanhã, por volta das 12h00, coordenador científico do Museu Bernardino Machado e dos Encontros de Outono, irá proferir a comunicação "Bernardino Machado, Ministro das Obras Públicas (1893)". Deixo aqui algumas indicações das actividades de Bernardino Machado nesse mesmo Ministério, pelas suas próprias palavras, para o desenvolvimento de Portugal, dedicando o blog de hoje ao Dr. Manuel Sá Marques, com um abraço saudoso e fraternal de amizade, pela impossibilidade da sua vinda a Famalicão. Concerteza que já conhece estas coisas, mas aqui vão elas.



i)
"Em 1893, sendo ministro com Augusto Fuschini, instituiu duas escolas no Alentejo, uma agrícola em Évora, que foi logo abandonada, outra de cerâmica em Viana, que ainda existe. Além disso, promoveu praticamente  a colonização alentejana, distribuiu pela primeira vez adubos químicos e sementes seleccionadas para intensificar a antiga cultura cerealífera da província, e, para proteger o seu nascente labor vitícola, subsidiou dentro dela a construção dum lagar e adega social. E que seguimento teve a sua iniciativa? Foi nesses mesmo gabinete de 93 que o seu colega Fuschini apresentou o projecto para a incorporação do imposto do real de água no imposto predial, e publicou um decreto em que se assegurava a independência do funcionalismo fiscal. Mas tudo isto foi depois posto de parte."

ii)
"E, contudo, quando ministro, o orador ordenou a aquisição duma draga para a Figueira da Foz. Mas é que, umas vezes, tem faltado a verba orçamental para ela trabalhar, e, outras vezes, não tem faltado a verba, mas sim quem fiscalize a sua aplicação."



"Foi o autor da reforma dos institutos insustriais e comerciais, que criou nesta cidade [Porto] um curso de arte industrial a preparar o magistério artístico das escolas industriais, curso que tão excelentes resultados começou a dar, a ponto de ser um seu aluno o primeiro classificado nos concursos para esse magistério. E eu que, como ministro da nação, desenvolvi e organizei a instrução industrial e comercial, imprimindo-lhe uma feição prática pelo aprendizado oficinal e mercantil na própria escola, eu que, olhando enternecidamente pelos mais fracos, regulamentei o trabalho da mulher e da criança nas fábricas, eu que, para facilitar e favorecer a colocação do operariado, publiquei o regulamento das bolsas de trabalho e, principalmente para lhe defender o salário, institui o primeiro tribunal de árbitros avindores em Lisboa e diligenciava instituir logo outro aqui no Porto; eu, que procurei assegurar a assistência às classes trabalhadoras com uma eficaz inspecção regional, à qual incumbi com urgência a elaboração do cadastro das nossas indústrias; eu que, representando o estado, expungi o empenho da admissão dos operários nas obras políticas e a subordinei à mais escrupulosa justiça, eu tenho perseguido, e hei-de perseguir, sempre tenazmente nesta minha campanha."

"Por esse Portugal marítimo fez tudo quanto pode, como ministro. Tornou possível financeiramente a conclusão das obras do Porto de Lisboa, ordenou a pronta reparação das avarias produzidas pelos temporais nos molhes de Leixões e do Funchal, dotou com dragas algumas das nossas barras açoriadas, e acudiu pressurosamente ao alumiamento das nossas costas. Foi ele ainda quem conseguiu lançar o cabo submarino para os Açores."



"Reinvindicou o cumprimento da regulamentação que promulgava, do trabalho das mulheres e dos menores - cuja saúde é preciso não deixar em risco! -, censurando as dificuldades que a reacção tem posto à sua execução, sem embargo da boa vontade e diligência da inspecção industrial, que ele, como ministro, tinha organizado e dotado convenientemente para assegurar a fiscalização do trabalho nas fábricas. E referiu os serviços incumbidos aos tribunais de árbitros avindores, o primeiro dos quais fundado por ele em Lisboa, reclamando a sua criação em todos os centros industriais importantes do país."

Bernardino Machado

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

camilo e o amor


para a cândida, assim, amorosamente

o amor é uma luz que não deixa escurecer a vida

camilo, lágrimas abençoadas

XIV encontros de outono 2011




as frases que aqui se colocam dizem respeito à declaração ministerial do governo de hintze ribeiro, lida por hintze no parlamento em fevereiro de 1893, ao qual bernardino machado pertenceu como ministro das obras públicas, comércio e indústria, entre fevereiro a dezembro de 1893. o texto encontra-se publicado no livro de bernardino machado da monarchia para a república: 1883-1905 com o título o ministerio de 1893. fuschini caracterizou este ministério como tendo sido um ministério que intencionava a democracia monárquica, nas palavras de bernardino machado a monarquia liberal. desde a amnistia, a administração (central e local), a instrução, a questão da dívida pública, ou os problemas da fazenda (nomeadamente o de economia, assuntos como os impostos directos e indirectos) são algumas das frases que seleccionei das propostas desse governo liberal e democrático para o desenvolvimento de portugal. inquestionavelmente, para o dr. manuel sá marques, com um abraço saudoso e de fraternal amizade, na esperança de mais um reencontro cá por vila nova, prometendo aqui colocar em breve as realizações de bernardino machado no ministério de 1893 para o engrandecimento do país.



"O ministério de 1893 na sua primeira fase, naquela em que o Bernardino teve a perigosa honra de ser colega do ilustre João Franco, foi uma honesta tentativa de implantação entre nós da democracia monárquica..."

Augusto Fuschini

 
AMNISTIA

"Era intenção do governo solicitar da coroa uma amnistia, não para os delitos eleitorais, mas para os delitos políticos, com excepção dos que houvessem sido cometidos por chefes militares.  / O governo proporia uma remodelação da lei reguladora da liberdade de imprensa, de forma a assegurar a liberdade de pensamento e a responsabilidade correlativa, estabelecendo-se para isto uma forma especial de julgamento que seja ao mesmo tempo uma garantia para a liberdade e um meio para se tornar efectiva a responsabilidade. Neste intuito, o governo solicitaria também da coroa uma amnistia para os delitos de imprensa que já tenham sido praticados. / No mesmo propósito se inspirava o governo com respeito à liberdade de reunião."



ADMINISTRAÇÃO

"Com respeito à administração, o governo proporia também a revisão das leis concernentes ao regime das corporações administrativas, de forma a garantir e a promover o desenvolvimento da vida local, descentralizando os serviços, mas ressalvando as necessárias restricções em matéria tributária e de recurso ao crédito."



INSTRUÇÃO

"O governo dedicar-se-ia com desvelo aos serviços da instrução pública, para que, com o aperfeiçoamento das instituições docentes e dos métodos de ensino, se possa atrair a frequência às escolas, tendo em vista os largos e incontestáveis benefícios que deste facto emanam para a sociedade."



DÍVIDA PÚBLICA

"O governo enocntrava pendente uma questão sobremaneira importante, qual era a do pagamento aos poradores dos títulos da dívida pública portuguesa. Afirmava o gabinete o propósito em que estava, e que traduzia o sincero desejo do país, de que aos credores do estado se pague tudo o que caiba nos recursos do tesouro.


FAZENDA

"Com respeito à questão da fazenda, declarava o governo que não é sua intenção propor novos agravamentos tributários, sem primeiro proceder a uma revisão escrupulosa do orçamento do estado, de modo que nos diversos ramos de administração pública se possam efectuar todas as reduções de despesa que as circunstâncias do país instantemente reclamam."


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

raul rêgo e famalicão



para o dr. artur sá da costa, com um abraço fraternal de amizade, este texto de raul rêgo e publicado no jornal de notícias

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

grande prémio do conto camilo castelo branco 20 anos

para a cândida, assim amorosamente, que vai gostar de ler este livro de contos, especialmente o último, pelos livros que a personagem gosta de ler




Sob o olhar atento de Camilo, foi entregue, hoje, e uma vez mais, o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco/Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Associação Portuguesa de Escritores (2010), na Escola Secundária Camilo Castelo Branco, sediada na cidade famalicense, ao escritor António Manuel Pires Cabral com o livro O Porco de Erimanto. Afonso Cruz, em representação do júri (sendo constituído por mais dois elementos, nomeadamente José António Gomes e Serafina Martins), salientou que a ligação a Camilo não foi um factor primodial na atribuição do respectivo prémio, referindo-se ao humor, às situações inesperadas, as novidades de cada página. Considerou igualmente que é muito difícil colocar lado a lado o humor e a profundidade na literatura, situação que Pires Cabral conseguiu alcançar. Pires Cabral, para além de ter dito que se situava em casa, já que Famalicão é um sítio camiliano, e sempre gostou dos lugares camilianos, salientando o triunvirato geográfico de Vila Real, Famalicão e Porto, cidades espirituais de Camilo, do livro que ganhou o prémio realça que o homem é um ser permanentemente sitiado e violentado, e, neste caso, pela doença, pelas hierarquias, pelos vizinhos e até pela própria sombra.



José Manuel Mendes, presidente da Associação de Presidente de Escritores, salientou o prestigioso prémio nacional que é o prémio do Conto Camilo Castelo Branco. Focando os 20 anos da entrega do prémio, e falando dos escritores premiados que são o escol da literatura portuguesa, realçou, de forma elogiosa, o trabalho das duas instituições, através dos 20 anos de convivência, com a tese as instituições ficam e os homens mudam, perante a independência e o saber fazer das instituições em causa. Relativamente a Pires Cabral, salientou que o escritor fica no tempo e no espaço, um escritor entre o clássico e a inovação. A entrega do prémio de hoje é um legado tão singular, não só pelas relações de Pires Cabral com Camilo, como pela presença de um grande escritor, que só por pura desatenção não será consagrado. Para José Manuel Mendes, o que interessa não é realçar a história dos 29 anos da entrega do prémio do conto, mas já o dia de amanhã, projectando a edição de uma colectânea de contos dos vencendores do respectivo conto. Termina por dizer que tudo o que for feito para a defesa da língua portuguesa nunca será excessivo, dizendo de Camilo que a sua consciência ética e estética, o escritor que constrói a história dos dias, nunca será demais o que se fizer sobre ele. Finalmente, o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Arq. Armindo Costa, ao evidenciar no seu discurso que "em toda a literatura portuguesa, Camilo é, talvez, o escritor mais amado e odiado", focalizando algumas características da obra de Camilo, assim como nos fala dos projectos pedagógicos e das actividades da Casa-Museu Camilo Castelo Branco e do respectivo Centro de Estudos Camilianos, diz-nos de Pires Cabral que "é um homem do Norte, de Trás-os-Montes, pr onde também andou Camilo Castelo Branco. / Num País centralista, que se esquece da ruralidade e das maravilhas do interior, António Pires Cabral destaca-se justamente por manter uma ligação profunda à região de Trás-os-Montes e às suas gentes." Termina o seu discurso na confirmação da continuidade do mesmo prémio. O autor destas linhas aconselha vivamente a leitura da obra premiada.


Afonso Cruz


Pires Cabral


José Manuel Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Escritores


O Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicao, Arq. Armindo Costa



O momento da entrega do prémio, José Manuel Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Escritores, o escritor Pires Cabral e o presidente da Câmara Municipal de V. N. de Famalicão



O presidente da Câmara Municipal de V. N. de Famalicão a oferecer umas lembranças de Famalicão ao escritor Pires Cabral


Afonso Cruz, Pires Cabral, Artur Sá da Costa, José Manuel Mendes


Pires Cabral, Artur Sá da Costa e José Manuel Mendes


Afonso Cruz, o premiado de 2009, Pires Cabral, de 2010.

in memoriam filipe oliveira




A MINHA HOMENAGEM
Filipe José de Lima Oliveira
(Brufe, V. N. de Famalicão, 05/03/1962; Porto, 13/11/2011)

“Sou como a borboleta que voa”
Filipe Oliveira

Há textos, como este, que nunca deveriam ser escritos. Não existe racionalidade possível, ou a razoabilidade possível de escrever estas linhas de um amigo que desapareceu. Talvez predomine a emoção, não sei, apenas se fica suspenso a pensar nesta vida; e quantas memórias se avizinham. Conhecemo-nos no Colégio das Caldinhas e quando lá entrei já ouvi-a falar do Filipe como organizador do teatro, sob a influência de um mestre comum, o Dr. Manuel Simões. Ao longo dos anos tivemos as nossas desavenças, é certo, mas quantas ideias não partilhamos à volta da cultura, passando pelo teatro, pela literatura (especialmente a poesia, que sempre o comparei a um escritor e a um poeta que ele também admirava, o Assis Pacheco), e pelo jornalismo.




Em 2006 pedi ao Filipe o seu curriculum e nunca imaginei que seria utilizado para escrever estas linhas, mas sim para o projecto do Dicionário dos Escritores Famalicenses – século XVIII a XX. Nesse mesmo curriculum, informa-nos logo no início que se iniciou no jornalismo nos jornais A Voz Portucalense, O Progresso da Foz (1980-1982) e no jornal Vila Nova. Uma outra das suas paixões, dentro do jornalismo, eram as rádios-livres, trabalhando no Jornal Universitário do Porto (1989) e na Rádio Universitária do Porto (1985). Na época, estudava ainda Direito e quantas vezes não cheguei a ir com ele ao Porto a assistir a uma ou outra peça de teatro, ou a ir a essa mesma Rádio, um cubículo, na qual já coordenava os noticiários. Também chegamos a andar pela Ribeira, em cujos bares, um amigo comum da época, ia lá tocar piano. Regressando ao tempo do Colégio, e já mesmo mais tarde, na tertúlia do Nápoles, em Famalicão, e no Centro Comercial Aro, onde funcionava a Rádio Pirata, e num Bar então aí existente, não me lembrando já do nome, o Filipe mostrava-me os seus próprios cadernos poéticos, os seus livres poéticos, textos dactilografados, e por ele encadernados; e sempre lhe dizia, e lhe disse ainda ultimamente, porque não publicava a sua poesia num só volume, e ele dizia-me que a poesia não dava dinheiro, o jornalismo, pelo contrário, sim. Aliás, será precisamente em 1989 que ganha o Prémio Vasco de Carvalho, instituído pela Câmara de Famalicão, com o trabalho Rádios Livres do Minho e publicado no jornal bracarense Diário do Minho. Na introdução deste mesmo trabalho diz-nos o seguinte: “Pretende-se com este trabalho dar a conhecer o espectro rádio-eléctrico minhoto entre inícios de 1980 e finais de 1989. / Na década de 80 multiplicaram-se estações de rádio alternativas pelo Minho, como nas restantes partes do País. Primeiro surgiu uma rádio-pirata. Depois apareceram as rádios-livres. E mais tarde chegaram as rádios de transicção, algumas entretanto licenciadas como rádios-locais… O temo da clandestinidade já acabou, mas foi útil para a maior parte destas rádios que hoje reivindicam um estatuto de estações locais de rádiofusão.” Fica, assim, na história do mesmo prémio, que teve vencedores como José Viriato Capela (1988), Maria do Rosário Costa Basto ( (1998) e de Augusto Castro Pereira (2000).


Passa, entretanto, pela redacção de O Século Ilustrado (1991), colabora na Rádio Vila Nova (1992) e no jornal Opinião Pública (1992), assim como no Jornal de Santo Thyrso (1995) ou ainda no Jornal da Trofa (1997) Falávamos e criticávamos os nossos textos, então publicados no Opinião Pública. Talvez as nossas desavenças começam a nascer nesta fase, por algumas afirmações públicas que então fez e nunca foram do meu agrado. Dizia-lhe, como nestes últimos anos lhe dizia, a propósito das suas biografias, que os impressionismos, às vezes, também devem ser científicos. Exerce funções de chefia na Rádio Triângulo (da qual foi fundador em 1983, ao lado de Pedro Fonseca e de Augusto Almeida) e na Rádio Famalicão (chefe de redacção, 1987). No ano de 1988, foi autor de programas informativos na Rádio Antena Minho (1988) e, neste mesmo ano, foi o sonoplasta do vídeo de Alberto Sampaio editado pela Câmara de Famalicão, comemorando-se então o 80.º Aniversário de Falecimento do Historiador da Proto-História. Em 1989 é, novamente, chefe de redacção na Rádio Atlântico e, no ano seguinte, na Rádio Linear. Chegou a ser Delegado do Vale do Ave do Semanário Minho (1990) e em 1991 é autor, realizador e apresentador da TV/PAF-Produções Audio-Visuais de Famalicão. Em 1992 reencontramo-nos nas II Jornadas de História Local: Vila Nova de Famalicão – Memórias de um Século (1892-1992) e, como não podia deixar de ser, o tema seria a imprensa para a descodificação da história famalicense. A sua comunicação chamava-se, então, A Imprensa Local Famalicense e a História, cujo texto se encontra publicado na 2.ª série do Boletim Cultural da autarquia famalicense (n.º 13, 1994/1995). Em 1997 é correspondente de Famalicão no jornal portuense Jornal de Notícias; e ainda me lembro, porque tenho o recorte, entre outros, sobre a revista famalicense Soneto Neo-Latino.
Colabora sempre na imprensa famalicense, nomeadamente Opinião Pública e na Rádio Digital FM, em O Povo Famalicense e em outros jornais, tal como, por exemplo, de Baião ou no Jornal das Beiras (1997). Só conheceu a profissionalização após um estágio curricular na ANOP, em O Comércio do Porto, RDP, RTP (1995), trabalhando na Rádio Renascença (1986), no Correio do Minho (1987) e na Gazeta dos Desportos (1987). Trocou o curso de Direito (1983) pelo curso de jornalismo, tirado na Escola Superior de Jornalismo, Bacharelato (1985). Passa pelo ensino, chegando a ser professor de jornalismo no ensino secundário, na escola Alberto Sampaio (1989) e ainda é monitor-formador de um curso de jornalismo no Teatro Construção (1990). Em 1996 é autor do projecto de comunicação na FL-Filomena Lamego e no ano seguinte é assessor de imprensa da Associação Vento Norte.

Para além da sua paixão de sempre, o jornalismo, também se dedicou, como já vimos, à investigação histórica da imprensa, e, mais recentemente, às biografias. Aqui temos a do cineasta famalicense Ricardo Malheiro (2001) e a do edil famalicense Álvaro Folhadela Marques. Um extracto desta última personalidade famalicense foi publicada no Boletim Cultural da Câmara de Famalicão (n.º3/4, 2007/8). Preparava, para publicação, mais duas biografias: a do poeta famalicense Fernando Carneiro e a de José de Carvalho, o benemérito famalicense do Louro, mais conhecido por Carvalho de Travassos. Publicou em 2010 a Antologia Jovens Poetas do Baixo Minho e muito falámos sobre esse projecto, incentivando-o, quando me contava as dificuldades, outras vezes apenas ouvindo-o, todo entusiasmado. O que o Filipe nunca soube é que o Sérgio Sousa aparecia-me por casa com os textos poéticos para seleccionar e a sua posterior publicação na respectiva antologia. Ofereceu-me um exemplar um dia quando nos encontramos na Central de Camionagem.
Em 1996 ganha mais um prémio, o dos Jogos Florais Cidade Hoje. Costumava dizer que os autores locais, e não só, com o seu exagero beneplácito, era com o autor destas linhas. Vaticinou que eu ganhasse o mesmo prémio em 1997 sobre os escritores famalicenses, tendo sido então o meu pseudónimo Bloom, a personagem mítica de Ulisses de James Joyce. O do Filipe foi, não poderia deixar de ser, “Rochinha”. Costumava dizer que Joaquim José da Rocha era o protótipo dos jornalistas famalicenses e que tem sido esquecido por ter sido monárquico. Ainda há bem pouco tempo, caro Filipe, descobri, nas minhas investigações pela imprensa, que a Typographia Alliança era dele, a rival da Minerva. Nada como fazer um trabalho sobre o “Rochinha” um dia destes…
No campo da poesia publica Há 20 Anos que Respiro (1995) e Há 25 Anos que Respiro (2000), textos dos quais me ofereceu com uma dedicatória afectuosa, de amigo para amigo. As amizades não se esquecem. Denominou essas duas brochuras de Livro-Branco de Poesia, impressão fotocopiada e edição pirata de 180 exemplares, com o apoio da Câmara de Famalicão e da Rádio Vila Nova / Jornal Opinião Pública. Apresentou então um notável espectáculo no auditório da Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, um recital único, tendo no acompanhamento musical Carlos Carneiro, Ivo Machado, João Junqueira e Fernando Jorge e como declamadores o próprio Filipe, Francisco Carneiro, Carmen Regueiras e João Regueiras. Este é o Filipe que pretendo recordar, assim como alguns textos publicados na imprensa, o declamador poético que se maravilhava a si próprio e ao público que se encantava, que lia a sua e a poesia dos outros, que construíssemos, nos tempos do Nápoles, os famosos cadáveres esquisitos dos surrealistas que ele tanto admirava. Os deuses, neste momento, estão a fazer cadáveres esquisitos surrealistas com o sorriso cândido e beneplácito, sob a orientação maravilhada e enérgica do Filipe.