domingo, 4 de setembro de 2011

olga valeska





EXISTEM PALAVRAS
que  aprenderam os segredos do silêncio.
Elas atravessaram vagalhões
destruíram mundos e,
num sussurro,
adomeceram

EXISTEM SILÊNCIOS
que souberam espreitar
as dobras obscuras da vida.
Agora,
eles projetam sombras na Lua
(e ninguém vê)

Olga Valeska








luís serguilha

Revelámos duplamente o império acromático dos calores
                                       nocturnos

Luís Serguilha


Mar de palabras donde naufraga todo Ulises. Embarcacoes, A singradura do Campinador y Hangares do Vendaval, forman parte de una escritura única, de un oleaje que nace del mismo epicentro y con un mismo impulso. Todo poema o libro de Luís Serguilha puede y debe ser leido de manera aleatoria, sin un orden lineal, cronológico, o logocêntrico. No hay centro, no hay logos, no hay linealidad posible en esta escritura rizomática que se propala, multidireccional, por imantaciones fónicas, por derrape metonímico, por combinación ondulatoria de vocablos, por antítesis, por metástasis de fecundidad, por reverbero. Psicosis del lenguage. Situaciín limite de un decir que se anula y se ocluye por saturación, por demasía, por supernova en su estallido. Oclusión y estallido convergen, sin contradicción alguna,. Inseminación centrífuga de sentidos y, a sua vez, retención y tensión. Hoyo negro. Un infinito en/hacia todos los sentidos y direcciones imposibles.

Victor Sosa


sábado, 3 de setembro de 2011

portuguesia


"E para quê poetas em tempo indigente?"
Holderlin, Pão e Vinho

"Que na verdade a poesia seja também tarefa para um pensamento, eis o que ainda temos de aprender neste instante do mundo. Tomemos o poema como um ensaio de meditação poética."
Heidegger, Para quê poetas?

Longo é o caminho. Tomemos a seguinte proposição: o mundo não se encanta com o humano, nem o humano com o mundo, na medida em que o humano esqueceus-se simplemente de espantar-se consigo próprio no mundo. Não é o mundo que foge do humano: é o humano que foge de si mesmo e do mundo. O mundo também se esquece de si mesmo e do humano naquilo que ambos poderão ser. Devido ao tempo indigente dos nossos dias. Devido, possivelmente, a uma certa indiferença do humano pelo humano. Mais do que utopias neste tempo indigente, sem graça (não a divina, mas a graça humana), de um presente incerto, hoje precisamos de um novo reencantamento do mundo nessa figura protótipa e excelsa do espanto. Com o espanto nos imergimos, nascemos, para a emersão da palavra poética, da linguagem poética, enquanto mundividência, e assim temos a palavra poética em acto, a abertura. Desta forma surge a cultura, na representação dos valores do humano, naquilo que ainda se acredita em tempo indigente como o nosso. Imergir supões a interioridade em transe para a emersão de um imergir que se transcende, digamos, uma uma in-transcendência que revive a interioridade humana e a exterioridade do dizente poético no mundo. Um dizente poético que investiga, explica, representa, contempla a sua própria experimentação enquanto mundividência que se espanta perante a criação de um mundo imagético feito alegoria, e faz história, a sua e a do mundo. Clarifique-se: o dizente poético do mundo não é o dizente poético mundano. Deixa o mundo entrar nessa in-transcendência, para se reinventar a si e ao mundo entre nascimento, a vida, eros e a morte, em palavra aberta enquanto clareira, que se arrisca no apalavramento poético, para o clarear da casa. Assim será possível o reencantamento do mundo espantando-se no espanto na origem do questionamento permanente. Reencaminhe-se o espanto para uma nova luz neste tempo indigente, para uma nova desocultação daquilo que somos ou pretendemos ser no mundo. O caminho é longo e tudo tem um novo iniciar.

Texto lido na "Portuguesia: Festa da Poesia Lusófona", 3.ª edição, em S. Miguel de Seide, Centro de Estudos Camilianos, 3 de Setembro de 2011

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

do poeta



"Tudo é igual por tudo ser diferente. Nomear é ser."

Octavio Paz



"O poeta não é um «pequeno deus» mas um ser caído."

"Escrevemos para ser o que somos ou para ser aquilo que não somos. Num e noutro caso buscamo-nos a nós mesmos. E se temos a sorte de nos encontrarmo-nos - sinal de criação - descobriremos sempre que somos um desconhecido."

Octavio Paz

camilo "imperador da língua"




quinta-feira, 1 de setembro de 2011

famalicão 1945


"... só há homem, quando se faz o impossível; o possível todos os bichos fazem."
Agostinho da Silva, Sete Cartas a um Jovem Filósofo



O ano de 1945 é marcado, indiscutivelmente, pelo fim da II guerra mundial, que causou mais de 70 milhões de mortos!!! Não há palavras!!! O jornal famalicense "Estrela do Minho", e que neste mesmo ano comemorava os seus cinquenta anos de existência, deu destaque, como não podia deixar de ser, ao acontecimento. Aind antes, a 15 de Abril, noticia o falecimento de Roosevelt - "Morreu Roosevelt, Presidente dos Estados Unidos e Cidadão do Mundo". Neste mesmo dia anuncia a "Libertação de Paris", um texto sem indicação de autor, anunciando o herói do dia: DeGaulle. A 8 de Maio, el letras pretas e grandes anuncia que "ACABOU A GUERRA", com fotografias de Churchil, de Jorge VI e da Rainha de Inglaterra. A 13 do mesmo mês, José Casimiro da Silva escreve o artigo "Bendigamos a Paz, Bendigamos a Vitória", enaltecendo a Inglaterra, a América, a França e o Brasil; e diz-nos a dado passo o seguinte: "Era a vitória da força do direito, contra o direito da força; da justiça contra a prepotência; da liberdade sobre a escravidão, da civilização sobre a barbárie." Abaixo deste texto, surge um outro com o título, e sem indicação de autor, "Paris festeja a Vitória com Entusiasmo Delirante", com uma fotografia de DeGaulle, assim como uma outra, a do General Béthouard, transcrevendo o discurso do primeiro. A 20 de Maio transcreve as palavras de Salazar declaradas a 18 na então Assembleia Nacional, que anunciou a "neutralidade colaborante" de Portugal e a realização de "novas eleições". Pela Reuter, anuncia em título que "Por Intermédio da Rússia o Japão pediu a paz aos aliados, mas estes só a concederão se ela for aceite incindicionalmente". E a 19 de Agosto noticia a derrota do Japão, acabando definitivamente a guerra. Publica dois textos sobre o acontecimento do então jovem advogado famalicense Lino Lima: i) "A Besta Nazi" (em 13 de Dezembro) e ii) "Vitória da Paz" (em 30 de Dezembro).





Fundado em 1895, o seu primeiro número é de 4 de Agosto, o "Estrela do Minho" comemora as suas bodas de ouro. No editorial, com a fotografia do fundador, Manuel Pinto de Sousa, diz-nos Casimiro da Silva que "o objectivo supremo" do jornal "é, foi sempre a sua terra a sua senhora e sua amada. Por ela se bate  inteira se lhe consagra. É a sua grande-pequena Pátria." Reproduz o seu primeiro número. Destaca a 29 de Setembro as Festas de Setembro de Famalicão, e a sete de Outubro o mesmo Casimiro da Silva comemora os trinta e cinco anos da implantação da República em Portugal com o texto "Princípios", lembrando Sousa Fernandes, o primeiro presidente da Câmara de Famalicão na era republicana. E no âmbito da proposta de Salazar de novas eleições para a então Assembleia Nacional, a oposição democrática do distrito, incluindo em Famalicão, organiza-se, realizando um comício no Salão Olímpia. A solicitação da reunião é assinada por Joaquim Malvar, Daniel Rodrigues, António Cleto Malvar, Álvaro Marinho, Álvaro Simões, Abílio Oliveira e Augusto Cerejeira de Faria. O mesmo jornal publica então, de Armando Bacelar, o longo relatório da organização da oposiçao democrática em Famalicão, a 4 de Novembro e, a 18^, o seu texto "Democracia", no qual diz que "a Nação está cansada" dos impostos e da falta de liberdade. De salientar, a criação da Fundação Narciso Ferreira, em Riba d`Ave, a segunda do género em Portugal, tendo sido a primeira a Casa de Bragança. Finalmente, na Tipografia Minerva, Agostinha da Silva publica, entre outros títulos, "Sete Cartas a um Jovem Filósofo".





Álvaro de Castelões - Rimas Orientais
Nuno Simões - Sobre a Indústria Nacional de Curtumes
Nuno Simões - O Conceito e a Evolução do Luso-Brasileirismo
Artur de Vasconcelos - A Portuguesa
Artur de Vasconcelos - Relevos de Portugal
Francisco Torrinha - Alterações Ortográficas
Jaime Cortesão - Elogio Histórico de Bernardino Machado
Nuno Simões colabora no livro "As Grandes Figuras da Humanidade: História Geral das Civilizações", sob a direcção de Lopes de Oliveira, com o texto "Turgot: 1727-1781", no quinto volume.
É publicado o suplemento "Minho-Ala-Cinco", no jornal "Notícias de Famalicão", com a direcção de Abel Folhadela de Macedo
Santa Casa da Misericórdia - Reforma de Estatutos
Estatutos e Regulamento Particular da Irmandade de Nossa Senhora do Carmo
A "Gazeta dos Caminhos de Ferro" de Lisboa, com a direcção de Carlos de Ornellas, publica o artigo de José Casimiro da Silva "Vila Nova de Famalicão e o Progresso Espantoso de Riba d`Ave"
Maria Manuela de Sousa Araújo ganha o Prémio Viana da Mota, então instituído pela Emissora Nacional



arco-íris

agora que chove, a seguir ao ao jantar e ao café, este toque antes do jantar da natureza, da rua de são bento.