quinta-feira, 20 de outubro de 2011

a cultura no município famalicense

para a cândida, afectuosamente


 

 

Hoje fui até à Casa da Cultura e lembrei-me de ir ver as novidades literárias que a autarquia famalicense patrocina. Dois já conhecia, por amável oferta dos seus autores, nomeadamente Salvador Coutinho e o seu livro "Um dia Há Tanto Tempo no Mundo" e o de Serguilha "Kao`e". Dos que trouxe constam o de Bernardete Costa com o título "Transpiração", a poetisa da memória afectiva, do músico famalicense Carlos Macedo "Simplesmente Peregrino" e o de Fernando Pereira "Apenas Acreditar". Relembro aqui o projecto IMAN, dirigido por Alexandre Costa, famalicense com projecção artística internacional, nas novas visões estéticas e das novas configurações da arte, nos seus mais variados aspectos. Retiro do livro de Bernardete Costa este poema:

Primeiro beijo

"Um beijo frágil a desvanecer
na luz do azul, a morrer
                                               docilmente
no declínio da noite;
mas um beijo a arder, a clamar sede
e fome no mar do amor e do desejo;
um beijo sem nome,
com sabor a mel,
                                               apaixonadamente
a despertar no corpo a primavera."





quarta-feira, 19 de outubro de 2011

um país adiado

para a cândida, com afecto, estas linhas escritas no nosso café, de nome "casal"




anteontem, ao chegar a casa, e ao ligar a sicnotícias, às sete, o ministro das finanças lá estava, e mais descontraído, e, depois, durante o noticiário das oito, nas entrevistas, parecia que estava com um sorriso irónico para os portugueses, ou pelo menos para metade dos portugueses. liguei a lindo sorriso, e digo-lhe, Olha, o nosso amigo, não deve ser coisa boa o que aí vem! Mudei logo de canal, para os filmes, ao menos a catástrofe, ou as catástrofes, materiais e humanas, são irreais e ficcionais, às vezes da própria existência, o que já é mais sério. ´lições de vida, diria. e se o país acordou, os portugueses não deixarão de sonhar por uma vida melhor, com o que de melhor a vida tem para oferecer. alguns politólogos e políticos, e mesmo jornalistas, sabemos quem são, o têm afirmado: é hora de deixar de sonhar! Não, é a hora de continuar a sonhar criativamente, não para o abismo, como cada vez mais nos querem fazer crer, mas para o futuro, já que os políticos não pensam no futuro, nem no futuro a médio-prazo: pensam simplesmente num presente imediato sem soluções, sem prospectivarem políticas económicas para o desenvolvimento do país. a catástrofe está precisamente, para além das injustiças fiscais (sendo a segunda vez) na desunião de um país que não se encontra a si mesmo; e os políticos , em vez de projectarem essa união, projectam no imediato a fragmentação social. desde a esquerda dita social, passando pela direita conservadora, que a fragmentação social tem sido projectada dramaticamente e, possivelmente, num futuro imediato, poderá ser assustador. a passividade portuguesa destes últimos anos tem muitas frustrações acumuladas. o que poderá ser perigoso; e se a esquerda dita social foi criando o mito entre a função pública e o privado, a direita conservadora, com argumentos que não convencem, tornou esse mito cada vez mais real. e ontem, que namorei, só acordei quando fui ao café e observei que jogava o benfica, e não deixou ficar mal os benfiquistas.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

espinosa e o amor


para a cândida, afectuosamente

"quando amamos, e somos amados, trememos."

O Livro dos Saberes Práticos



"O amor é a alegria acompanhada da ideia de uma causa exterior.

EXPLICAÇÃO
Esta definição explica de maneira suficientemente clara a essência do amor. Ao contrário. a dos autores que definem o amor a vontade do amante de se unir à coisa amada não exprime a essência do amor, mas uma propriedade deste. / Como a essência do amor não foi bem percebida por esses autores, daí resulta que também não puderam fazer um conceito claro das suas propriedades; o que fez com que todos julgassem a sua definição extremamente obscura. Deve observar-se, todavia, que, quando digo que essa propriedade consiste na vontade do amante de se unir à coisa amada, não entendo por vontade um consentimento ou deliebração da Alma, isto é, uma decisão livre..., nem mesmo o desejo de se unir à coisa amada quando ela está ausente, ou de permanecer na sua presença quando ela está presente. Com efeito, o amor pode conceber-se sem nenhum desse desejos; mas, por vontade, entendo o contentamento íntimo que se produz no amante por causa da presença da coisa [ser humano, pessoa*] amada, contentamento pelo qual a alegria do amante é fortificada ou ao menos alimentada."

Espinosa

* palavras minhas.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

do olhar

para a cândida, afectuosamente


"... é sobretudo com o olhar que o amor acontece e dele resulta a sua existência."

Aristóteles

domingo, 16 de outubro de 2011

os metafísicos, os ironistas e as bibliotecas



para cândida batista, que gosta de bibliotecas

este foi um livro que me marcou fortemente na licenciatura. ajudou-me a ultrapassar dificuldades e a repensar a vida. estabelecendo as diferenças entre as pessoas metafísicas e as ironistas, considerando as primeiras como aquelas em constante interrogação e que o mundo está sempre em descoberta, pelo contrário, as ironistas são aquele tipo de pessoas que estão perante a contingência e a historicidade do mundo, rorty parte para algo assombroso, a forma como os metafísicos e os ironistas constroem a sua própria biblioteca.




"Os metafísicos vêem as bibliotecas como estando divididas segundo disciplinas correspondendo a diferentes objectos de conhecimento. As ironistas vêem-nas como estando divididas segundo tradições, em que cada membro  destas adopta parcialmente e modifica parcialmente os vocabulários dos autores que leu. As ironistas consideram os textos de todas as pessoas com dotes poéticos, todas as mentes originais que tiveram talento para a redescrição - Pitágoras, Platão, Milton, Newton, Goethe, Kant, Kierkegaard, Baudelaire, Darwin, Pascal - como grãos para o mesmo moinho dialéctico. Os metafísicos, pelo contrário, pretendem começar esclarecendo quais dessas pessoas foram poetas, quais foram filósofos e quais foram cientistas. Pensam ser essencial esclarecer os géneros - ordenar os textos por referência a uma grelha previamente determinada, uma grelha que, seja o que for que além disso fizer, pelo menos distinguirá claramente entre pretensões de conhecimento e outros modos de chamar a nossa atenção.A ironista, pelo contrário, gostaria de evitar condicionar os livros que lê utilizando qualquer grelha dessas (ainda que, com uma resignação irónica, se aperceba de que dificilmente o pode evitar."

Rorty
I
CONTINGÊNCIA
A contingência da linguagem
A contingência da individualidade
A contingência de uma comunidade liberal

II
IRONISMO E TEORIA
A ironia privada e esperança liberal
Autocriação e filiação: Proust, Nietzsche e Heidegger
Da teoria ironista às alusões privadas: Derrida

III
CRUELDADE E SOLIDARIEDADE
O barbeiro de Kasbeam: Nabokov e a crueldade
O último intelectual da Europa: Orwell e a crueldade
Solidariedade

gavião em festa

Como se não chegassem os governos da esquerda dita social, a direita ultra-conservadora, agora no poder, o que cria com o orçamento do próximo ano, e para 2013, é simplesmente a evolução das dissenções, das fracturas e conflitos sociais, como se Portugal não fosse um único País. A função pública não deve ser, como escrevi da última vez, o bode expiatório, de um País que sobrevive sem imaginação. O argumento de que a função pública tem ordenados superiores aos do privado não convence, porque as remunerações, quer no público, quer no privado, são em si próprias idênticas, baixas e altas. Salva-nos as memórias fotográficas e históricas da igreja paroquial de Gavião, hoje estando a freguesia em festa. Um bom Domingo.



sábado, 15 de outubro de 2011

ricoeur e uma filosofia do «coração»


"Si une philosophie du sentiment était possible, c`est le sentiment qui devrait exprimer la fragilité de l`être intermédiaire que nous sommes."

Paul Ricoeur

Paul Ricoeur



LIVRE I
L`HOMME FAILLIBLE
I
Le pathétique de la «misére» et la réflexion pure
II
La synthèse transcendantale: perspective finie, verre infini, imagination pure
III
La synthèse pratique: caractère, bonheur, respect
IV
La Fragilité afffective
Conclusion: Le concept de faillibilité

LIVRE II
LA SYMBOLIQUE DU MAL
I
LES SYMBOLES PRIMAIRES: SOUILURE, PÉCHÉ, CULPABILITÉ
Introduction: Phénoménologie de «l`aveu»
I
LA SOUILLURE
II
LA PÉCHÉ
III
LA CULPABILITÉ
Conclusion: Récapitulation de la symolique du mal dans le concept de serf-arbitre

II
LES «MYTHES» DU COMMENCEMENT ET DE LA FIN
Introduction: La fonction symbolique des mythes
I
Le drame de création et la vison «rituelle» du monde
II
Le Dioeu méchant et la vision «tragique» de l`existence
III
Le mythe «adamique» et la vision «eschatologique» de l`histoire
IV
Le mythe de l`ame exilée et le salut par la connaissance
V
Le cycle des mythes
Conclusion: Le symbolique donne a penser