sábado, 15 de outubro de 2011

ricoeur e uma filosofia do «coração»


"Si une philosophie du sentiment était possible, c`est le sentiment qui devrait exprimer la fragilité de l`être intermédiaire que nous sommes."

Paul Ricoeur

Paul Ricoeur



LIVRE I
L`HOMME FAILLIBLE
I
Le pathétique de la «misére» et la réflexion pure
II
La synthèse transcendantale: perspective finie, verre infini, imagination pure
III
La synthèse pratique: caractère, bonheur, respect
IV
La Fragilité afffective
Conclusion: Le concept de faillibilité

LIVRE II
LA SYMBOLIQUE DU MAL
I
LES SYMBOLES PRIMAIRES: SOUILURE, PÉCHÉ, CULPABILITÉ
Introduction: Phénoménologie de «l`aveu»
I
LA SOUILLURE
II
LA PÉCHÉ
III
LA CULPABILITÉ
Conclusion: Récapitulation de la symolique du mal dans le concept de serf-arbitre

II
LES «MYTHES» DU COMMENCEMENT ET DE LA FIN
Introduction: La fonction symbolique des mythes
I
Le drame de création et la vison «rituelle» du monde
II
Le Dioeu méchant et la vision «tragique» de l`existence
III
Le mythe «adamique» et la vision «eschatologique» de l`histoire
IV
Le mythe de l`ame exilée et le salut par la connaissance
V
Le cycle des mythes
Conclusion: Le symbolique donne a penser

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

os absurdos de um país estagnado




Passos e Pilatos

O primeiro paradoxo é, incontestavelmente, o próprio discurso de Passos Coelho: medidas extraordinárias que ultrapassam as da própria troika, justificando com o possível colapso social. O discurso, diga-se, foi uma cto de desespero, tendo servindo uma coragem ficcional para a transmissão do mesmo discurso. Ao mesmo tempo, não apresentou medidas concretas para o desenvolvimento do País, as quais deveriam ser outras: a teoria, muitas vezes, não se aplica à prática. Os nossos ministros podem ser bons teóricos e académicos, mas na prática, as teorias, ficam descontextualizadas.
O segundo paradoxo é a injustiça social da aplicação das mesmas medidas. Não é a primeira vez que este o faz. Mais uma vez, a função pública, ao longo de vários governos sucessivos, desde a esquerda social, passando pela direita conservadora, é o bode expiatório; e se é necessário uma reestruturação da administração pública, o que tem acontecido em algumas fusões e fins de instituições estatais, tem sido uma cegueira governamental: às vezes, a cegueira pode ser perigosa. Durão Barroso fez o mesmo, quando chegou ao poder: nunca Portugal soube os resultados práticos das eliminações e fusões das instituições estatatais do tempo de Durão. Por outro lado, se todos deveriam contribuir para a resolução dos problemas do País, todos devem contribuir, não havendo excepções à regra, ninguém devia ser excluído.
Terceiro paradoxo: Passos Coelho, de uma forma ingénua, está a ser Pilatos: quando nos diz que o orçamento é dele, mas não o déficit, está a lavar as mãos, prometendo que vai procurar para justificar as medidas que vai aplicar, os responsáveis pelo mesmo déficit. O déficit é histórico. Estamos perante uma falta de ética da responsabilidade ainda mais ficcional. Kafka adivinhou esta mosntruosidade absurda e institucional. O editorial do jornal "Público" de hoje a dada altura, e já quase na parte final, diz-nos o seguinte: "Na estratégia de desespero que anunciou, Passos sabe que joga as últimas cartas. Não terá outra oportunidade para mudar tanto em troca de tão pouco. O princípio do fim? Não podemos ficar indiferentes.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

a filha do arcediago


"Felicidade... isso vai da maneira de ver as cousas de cada um."

"Onde quer está um Napoleão incubado!"

"O DINHEIRO, amigos! Eu nunca me cansarei de vos dizer esta palavra, três sílabas distintas que fazem o único deus verdadeiro deste paganismo ignominioso em que medram os vícios da sociedade. Três sílabas!, trindade veneranda que representa o mito de todas as religiões, em cada uma das quais o profundíssimo Dupuis achou uma trindade, e não descobriu esta, que eu tenho a honra de evangelizar-vos."

Camilo, A Filha do Arcediago


A proposta da Comunidade de Leitores da Casa de Camilo para o dia 19 de Outubro(na próxima Quarta-Feira) recai sobre o livro de Camilo "A Filha do Arcediago". Este, ao lado de outros, não muitos, é um dos meus predilectos de Camilo por várias razões, sendo a principal a aproximação ficcional que Camilo pretende caracterizar, nomeadamente uma espécie de lesbianismo (ingénuo) intelectual entre Maria Elisa e Rosa Guilhermina, influenciadas pelo Iluminismo. Por outro lado, duas temáticas essenciais se deparam neste livro: a Filosofia e, uma vez mais, de uma forma mais complexa, uma Fenomenologia do Amor, desenvolvendo, paralelamente, a sua dimensão antropológica, no plano social das personagens. Na Filosofia, deparamo-nos com a temática da secularização e do darwinismo social. Para além disto, Camilo, ímpar nesta matéria, caracteriza as suas personagens, ou as vai caracterizando ao longo do livro, com as suas próprias reflexões, pela literatura, evocando, uma vez mais, como em tantos outros títulos, uma intertextualidade ficcional. A par disto, viaja pela educação da época e como a cultura francesa começa a ter influência na sociedade portuguesa, sem esquecer a cultura popular, nomeadamente na profusão de provérbios e das expressões linguísticas.

"Famalicão" (1940) - Manoel de Oliveira

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

da felicidade em Kant


"Há, no entanto, um fim do qual se pode dizer que todos os seres racionais o perseguem realmente (enquanto lhes convêm imperativos, isto é, como seres dependentes), e portanto uma intenção que não só eles podem ter, mas que se deve admitir que a têm na generalidade por uma necesidade natural. Este fim é a felicidade."

Kant



"O tema da felicidade não tem consituído grande motivo de reflexão entre os comentadores de Kant... é possível surpreender, grosso modo, duas linhas interpretativas: sobre esta matéria: por um lado, distinguem-se aqueles comentadores para quem a felicidade não desempenha qualquer papel na ética kantiana, considerada esta, sobretudo, como uma ética pura do dever; por outro lado, e opondo-se a esta linha interpretativa, destacam-se aqueles para quem a felicidade ocupa o lugar central da ética de Kant, considerada esta, fundamental, como uma ética teleológica... Uma coisa é a função da felicidade na ética de Kant, do ponto de vista de uma reflexão sobre os alicerces fundamentais que devem sustentar um sistema moral; outra é a função da felicidade na ética de Kant, do ponto de vista de uma reflexão sobre os princípais fins da existência humana."

Mónica Gutierres





I
A rejeição kantiana do eudemonismo
Elementos de uma analítica da razão prática empírica
A argumentação kantiana contra o eudemonismo

II
O lugar positivo da felicidade na ética de Kant
O problema da possibilidade do soberano bem
O significado fundamental do soberano bem

xiv encontros de outono 2011

Os XIV Encontros de Outono de 2011 estão subordinados ao tema “A Política dos Melhoramentos Materiais em Portugal: da Regeneração ao Século XXI”. Organizados pelo Museu Bernardino Machado, e com a coordenação científica do Prof. Norberto Ferreira da Cunha, os XIV Encontros de Outono serão realizados nos dias 25 e 26 de Novembro, na Casa das Artes, em Vila Nova de Famalicão, sendo a entrada gratuita e tendo a presença, após inscrição, a entrega de certificado.
Contando com a presença na abertura do Presidente da Câmara Municipal de V. N. de Famalicão, Arq.º Armindo Costa, os XIV Encontros de Outono terão no seu primeiro dia (25, Sexta-Feira) conferencistas como Jorge Fernandes Alves (“FAZER OBRA – A geração do pós-guerra liberal e a consciência do atraso económico”), Norberto Ferreira da Cunha (“Bernardino Machado, Ministro das Obras Públicas, 1893”), Fernando Rosas (“Salazarismo e Fomento Económico”), Fernanda Rollo (“O Salazarismo e o Plano Marshall”), David Justino (“Progresso e Modernidade”), Pedro Lains (“A Política dos Melhoramentos Materiais na “Regeneração”), Teresa Nunes “O Ministério do Fomento como motor de desenvolvimento, segundo Ezequiel de Campos”), Rafael Amaro das Neves (“As políticas de fomento e coordenação económica regionais do Estado Novo: o fracasso da divisão administrativa do país em províncias”). Por seu turno, no segundo dia (26, Sábado), teremos a presença de José Pacheco Pereira (“Tecnologia e Tecnocracia), João Ferreira do Amaral (“Economia e Futuro da Sociedade”), Carlos Fiolhais (“Ciência em Portugal: passado, presente e futuro”) e, finalmente, a de Viriato Soromenho Marques (“Que futuro para o progresso, que progresso para o futuro”).


Bernardino Machado, presente na política dos melhoramentos para o desenvolvimento de Portugal, nos finais do Século XIX, nomeadamente enquanto Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria (1893), imprimiu uma série de decretos para o avanço do País. A saber, instituiu duas escolas no Alentejo, uma agrícola em Évora, outra de cerâmica em Viana, imprimindo o desenvolvimento de uma agricultura científica, na distribuição de produtos químicos e de sementes para dinamizar a cultura cerealífera e, para proteger o trabalho na viticultura, subsidiou a construção de um lagar e de uma adega social. Entres outras actividades, promoveu a aquisição duma fraga para a Figueira da Foz, reformou os institutos industriais e comerciais, que criou no Porto, organizando um curso de arte industrial, tendo em vista a função prática da instrução. Neste campo, regulamentou o trabalho da mulher e da criança nas fábricas, reduzindo o horário de trabalho, para terem acesso à instrução. Esteve, ao mesmo tempo, nas obras do porto de Lisboa, de Leixões e no Funchal e acolheu a instalação nas costas portuguesas, conhecidas até então por costas negras, de faróis. Para além de ter criado as Bolsas de Trabalho, Bernardino Machado criou o Tribunal de Árbitros Avindores. E se alguns projectos para o melhoramento do País se concretizaram, outros, ou por faltas de verbas, ou por falta de fiscalização, não tiveram continuidade.

a maçonaria feminina

Para a VII conferência do IV Ciclo de Conferências subordinado à temática “As Mulheres e a I República”, o Município de V. N. de Famalicão e o Museu Bernardino Machado convidou o Prof. António Ventura para proferir a comunicação “A Maçonaria Feminina na I República”. Antes do Prof. António Ventura, já estiveram presentes no Museu Bernardino Machado investigadores e investigadoras como Fernando Catroga, Norberto Ferreira da Cunha, Antonieta Garcia, João Esteves, Natividade Monteiro e Paulo Guinote.
Doutor em Letras (História Contemporânea) pela Universidade de Lisboa, é Professor Catedrático de nomeação definitiva do Departamento de História da Faculdade de Letras de Lisboa. Fez conferências e participou em congressos, assim como em cursos, por todo o mundo.
Por ocasião das Comemorações do Bicentenário da Guerra Peninsular (2010), participou em vários congressos no País e no estrangeiro; e no âmbito das Comemorações do centenário da Implantação da República em Portugal (2010), para além das conferências que realizou um pouco por todo o País, foi o comissário da exposição “A Propaganda Republicana”, no Palácio de Belém, organizada pelo Museu da Presidência da República.
Se da sua bibliografia se contam mais de 300 trabalhos publicados, principalmente na área de História, nomeadamente os seus estudos  da Guerra Peninsular, ou no âmbito da cultura portuguesa (e aqui temos estudos de José Régio, António Sérgio ou passando pela “Seara Nova”), no caso das investigações e das publicações sobre a República destacamos os seguintes títulos, todos publicados em 2010: “Os Postais da Primeira República”, “O 5 de Outubro por quem o viveu”, “Os Homens do 5 de Outubro”, “Nos Bastidores da Revolução”, “A Carbonária em Portugal: 1897-1900”, entre outros.
Com o livro “A Guerra das Laranjas” ganhou o Prémio Fundação Gulbenkian da História Moderna e Contemporânea da Academia Portuguesa de História em 2004. O Prof. António Ventura tem colaboração em inúmeras publicações periódicas, realçando-se “Colóquio-Letras”, “Revista de História das Ideias”, “Revista da Faculdade de Letras”, “Revista da Biblioteca Nacional, “Lusitânia Sacra”, entre outras.
A conferência realiza-se no Museu Bernardino Machado, em V. N. de Famalicão, no próximo dia 21 de Outubro, sendo a entrada gratuita e com a entrega de certificado de presença.