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sexta-feira, 18 de maio de 2012

maçonaria portuguesa, século xix


A IV Conferência do Ciclo de Conferências “A Maçonaria em Portugal: do século XVIII ao século XXI”, organizado pelo Museu Bernardino Machado, tem, desta vez, como convidado o Mestre em História do Século XX António Lopes, com a tese subordinada ao tema “A Maçonaria em Portugal e os Açores 1792-1935”.
Director do Museu Maçónico Português entre 2003 a 2011 (tendo efectuado uma profunda intervenção em matéria de investigação, apresentação e conservação do seu espólio, assim como na imagem e na comunicação, tendo sido, aliás, o Museu reconhecido internacionalmente entre os seus congéneres a nível europeu. Merecendo, igualmente, da Câmara Municipal de Lisboa a distinção de ter sido considerado um equipamento de relevante interesse cultural e turístico para a cidade), António Lopes é Presidente da Associação Portuguesa de Arte Fotográfica e Director da revista “Grémio Lusitano”, desde 2008.
Co-autor do “Dicionário de História da I República e do Republicanismo”, numa edição da Assembleia da República e em vias de publicação, António Lopes já publicou “República e Republicanos em S. Miguel” (2011), “A Maçonaria Portuguesa e os Açores 1792-1935” (2008) e “Gomes Freire de Andrade – um retrato do homem e da sua época” (2003) e foi co-autor do livro “Amor da Pátria” (2010), livro que representa uma história da Maçonaria na ilha do Faial, e coordenador e autor da obra “A Maçonaria  a Implantação da I República” (2009), livro este editado pela Fundação Mário Soares e pelo Grémio Lusitano.
Para além de já ter participado em várias conferências e colóquios, cujas temáticas têm incidido particularmente sobre a I República, a Maçonaria e a Fotografia, António Lopes é Director da Escola de Fotografia da Associação Portuguesa de Arte Fotográfica, assim como coordenador e professor desde 1998.
Neste âmbito, e paralelamente à actividade de historiador, António Lopes é crítico de arte e de fotografia para a revista “Artes e Leilões”, jornal “Expresso” e a “Capital”, tendo igualmente vários artigos sobre a história da fotografia em Portugal em revistas, tais como, por exemplo, “Foto e Fotografia”. Realça-se nesta sua actividade o trabalho “Histórias de Cavalos de Ferro”, levantamento fotográfico e histórico do património ferroviário português desactivado, tendo sido considerado de “relevante interesse cultural” pelo então Ministério da Cultura, e cujo trabalho foi apoiado por diversas entidades, nomeadamente o Centro Português de Fotografia.
A conferência de António Lopes com o título “A Maçonaria no Século XIX, em Portugal”, tem início às 21h30 no Museu Bernardino Machado, de Vila Nova de Famalicão, no próximo dia 25 (Sexta-Feira)sendo a entrada gratuita e tendo os participantes o respectivo certificado de presença.
De relembrar que as conferências deste V Ciclo são acreditadas pelo Conselho Científico da Formação Contínua de Professores, nomeadamente para os professores de História, Filosofia e de Sociologia.

sábado, 21 de abril de 2012

bernardino machado II tomo política


para o dr. manuel sá marques, com um abraço afectuoso de saudades e de cordeal amizade


a mesa antes da apresentação do II tomo-política da obra de bernardino machado

 

o prof. norberto cunha e o dr. paulo cunha, vereador da cultura da câmara municipal de vila nova de famalicão, num momento de convívio

o eng. miguel machado, neto de bernardino machado, e o dr. sá da costa, em convívio


o dr. paulo cunha e o prof. norberto cunha na mesa


No dia 21 de Abril, pelas 16h00, no Museu Bernardino Machado, em Vila Nova de Famalicão, apresentou-se o III Volume-Tomo II Política da Obra de Bernardino Machado, com a presença do Vereador da Cultura e Vice-Presidente da Câmara Municipal, Paulo Cunha. Afirmando a responsabilidade da Câmara Municipal na divulgação do pensamento multifacetado de Bernardino Machado, é através do Museu Bernardino Machado que traz para o público, para o exterior, o pensamento de Bernardino Machado, e que, desde 2007, o seu pensamento tem sido divulgado através da ciência, a pedagogia e a política.
Realçou o Vereador da Cultura que na imprensa da época Bernardino Machado era chamado de “apóstolo da democracia” e o “eminente pedagogo”, e entre o monárquico liberal e o republicano, salientou Paulo Cunha que para Bernardino Machado a revolução deveria fazer-se não pelas armas, mas pela política. Desta forma, com este II Tomo, entre o regicídio e a implantação da República em Portugal, colhe-se as reflexões e os pensamentos de Bernardino Machado, o qual, para além de ser uma referência no concelho de Vila Nova de Famalicão, tem um legado pedagógico e político para as gerações futuras.

Por seu turno, o Prof. Norberto Cunha, coordenador científico do Museu Bernardino Machado e das Obras de Bernardino Machado, apresentou o II Tomo da Obra Política em três aspectos: se, por um lado, reúne os textos de Bernardino Machado publicados em livro, na imprensa periódica e de conferências, por outro lado, abarca as ditaduras administrativas entre Ferreira do Amaral e Teixeira de Sousa. Os temas principais que se destacam são, principalmente, as críticas, no campo económico, de Bernardino Machado, assim como do Partido Republicano, ao engrandecimento do poder real, (cuja temática se reflecte nos dinheiros do erário público dados à Casa Real à revelia da Câmara dos Deputados),e os escândalos financeiros; num segundo momento, que se relaciona com a ideologia republicana, temos a defesa de Bernardino Machado perante a descentralização municipal, na suas próprias palavras “as franquias municipais”; num terceiro momento, surge a questão religiosa, anunciando já a lei da separação, problemática que Bernardino Machado não pretendia atacar a Igreja, mas sim o que pretendia era a separação dos poderes; numa quarta questão temática do II Tomo, surge a questão económica e social, numa conciliação entre o capital e o trabalho, numa base e de sentido de equidade social, acreditando aqui no estado demo-social. Aliás, considerando Bernardino Machado como um homem equilibrado, o Prof. Norberto Cunha salienta que mesmo perante o socialismo, este, para Bernardino Machado, deveria ser compatível com a democracia, e relativamente ao comunismo, Bernardino Machado não aceitava uma igualdade à força. Perante a revolução, o argumento de Bernardino Machado era de que a revolução pode ter boas razões, mas ao certo não sabemos as suas consequências. O ideal seria para Bernardino Machado, para a mudança das instituições, pela atracção, pela persuasão, com a matriz do diálogo para que os republicanos pudessem então realizar a “revolução” sem armas, realizando-se através de eleições transparentes para que se possa votar em liberdade e em consciência. O “empata revoluções”, como então lhe chamavam os seus correligionários, nunca esteve contra a revolução, só que não aceitava uma revolução voluntarista e impreparada.
O Prof. Norberto Cunha termina a apresentação do II Tomo da Obra Política com uma reflexão: abarcando os anos de 1908 a 1910, abarcando as ditaduras administrativas, nas quais não se falava de política, o que surgiram foram os tecnocratas no poder, ditaduras que Bernardino Machado repudiou, apesar da tentativa de apaziguamento de 1908; e hoje, o fenómeno é um pouco idêntico, com os tecnocratas no poder.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

bernardino machado, eleições locais, 1909


para o dr. manuel sá marques, com o meu abraço cordial de amizade fraterna

Estamos nas vésperas das eleições locais.
Se vivêssemos sob um verdadeiro regime monárquico-liberal, tão conservador como progressista, se a Monarquia Liberal entre nós fosse, como devia ser, uma transição contínua e segura do absolutismo para a República, ninguém hesitava em ir à urna. Todos caminharíamos juntos dentro da lei.
Eleger é a obrigação que normalmente se impõe a todo o cidadão livre. Enquanto se não puder fazer o Governo directo do povo pelo povo, como até na sua confederação já vai fazendo a Suíça pelo direito de iniciativa e de referendum, a eleição é a única origem legítima da autoridade. E, assim como o Governo do Estado, só representando geuinamente a opinião pública, conquista a confiança e o respeito de nacionais e estranhos, assim também o governo local necessita para ter força, perante os seus governados e perante o Governo central, de se basear no voto popular.
Eleições e leitos para o Governo local preparam e habilitam mesmo eleições e eleitos para o Governo central. Façamos a República local, que assim iremos fazendo a nacional. E nas localidades onde vencermos a eleição ou onde obtivermos maioria, aí teremos já oficialmente proclamada a República. Os grandes Estados Unidos da Austrália dão-se mesmo por lei esse nome dentro da tradicionalista mas liberal Monarquia inglesa.
Mas, se o regime governativo se torna ditatorial, é ele mesmo que, suprimindo a eleição livre, precipita a revolução.
Quando vim para o Partido Republicano, ainda a revolta contra a ditadura do engrandecimento do poder real, de [18]94 a [18]97, sobreexcitava os ânimos e, por isso, persistia dele uma forte corrente anti-eleitoral. E agora, depois da última ditadura do engrandecimento do poder real, de 1906 a 1908, alguns correligionários tomam os trabalhos eleitorais como um arrefecimento condenável, quase diríamos uma capitulação.
Não há tal.



É certo que, em toda a parte onde a massa republicana, não tendo alcançado ainda o predomínio, a força incontrastável de que já dispõe sobretudo em Lisboa e Porto, não desarma as cabalas reaccionárias, a eleição é desde o recenseamento até ao escrutínio final uma fraude. A própria lei eleitoral, que viola o direito ou antes a obrigatoriedade do sufrágio universal, o é. E, mesmo que o Partido Republicano vença a eleição, como vai sucedendo, enquanto ele não obtiver a maioria no Parlamento, a centralização de todas as corporações no Estado e do Estado no seu Chefe, oprime, cerceia e chega muita vez a anular toda a acção legisladora e administrativa dos eleitos do povo. Não há dúvida!
Mas a prova da virtude da eleição é que, nem assim, os governos reaccionários vivem tranquilos com o parlamento e as corporações locais de sua lavra. Eles bem os afeiçoam à própria imagem; apesar, porém, da deturpação da sua origem, o seu título electivo introduz-lhes um tal fermente de revolta, que os torna incompatíveis com eles e eles não têm remédio senão dissolvê-los. É a história do último reinado em Portugal.
E tanto a eleição, ainda sob as maiores pressões, é suspeita aos monárquicos, que adiam-na, sempre que podem. Fogem dela como o diabo da cruz. Tivemos agora um exemplo frisantíssimo disso. Sabem-no!



O Governo neo-liberal, presidido por João Franco, tinha adiado indefinidamente as eleições locais, e na época em que as localidades deviam pelo seu voto renovar as suas corporações dirigentes, substituiu-as por comissões administrativas de nomeação régia. Era a ditadura em toda a sua insolência! E que fazem em seguida os partidos liberais históricos? Restabelecem as antigas corporações eleitas, que eram em geral da sua feição política, e não apenas interinamente, até haver outras novamente eleitas que lhes sucedessem de direito, mas indefinidamente, porque deixam ao mesmo tempo de pé o adiamento sine die das eleições. Isto é, à ditadura franquista da nomeação das comissões administrativas segue-se a ditadura rotativa da prorrogação do poder às velhas corporações eleitas, transformadas desta arte em outras tentas meras comissões administrativas também. Ficou, portanto, tudo na mesma, mudado apenas o pessoal do Governo local do franquista para rotativo, e nem isso sequer realmente, porque as clientelas não têm dono certo, pertencem ao poder, e muitos rotativos se haviam já, por esse país fora, feito franquistas, como ultimamente vários franquistas se têm tornado rotativos. E ainda por fim os dois partidos históricos monárquico-liberais, assestando as baterias da funambulesca escolástica com que quase por toda a parte encobrem a sua falência intelectual e moral, inventaram para prolongar essa ditadura uma opinião jurídica, que é perfeitamente típica. Tendo submetido o decreto ditatorial do adiamento das eleições locais ao veredictum do Parlamento, deixaram-no lá pendente, e, uma vez encerrado o Parlamento, declaravam-se, em atenção a ele, coactos e impossibilitados de proceder às eleições locais, como ordena a lei. É até onde se pode levar a mistificação! Para que é que a estes pseudo-liberais servem as prerrogativas da representação nacional? Para cobrir à ditadura, que é a sua violação flagrante. Os escrúpulos da legalidade são para manter a ilegalidade.



Ainda bem que o Sr. Ferreira do Amaral não adoptou semelhante hermenêutica. E mão teve para isso de formar qualquer pacto com republicanos, bastou-lhe formá-lo com a sua consciência. Pena foi que não derrogasse logo de princípio toda a obra ditatorial que encontrou, e, que por o ser, toda devia ser logo declarada irrita e nula. Havia já direitos adquiridos? Não há nenhum senão pelo império da lei, dissessem sem embargo o contrário alguns juízes a quem infelizmente está confiada a sua guarda. Era mesmo o justo castigo infligido a quantos se haviam servilmente aproveitado da ditadura, tornando-se seus cúmplices. E ficava de escarmento e lição para futuro.
Mas o procedimento dos franquistas e rotativos contra a eleição denuncia claramente o medo que têm dela!
E a prova também da virtude eleitoral está em que, onde há um eleitorado valoroso e onde ele triunfa nas suas lutas, parcialmente que seja, em minoria, já o regime tem forçosamente de reprimir a arbitrariedade dos seus desmandos ditatoriais. A morte do franquismo começou no dia em que ele expulsava do Parlamento dois Deputados republicanos. Que é que sustenta o actual Parlamento contra as ameaças rotativas e o defende das suas investidas? É, mais que tudo, a presença lá dentro dos representantes legítimos da Nação, dos nossos representantes populares, embora só sete. E porque é que o Presidente do Conselho, com o seu são naturalismo, venceu agora a escolástica jurídica dos rotativos? Porque há hoje um eleitorado, principalmente em Lisboa, consciente dos seus direitos, que, custe o que custar, os quer fazer valer.



A força que neste momento o Presidente do Conselho possui incontestavelmente sobre todos os outros monárquicos, que mais dependem dele do que ele deles, o seu prestígio político provem-lhe da força que lhe tem dado o seu maior respeito pelas liberdades parlamentares, pelas liberdades locais e pelas liberdades de imprensa e de reunião, o que vale o mesmo que dizer pelo princípio electivo e pelo eleitorado. Pode viver com uma oposição parlamentar republicana, não receia viver com vereações republicanas, e não teme mesmo pôr-se em contacto com o povo, senão em comícios republicanos, em reuniões onde os republicanos se acham em grande maioria. A força que isto lhe dá é tamanha, que quebrou em parte as desconfianças de militarismo com que foi recebido à entrada para o Governo; e tudo, o artigo 5.º ao adiantamentos, o incremento clerical, até as tremendas chacinas de 5 de Abril, tudo por isso a opinião atribui muito menos a ele do que à reacção que o cerca e ilaqueia.
Em minoria que estejamos no poder, fiscalizamo-lo; e assim se começa a tomar conta dele. E, ainda mesmo que percamos uma e outra eleição, não há nunca esforço perdido. Quando um corpo cai sobre outro, pode não o despedaçar, mas aquece. Também em todas estas lutas cívicas aquecemos e vamos mais e mais excitando em nós o espírito revolucionário.



Sim! Todos os republicanos portugueses somos revolucionários, não o podemos deixar de ser, somo-lo por necessidade.
A revolução é o conflito fatal entre um regime que se torna cada vez mais reaccionário e uma sociedade que se torna cada vez mais avançada. Não podendo operar-se o progresso da Nação pelo progresso das instituições, opera-se em luta contra eles; e, não podendo, portanto, chegar-se à República pela evolução do poder, tem de chegar-se lá pela revolução popular. É inevitável. E é o que tem de acontecer entre nós, porque nos últimos anos a nação portuguesa incessantemente progrediu e o regime incessantemente retrogradou.
Mas não será possível ainda renovarem-se liberalmente os velhos partidos monárquicos? Respondem por nós que não as moções com que nas assembleias rotativas foram há pouco abafadas pelos chefes as vozes dos partidários independentes; e isto no transe em que essa afirmação de independência era o único sustentáculo da vida desses partidos contra a invasão franquista. E a resposta é peremptória. Não! Rotativismo quer dizer reacção política, como franquismo quer dizer reacção clerical. E com homens ou em volta de homens saídos desses partidos não serão viáveis novos partidos liberais? A experiência com João Franco, que era um temperamento e um carácter despótico, falhou; mas vingará com Ferreira do Amaral, que é, pelo contrário, de temperamento e carácter liberal? O Sr. Ferreira do Amaral, quem é, pelo contrário, de temperamento e carácter liberal? O Sr. Ferreira do Amaral já está no poder há nove meses, e que é do seu partido? Dentro da Monarquia é possível organizarem-se novos partidos reaccionários, como se organizou o franquista, como se vai organizando o nacionalista; mas um partido liberal, não! Aí têm a tentativa do grupo alpoinista! São longo os próprios monárquicos que o não deixam viver.




O aparecimento ou desaparecimento dum homem, Chefe do Estado ou Ministro, não altera nunca profundamente o curso dos acontecimentos ao ponto de, com esse homem, desaparecer um regime ou aparecer outro.
Morto o Rei e exilado o seu Primeiro-Ministro, que mudou? Dum lado prossegue o movimento republicano da sociedade portuguesa, do outro o movimento absolutista do regime, e as duas correntes seguem logicamente o seu curso, caminhando uma contra a outra. Que conseguiu a opinião liberal? Sempre conseguiu manter aberto o Parlamento com os Deputados republicanos; conseguiu nele a votação do orçamento e a discussão dos adiantamentos ilegais; e conseguiu dele um subsídio para os monumentos a [Marquês de]Pombal e a [Joaquim Augusto]Aguiar. Foi muito pouco, mas foi já alguma coisa. E a reacção? Ai! A corrente do engrandecimento do poder real, se não engrossou, persiste, ainda não foi sustada. O gabinete, com o Sr. Ferreira do Amaral na presidência, é não de restauração liberal mas de concentração monárquica, de modo que a obra do engrandecimento do poder real foi pela velocidade adquirida ainda além do que era com o Sr. João Franco, porque então ele só se atreveu a querer compor o ministério do Rei com progressistas, e nem com esse pode inteiramente, agora são progressistas e regeneradores todos juntos que voluntariamente o constituem. E, para maior ser a semelhança, é ainda o partido progressista, talvez o mais enfraquecido dos dois pelas suas apostasias, que principalmente lhe dispensa a sua cooperação. Assim se vão dissolvendo irremissivelmente os partidos históricos, convertidos em desdobramentos do poder, em clientelas, e o absolutismo do chefe do estado substitui-se ao dos chefes dos partidos. Nada mais lógico: é a história que se repete.


Quem pode ser liberal a dentro da Monarquia? Uivam-lhe logo em torno os mais cruéis doestos. Vejam como os seus paladinos tratam o Sr. [Ferreira do]Amaral! Quando o não chamam demente, acusam-no de traidor à Monarquia, chamando-o sarcasticamente o delegado do Partido Republicano junto do trono. E assim são eles próprios, os monárquicos, que fazem com que liberal seja sinónimo de republicano e por conseguinte com que só um Governo republicano possa hoje em Portugal ser um Governo liberal.
Não! Já não é lícito confiar na regeneração do regime. E ninguém imagina encontrar no povo português a quantidade de boa fé simples, ingénua, de que falava Oliveira Martins. Os desenganos dolorosos, tão repetidos, extinguiram-lha. O único recurso de salvação nacional é, não há outro, a revolução.
Mas revolução não quer dizer subversão geral. Será, pelo contrário, apenas o abalo momentâneo indispensável para arrancar a nação às causas de desordem que, dia a dia, a minam e subvertem, e restabelecer nela para sempre a ordem e a paz, harmonizando as instituições com a sociedade.



Não somos revolucionários por intemperança, como se o nosso partido fosse constituído por uma boémia juvenil, espécie demagógica de marialvas sempre propensa a distúrbios, fazendo da revolução um sport, ou só por bandos de revoltados da miséria, sempre em crispação de cólera, fazendo da revolução uma arma odienta de represálias sociais. Os novos estão certamente connosco, e nós estamos sempre de coração com todos os desgraçados, mas para os conduzirmos e disciplinarmos amoravelmente, não para sermos por eles arrastados nos desvarios das suas paixões. E, para os conduzirmos não precisamos de romantizar a sua exaltação, pondo-a em drama de capa e espada, não preconizando senão a conspiração misteriosa no ermo, nas trevas, com pistolas e espingardas escondidas. A conspiração que não é senão a propaganda armada feita clandestinamente, é decerto legítima, porém só para as justas reivindicações vitais que o despotismo violento do poder não permite fazer numa propaganda pacífica, à luz do dia. Uma não exclui a outra. E a propaganda franca de princípios é que é normalmente a nossa, porque nunca vamos até á violência senão para respondermos à violência. Há dentro do Partido Republicano profissionais, artistas da revolução, que acreditam que a revolução é como certos remédios que os médicos recomendam que se agitem antes de se tomar? O partido não os acompanha. Ele já não está na idade de confundir revolução com agitação teatral. Todos nós, republicanos, devemos dar a vida para defendermos a nossa causa, quando os nossos adversários, transformados em nossos inimigos, nos combaterem com as armas na mão; mas, assim como condenamos o duelo entre os indivíduos para julgamento de agravos pessoais, também por nossa vontade não levamos medievalmente o nosso ponto de honra político até lhe confiarmos o dos nossos pleitos partidários. É ao júri de honra, à sentença da opinião pública, que, por nossa parte, sempre queremos submeter.
Tão pouco somos uns fanáticos da revolução, que a adoremos em êxtase nirvânico, esperando que ela, por mercê especial à nossa invocação, desça um dia milagrosamente do céu até nós, sem nada fazermos por ela, como um beato que passe a vida inteira a rezar ao seu deus, deixando ocorrer à revelia toda a demanda dos seus mais sagrados direitos. Esses revolucionários parecem-se muito com as donas de casa que, a todo o momento, ameaçam as criadas com a expulsão: e elas vão ficando e fazendo quanto querem. Se os há entre nós, não são a massa do partido, cimentada pelo povo, que o trabalho educa no esforço paciente, serão apenas alguns intelectuais, a quem a família pôs para sua sustentação a mesa em casa, a quem a sociedade para a sua instrução pôs a mesa espiritual nas escolas, e que, saídos das aulas superiores, sem nunca serviram a ninguém, querem a toda a pressa que lhes ponham também para ali logo sobre a mesa o Governo do País. E, se lho não põem, amuam, como uns mimalhos. Raros deles, porém, têm a força do ânimo bastante para se conservar numa inacção ascética, à espera da revolução; a maior parte rendem-se logo de corpo e alma à reacção, que lhes acene com o poder. Raros, portanto, desses beatos revolucionários haverá dentro do Partido Republicano.



E muito menos ainda somos revolucionários como certos patrioteiros monárquicos, que enchem a boca com a autonomia e integridade da Nação, mas recusam-se ao serviço militar obrigatório e dão homens por si, substitutos para a defender. Nós não declinamos a defesa do nosso ideal no exército, que não desejamos que seja nem do Partido Republicano, nem do partido do Rei, mas da lei. Só num caso compreendemos e justificamos a insurreição militar, então mesmo julgamo-la até obrigatório, é quando o regime queria fazê-lo sem partidário servil, seu escravo. Ah! Então, se é legítima a violência contra a violência, quanto mais não o é, quando o poder intenta fazer do cidadão, por ser militar, pior do que a vítima, o algoz dos seus direitos!
A revolução redentora há-de estalar subitaneamente um dia, mas há-de ser preparada perseverantemente, laboriosamente, todos os dias, a cada minuto. O poder não evoluciona liberalmente para a República – não contemos com isso! – mas evolucionemos nós sem tréguas para ela pelo incessante exercício e progressivo desenvolvimento das nossas virtudes cívicas. Não há somente a evolução dos dirigentes, do regime, há também a evolução dos dirigidos, do povo, da consciência pública. Aquela evita a revolução, esta prepara-a para quando ela se torne necessária. Que é um soldado da República? É um cidadão acabado, perfeito, que, sem desumanidade para com ninguém, a não ser para consigo mesmo no ardor da refrega, todos os seus bens, até a própria vida, é capaz de dar heroicamente pela liberdade.
Esta capacidade de abnegação, de sacrifício pessoal, é que é necessário acender nas almas; e ninguém a adquire no isolamento, só na vida associativa se acendra e tempera. Por isso a segurança da nossa vitória final está fundamentalmente, está radicalmente na solidariedade cada vês mais perfeita da nossa organização partidária. Cada vez somos mais numerosos e mais unidos.
Porque a nossa união não é mais incompatível com a mais desafogada crítica dentro do partido. Pelo contrário, vive dela. Se somos precisamente um partido de livre exame, não o havíamos de fazer só aos actos dos outros, mas aos nossos próprios actos também, é claro! Porque é que os partidos monárquicos se despedaçam e esfacelam? É porque entre eles não há ideias, não há lutas de princípios, E porque é que o Partido Republicano se robustece dia a dia mais? É que cada dia vão cabendo melhor dentro dele todos os ideais humanos. Politicamente, economicamente, religiosamente, têm dentro dele lugar todos os liberais, desde os mais conservadores até aos mais radicais, desde o capitalista até ao proletário, e desde o livre-pensador até ao crente católico. Somos a liberdade, a tolerância para todos, inclusivamente para os adversários, e é até por isso que, sendo de todos a nossa causa, havemos de vencer. A luta de ideias modera e refreia a luta de interesses e de paixões, apazigua.


Nós reunimo-nos tanto mais quanto mais discutimos. Sejamos, pois, um partido tanto de crítica, que nem com os seus excessos nos alvorocemos. Há críticos que, à força de querer dar mais uma opinião ao partido, não aceitam nunca a dos outros, nem por muito tempo a sua própria? Desculpem-se ainda os que vão na campanha da sua crítica até ferir por vezes o partido. Coitados! Façamos justiça ao sentimento que os move. Eles são como certas pessoas tão zelosas da sua família, que, ao menor defeito que lhe imaginam, irritam-se extraordinariamente com ela. Não é preciso que ninguém do partido, nem o seu directório, os avise, porque eles sofrem logo o doloroso castigo de ser avisados pelos adversários, que lhes reproduzem e perfilham pressurosamente, com irónico aplauso, as suas palavras. E sucede-lhes como quando, depois de grazinarmos demais nossos filhos em público, ouvimos estranhos dizerem o mesmo mal deles: ficamos furiosos!
Temos certamente uma disciplina, mas voluntária. O Directório está obrigado a expor as suas opiniões lealmente aos seus correligionários, mas escusado será acrescentar que não pretende nunca impô-las a nenhum. Estamos num partido onde não há dogmas. Governa-o a cada hora quem, ainda que fora dos corpos dirigentes, achar e exprimir a fórmula que se esboça na consciência geral republicana. Esse, se não está no directório, é quem governa de facto, e para lá irá de direito na primeira ocasião. Por isso, no Partido Republicano não é lícita a revolta contra os governantes, e, se algum conspirador a tentar, só se for para se adestrar cá dentro para a grande revolta lá de fora. Não faz muito mal!
De resto, na moral, como nas ciências físicas, há verdades adquiridas, principalmente já solidamente demonstrados, pelos quais estamos todos ligados superiormente. Perante eles cessam todas as nossas divergências. Todos temos um programa comum dentro do Partido Republicano. E são as verdades, os princípios inscritos na nossa bandeira que neste momento desfraldamos na arena das eleições locais.



Pugnamos, antes de tudo, pela emancipação política das localidades, pela sua autonomia, de tal modo que nenhuma delas seja a inimiga das outras, mas, respeitando mutuamente a sua independência, todas convirjam ao mais perfeito consenso para o funcionamento integral da nação. Esta emancipação é a da localidade; mas há a dentro dela também a de cada um dos seus concidadãos, a quem pertence de direito, seja quem for, o voto directo na gestão dos negócios locais, e há a de cada partido, a quem igualmente de direito pertence ter nos corpos gerentes uma representação proporcional às suas forças. É o exercício de todos os direitos locais, toda esta vida política regional, queremos que se difunda logo na instrução e educação cívica por todos os membros de cada comunidade.
Propugnamos juntamente pela emancipação económica das localidades. E, para isso, reclamamos o equilíbrio do seu orçamento – nada de deficit e nada de novas dívidas! – e reclamamos a extinção progressiva de todos os monopólios, para que as localidades administrem cooperativamente os bens colectivos. Conhecem a história do galego, recém-chegado a Lisboa? Escrevendo à família, dizia: – «Esta gente é boa, mas tola; a água é dela e nós vendemos-lha.» É o que se passa com as múltiplas companhias, em cujas mãos se têm amortizado quase todos os rendimentos locais. Aproveitemo-los escrupulosamente. E, levando ao governo local homens de negócios, habituados a poupar, amealhemos, sobretudo, para os pobres. Onde, como dantes, os baldios para eles? Pois devem tê-los por toda a parte. Luz, ar e água para os pobres! Construa-se em Lisboa uma casa para as reuniões do povo; construam-se casas baratas para operários, desobstruindo para os arrabaldes os velhos bairros infestos à saúde e à moral da cidade; construam-se escolas primárias – hoje só há uma com edifício próprio! – construam-se balneários públicos – ainda hoje não há nenhum! E subsidiem-se generosamente com quanto se possa todas as obras de higiene e de assistência popular e, sobretudo, maternal e infantil.


Finalmente, reivindiquemos para as corporações territoriais a liberdade de amar, o que se pode chamar a sua emancipação religiosa. Até agora as festas locais têm-se celebrado quase só em honra dos grandes e poderosos. Que de futuro haja, sobretudo em cada terra as festas do nosso carinho pelos humildes, pelos pequenos, as festas do povo e das crianças! Sobretudo para o povo e para as crianças se aformoseiem as ruas, os parques e jardins das cidades!
E advirtamos que toda a autonomia local tem de começar logo no acto eleitoral, está inicialmente nas mãos do eleitor. Eleições locais livres vibram o primeiro golpe no caciquismo e, portanto, na centralização administrativa, na tirania do Estado, no arbítrio monárquico. E tanto isso se compreendeu quase por toda a parte, que o grito de emancipação é: lista republicana! Ou então: lista da localidade! Isto é, onde a lista não pode ainda ser toda republicana, quer-se uma lista não política, para que não seja monárquica, para que não tenha a cor irritante de nenhum dos partidos, ou antes, de nenhuma das clientelas da Monarquia. E com razão! Faz grande diferença uma corporação de homens independentes ou de serventuários do poder. Sem cidadãos livres não há liberdades públicas.
Há monárquicos que não temem o nosso programa? Aceitemos a cooperação de todos os homens bons. Que venham connosco! Nada de acordos com caciques, com mandões das clientelas; mas estejamos sempre prontos a abrir os braços a todos os concursos desinteressados e altivos. Não pretendo descobrir a lei da atracção universal de todos os portugueses, nem mesmo sequer de todos os republicanos. Sei bem quanto é difícil a mais elementar das operações, a soma, quando se trata de homens. Mas não me cansarei jamais de pregar a atracção, a paz, na sociedade portuguesa. Contradição de revolucionário? Não! Eu sou revolucionário, como o médico de Molière, mau grado meu, ou, como Castilho traduziu, à força.

















 




domingo, 15 de abril de 2012

bernardino machado, orientação e táctica republicana (1909)

a caminho da apresentação do tomo II da obra política de bernardino machado, no museu bernardino machado, em vila nova de famalicão, no próximo dia 21 (sábado) pelas 16h00. para o dr. manuel sá marques, com o meu abraço de fraterna e cordial amizade.



Ninguém ignora a grandeza intelectual e moral de Basílio Teles, o poder construtivo da sua disciplinada mentalidade, a sua larga folha de serviços dedicados à causa pública, a sua vida estóica de exemplar abnegação pessoal. Como político, como economista, como escritor e orador, ele tem um lugar de honra entre as figuras primaciais do nosso tempo; e as suas claras virtudes cívicas impõem-no prestigiosamente à estima e ao respeito tanto de correligionários como de adversários. É, de direito, não só um dirigente do seu partido, mas de toda a sociedade portuguesa.
Não podia, portanto, este Centro, que hoje aqui se inaugura, condecorando-se com o seu nome ilustre, escolher patrocínio mais auspicioso. E eu venho associar-me gratissimamente a tão justa homenagem.
Muitas vezes se diz que devemos preito ao nosso ideal e não aos homens. Não é bem assim. Os princípios valem tanto mais quanto mais fraternalmente enlaçam as almas. Tão reaccionário é converter em desdém e ódio pelos outros o amor dos princípios como o amor de Deus. E, infelizmente, não há neste género só a reacção clerical, há também a reacção laica, que não é menos perniciosa. Conheço criaturas que gastam todo o seu coração com as ideias, não lhes sobrando dele nada para a gente. Pois a obra suprema, a obra sagrada da razão é a união social.
E, por isso, da cordialidade mútua de um partido, como o nosso solenemente testifica nestas festas, se infere com segurança a excelência do seu mote.
É que o nosso é a liberdade. Sem ela não há solidariedade humana. Sucede na sociedade como na química: não é o químico que faz as combinações, fazem-nas, sob a sua direcção, os próprios átomos entre si pelas suas recíprocas afinidades electivas. Coarctar-lhes a eles os movimentos é provocar conflagrações. Também na sociedade a união só pode provir da livre expansão das iniciativas individuais. E aí está porque hoje somos só nós, republicanos, com as nossas reivindicações liberais, que vamos ressuscitando em Portugal a vida colectiva, a vida nacional, desde a metrópole até ás colónias, cimentando assim solidamente para futuro o grande Portugal.
Porque é que a Monarquia nova se esfacela cada vez mais? O seu descalabro é o efeito fatal da sua reacção.
Politicamente, vejam quanto o decantado liberalismo do novo reinado já decaiu! Ao Ministério intencionalmente liberal de Ferreira do Amaral seguiram-se os Ministérios ponderadamente, isto é, atenuadamente liberais de Campos Henriques e de Sebastião Teles, e, por último, o Ministério diplomaticamente ou antes, equilibristamente, acrobaticamente liberal de Wenceslau de Lima. Economicamente, depois de uma sessão legislativa em que se levou o servilismo ao ponto de se aumentar a lista civil à família real, outra sessão em que, com servilismo ainda maior, se pagou a indemnização dos sanatórios à Alemanha, e, nos intervalos das sessões legislativas, fora da fiscalização e sanção parlamentar, o empréstimo fraude, assim denominado pelos próprios monárquicos; e o tratado ignominioso com o Transvaal. Militarmente, não falemos. Ainda agora a Monarquia nova acaba de exercer sobre um brioso oficial reformado do exército, que outro dia assistiu a uma conferência republicana, não uma legítima disciplina militar, mas uma revoltante opressão militarista.

Palacete Barão de Trovisqueira - Museu Bernardino Machado

Por isso, falido já o seu liberalismo, tanto politicamente como economicamente e militarmente, o novo reinado intenta chamar em seu socorro o sentimento religioso do nosso povo, apresentando-se-lhe como seu campeão. Mas, assim como, quando invocava a opinião pública, a Monarquia a atacou com os rotativos, e, quando invocava o interesse público e a ordem pública, os atacou com o franquismo, assim agora, que invoca o sentimento público, ataca-o com o clericalismo, o mais encarniçado inimigo dos direitos do nosso coração, do nosso amor de família, do amor pátrio.
O regime chegou à fase extrema da reacção e conseguintemente à sua dissolução final. No 4 de Maio, em seguida ás chapeladas da Azambuja e do Peral, pode dizer-se que morreu o rotativismo. No 1.º de Fevereiro, em seguida à liquidação ditatorial dos adiantamentos e às perseguições ferozes contra os republicanos, morreu, não há dúvida, o franquismo. Agora, após este explodir de ódios sectários, tem de vir irresistivelmente a morte do clericalismo. E será o fim da Monarquia.
Da nossa orientação e da nossa táctica depende que seja ao mesmo tempo o início do nosso renascimento nacional.
Qual deva ser a nossa orientação é muito simples: republicana, toda liberal e tolerante. A República não é nem livre-pensadora, nem colectivista ou comunista, nem anarquista [A República não é nem ateísta, nem colectivista ou comunista, nem anarquista], como não é tão pouco confessional, burguesa ou autoritária. Assim como a Nação, que abrange todos os cidadãos, o Partido Republicano abrange todos os democratas, quaisquer que sejam as suas crenças religiosas, os seus interesses económicos, as suas opiniões políticas. Garante a liberdade a todos, e a todos quer disciplinar e harmonizar pela livre obediência à lei.
E qual é a nossa táctica? Republicana também, toda de atracção, sem nenhumas pressões, como sem nenhumas transigências.
Não somos homens de violências – senão em que diferiríamos dos nossos adversários? – e nem sequer a mínima violência moral, a mínima pressão devemos fazer aos nossos adversários. Nada, por exemplo, mais legítimo do que erguermos vivas à República e ostentarmos os emblemas triunfais da causa republicana. São vivas e emblemas patrióticos. Não ofendem a ninguém. Festejar as conquistas da liberdade é festejar o engrandecimento do cidadão e da Pátria. Sem embargo, todas as nossas expansões jubilosas, naturalíssimas entre correligionários, exigem muito tacto nos meios monárquicos, onde, por um mal entendido que a nossa propaganda ainda não dissipou, podem susceptibilzar os nossos adversários, aparecendo que tentamos levá-los de assalto.
Não façamos aos outros o que não consentiremos que eles nos façam. Assim como nos susceptibilizaria que os nossos adversários pretendessem com as suas manifestações fazer passar por monárquicas povoações já quase de todo ou em grande parte republicanizadas, assim está da nossa parte nas outras povoações não lhes criar o menor motivo para igual motivo para igual melindre. Molestados os elementos monárquicos liberais que há por muitas terras, bem dispostas a respeitar os nossos direitos de propaganda e discussão e a ouvir-nos, retraídos esses, portanto, ficam em campo os bandos reaccionários para, com as costas quentes pela autoridade, operarem, segundo o eufemismo do Presidente do Conselho, a revivescência do espírito monárquico, agredindo-nos furiosamente. Ora nós, ainda quando possamos levar a melhor nesses conflitos, e ainda quando por fim eles venham pelo seu escândalo a indignar os próprios monárquicos liberais contra os reaccionários, devemos procurar evitá-los. Queremos convencer, não vencer. Fazemos propaganda, não escaramuças. O País reclama ansiosamente sossego, paz, e é preciso que ele veja que só o Governo republicano é capaz de lha assegurar, porque, no dia em que, pela proclamação da República, a  reacção se achar isolada, sem a protecção governativa, e, por isso, correndo risco das suas arremetidas, acalmará de pronto. Ela não é para sacrifícios. E os fanáticos, já hoje em dia felizmente muito raros, caberão bem então, quando se tornarem perigosos, numa casa de saúde ou num manicómio.
Ninguém, contudo, intérprete mal os nossos escrúpulos. A nossa política de atracção não implica nunca a mínima transigência com os nossos adversários.

Inauguração da estátua a Bernardino Machado, no âmbito das comemorações de 1983, com a presença do então Presidente da República Ramalho Eanes

A tibieza, o simples retraimento do Partido Republicano em qualquer campanha liberal seria não só um mal para o partido, porque atrofiava as suas forças, dando-lhes ademais um ar comprometido de desconfiança em si, como se o seu concurso declarado pudesse prejudicar o êxito da causa que ostensivamente defendesse, o que seria a pior das fraquezas, mas também, e até logo por isso, um grande mal para a própria campanha. Que se ganhava em compensação da tibieza e enfraquecimento republicano? Não se afastarem da luta contra a reacção as forças monárquico-liberais? Revigorarem-se essas forças, pondo na luta toda a sua tensão? Como tudo isto é quimérico! Onde estão essas forças monárquico-liberais tão ciumentas da integridade partidária e tão orgulhosas do seu poderio político, que, em vez de se medirem, sem se confundir, com as forças republicanas, disputando-lhes a primazia no esforço combativo comum contra a reacção, preferirão imobilizar-se nos seus arraiais e saírem a campo, batalhando junto de nós e repartindo connosco os troféus da vitória? Formular a pergunta é logo dar a resposta. Não existem!
Não há já entre nós nenhum partido monárquico liberal. Todos os partidos monárquicos constituídos são profundamente, entranhavelmente reaccionários: os rotativos são a reacção política – plutocrata e pretoriana – e os nacionalistas são a reacção clerical. [os franquistas são a reacção feudal – plutocrata e pretoriana] Poderá constituir-se de novo um partido monárquico-liberal? Não o conseguiram na oposição, há pouco, João Franco e, ultimamente, José Alpoim, ambos os quais se viram afinal na necessidade de transigir e se aliar com as velhas oligarquias rotativas. O Sr. Alpoim, ainda depois da sua entrada para o bloco liberal com os regeneradores, continua a apregoar que o regime ou há-de ser democrata ou morre; mas João Franco fez pregão também de liberdades, ainda depois da sua concentração liberal com os progressistas. E, por mais que diferencemos entre os dois homens e entre os parciais de um e de outro, e temos obrigação estrita de lealmente os não equiparar, fica sempre no espírito público suspensa esta interrogação: mas no poder? O poder é a grande provação. A quem lá for amanhã, acontecerá o mesmo que a João Franco: ceder, traindo o povo; ou o mesmo que a Ferreira do Amaral: desistir, traído pelo Paço. E mais Ferreira do Amaral tinha por si a força excepcional que lhe dava aquele momento de pânico da dinastia e de impotência dos partidos monárquicos. Tudo então aconselhava o regime a ser liberal, nós mesmos a isso o instigamos abnegadamente, patrioticamente; e nem assim! A experiência já feita do novo reinado tornou-se, pois, para todos desenganadamente decisiva.
Mas haverá subterrâneos, esparsas, prestes a organizar-se por si mesmas num partido em volta de novos chefes, potentes forças monárquico-liberais, que seja necessário acauteladamente não perturbar na sua laboriosa gestação? Quem dá por isso? Onde esses chefes? O que não se fez com José Dias Ferreira, apesar de todo o seu alto valor político, irá fazer-se agora com o Sr. Bombarda, cujo grande valor, também inegável, tão relevantemente se têm assinalado nos últimos tempos? Por mais que o Sr. Bombarda, com todo o fogo do seu liberalismo, sopre nas cinzas frias das juntas liberais, não as reanima, porque tais juntas estavam de há muito tão mortas que as almas de vários dos seus membros tinham já transmigrado para o franquismo senão mesmo para o clericalismo.
Não há nenhum partido monárquico constituído, nem possibilidade de se constituir algum de novo. O que há, sim, é monárquicos liberais. E esses ou são tão frouxamente liberais e tão intensamente monárquicos, que se receiam, como uns beatos, do contágio republicano, e não contam para a defesa valorosa das liberdades públicas; ou, são deveras liberais, só têm um de dois caminhos a seguir: desiludidos da Monarquia, republicanizarem-se de vez, como altivamente fizeram Augusto José da Cunha, Anselmo Braancamp Freire e tantos outros, a seu exemplo, ou, porque não queremos nas nossas fileiras ninguém contra vontade, nem o Partido Republicano tira o lugar a ninguém, formarem, sem quebra da sua autonomia, ao nosso lado, como honradamente fizeram muitos e, sobretudo, os dissidentes.
Mas, para isto, é indispensável que uns e outros nos vejam, como então, aguerridamente na estacada, nos postos mais perigosos, comandando a batalha.
O Partido Republicano tem o direito e o dever de ir sempre na vanguarda de todas as campanhas liberais. E não pode deixar de ir. A não ser que, desesperado deste mundo, faça o voto asceta de não governar… Mas não! Sei bem que não desfalece nunca. O Partido Republicano não confia menos em si do que o país confia nele. E é, com esta plena confiança na sua redentora missão, que saúdo esperançosamente a Foz republicana.






























segunda-feira, 2 de abril de 2012

25 de abril em exposição


A exposição documental intitulada “25 de Abril”, organizada pela Biblioteca-Museu República e Resistência, sob a coordenação de João Mário Mascarenhas e com a coordenação científica de António Reis, vai estar patente ao público no Museu Bernardino Machado, de Vila Nova de Famalicão, entre 1 de Abril até 31 de maio do corrente ano.
Constituída por 23 painéis que relata, segundo nota informativa dos organizadores, a história do dia 25 e de todo o processo revolucionário que se lhe seguiu, entre o 25 de Abril até à realização das eleições de 1976 e à aprovação da Constituição, retém, a mesma exposição, os percursos dos protagonistas, a dinâmica do movimento popular, a política, a sociedade e a cultura de uma época que define o Portugal de hoje, moderno, democrático e europeu.
A exposição documental “25 de Abril” contém nos 23 painéis as seguintes temáticas: i) Introdução, ii) O Marcelismo e a Crise do Regime Totalitário, iii) O MFA e o Derrube do Regime Totalitário, iv) O MFA e a Descolonização, v) O Processo Revolucionário, A Democratização e a sua dialéctica: do 25 de Abril ao 11 de Março, vi) Transformações Económicas e Mudanças Sociais, vii) O Novo Regime Democrático: principais traços institucionais, viii) Que Rupturas na Cultura e Mentalidades.
A entrada é gratuita.


quinta-feira, 22 de março de 2012

bernardino machado, apóstolo da democracia


DO REGICÍDIO À IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA

“A revolução redentora há-de estalar subitaneamente um dia, mas há-de ser preparada perseverantemente, laboriosamente, todos os dias, a cada minuto. O poder não evoluciona liberalmente para a república, não contemos com isso! Mas evolucionemos nós sem tréguas para ela pelo incessante exercício e progressivo desenvolvimento das nossas virtudes cívicas.”

Bernardino Machado, Eleições Locais, 1908

No próximo dia 21 de Abril, pelas 16h00, no Museu Bernadino Machado, em Vila Nova de Famalicão, vai ser apresentado o III volume-II Tomo das Obras de Bernardino Machado. A Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, o Museu Bernardino Machado e as Edições Húmus continuam, assim, com a publicação das Obras de Bernardino Machado, cujo II Tomo compreende os anos de 1908 a 1910, fase histórica que compreende o Regicídio até à Implantação da República em Portugal, no dia 5 de Outubro de 1910, na intensidade da ditadura franquista. Com a coordenação científica do Professor Norberto Ferreira da Cunha (coordenador científico do Museu Bernardino Machado), o II Tomo das Obras de Bernardino Machado, que corresponde à sua produção textual política, alia-se a uma intensa actividade de propaganda republicana por parte de Bernardino Machado, cognominando-o a imprensa como sendo o “apóstolo da democracia e grande educador”.
O II Tomo da obra política de Bernardino Machado contém, desta forma, textos como “A Concentração Monárquica” (1908), “Eleições Locais” (1908), “Orientação e Táctica Republicana” (1909), “A Lógica dos Acontecimentos” (1910), “A Monarquia e a Tutela Estrangeira” (1910) e “Pela República: 1908-1909 – II” (1910), volumes já completamente esgotados no plano editorial, sendo agora republicados. Paralelamente, o II Tomo vai ter, igualmente, textos e entrevistas de Bernardino Machado publicados apenas uma única vez na imprensa (nacional e estrangeira), caso de jornais como “A Beira”, “O Imparcial”, “Diário de Notícias”, “O Mundo”, “Vanguarda”, “República”, “O Norte”, “Voz Pública”, “A Luta”, “O Primeiro de Janeiro” e de “O Século”; por seu turno, dos jornais internacionais temos textos, principalmente entrevistas, publicados em “Le Matin” (França), “Diário Português” (Rio de Janeiro) ou no “Haroldo de Madrid” e no jornal “Huelva” (Espanha).
Para além desta característica deste II Tomo, os textos que o compõem reflectem a sua actividade no campo da propaganda eleitoral pelo ideal republicano (acreditando Bernardino Machado que a revolução deveria ser mais um acto político do que um acto militar), discursando um pouco por todo o País, de norte a sul, seja nas eleições municipais ou nas eleições para o Parlamento, muitas vezes em centros republicanos já existentes e em outros que inaugura. Vejamos este último caso: Grupo Republicano França Borges, Grupo Democrático A Juventude Republicana, Centro Republicano João Chagas, Centro Escolar Republicano A Luta, Centro Republicano de Abranches, Centro Republicano Dr. Machado (Porto, V. N. de Famalicão), Centro Republicano do Lavradio, Centro Republicano Basílio Teles, Grupo da Mocidade Democrática Guerra Junqueiro, Centro Republicano Guilherme Braga, Centro Republicano de Pontevel e Centro Democrático de Montemor-o-Novo. Do primeiro caso, temos, por exemplo, a actividade discursiva de Bernardino Machado no Grémio Republicano Federal, na Comissão Municipal Republicana, Centro Republicano Latino Coelho, Escola 31 de Janeiro, Concentração Musical 24 de Agosto, Centro Republicano António José de Almeida, Centro Republicano das Mercês, Voz do Operário, Centro Republicano de S. Carlos, Associação dos Caixeiros de Lisboa, Centro Republicano Afonso Costa, Centro Republicano João Chagas, Centro Republicano Botto Machado, Centro Republicano Tomás Cabreira, Centro Republicano Alexandre Braga e em tantos tantos outros. Muitas vezes, em plena campanha eleitoral, discursa três vezes no mesmo dia em locais diferentes!
 O II Tomo, para além da introdução do Professor Norberto Ferreira da Cunha, terá também, do mesmo, notas-de-rodapé explicativas relativamente aos acontecimentos históricos. A apresentação do II Tomo contará com a presença do Vereador da Cultura e Vice-Presidente da Câmara Municipal de V. N. de Famalicão Paulo Cunha.

sexta-feira, 16 de março de 2012

a organização da maçonaria






O Museu Bernardino Machado, de Vila Nova de Famalicão, convidou para a segunda conferência do V Ciclo de Conferências “A Maçonaria em Portugal: do século XVIII ao século XXI” o Professor João José Alves Dias, que virá falar sobre a “Organização e Funcionamento: ritos, símbolos e graus” na Maçonaria, no próximo dia 23 de Março do corrente ano, pelas 21h30.
Com a licenciatura em História pela Faculdade de Ciências e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (1982) e com o doutoramento em História: História Económica e Social – Séculos XV-XIX, o Prof. João Alves Dias pela mesma Faculdade, e da sua docência, é Presidente do Centro de Estudos Históricos da Universidade Nova de Lisboa, Membro da Associação Historians of Early Europe, da Associação de História medieval Portuguesa e é Sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa. Para além de ter participado com comunicações em conferências e seminários no estrangeiro e em Portugal sobre História, os estudos históricos do Prof. João Alves Dias inserem-se no âmbito da Paleografia, no Renascimento, na Bibliofilia, sobre a Imprensa, a Filatelia ou sobre as Chancelarias portuguesas e com uma vasta produção editorial destas respectivas temáticas históricas, publicou sobre a Maçonaria “Pombal na Tradição Maçónica Portuguesa” (1991), “A República e a Maçonaria: o recrutamento maçónico na eclosão da República Portuguesa” (1986), “A Maçonaria em Portugal de 1727 a 1892” (2002), “Para a História da Maçonaria no Porto em Finais do Século XIX” (2002), “Pombal e a Maçonaria” (1982), “Museu Maçónico Português: uma viagem ao visível do invisível” (1994), entre outros estudos maçónicos. Colaborou no “Dicionário de História de Lisboa” (1994), sob a direcção de Francisco Santano e Eduardo Sucesso e na “Encyclopédie de la Franco Maçonnerie” (2002), com a direcção de Eric Saumier sobre várias temáticas maçónicas.
As conferências do V Ciclo de 2012, com a entrada livre e gratuita e a entrega de certificado de presença, aguarda acreditação do Centro de Formação Científica, para os professores das disciplinas de História, Filosofia e de Sociologia.


 

"queres saber como... se faz a manteiga?"








José Augusto Vieira, no seu “Minho Pitoresco” (1886) considerava a Fábrica de Lacticínios, situada então na Freguesia de Formariz (Paredes de Coura) do Conselheiro Miguel Dantas como “um conceituadíssimo centro de actividade fabril”, representando “o ganha-pão de imensas famílias – e para bem avaliar de quão poderosamente contribui para o viver económico do concelho, basta que acrescente que recebem ali, todos os dias, 2.000 litros de leite, importando esta dose do precioso líquido em cerca de 2.000$000 rs. Mensais.” Bernardino Machado virá a herdar a Fábrica de Lacticínios do Conselheiro Miguel Dantas, situada ma margem esquerda do Rio Coura, a pouca distância do Palacete de Mantelães; e se hoje já nada existe do edifício da fábrica, sendo um complexo de habitação, a “Fábrica de Lacticínios” para além de ter promovido a economia doméstica, foi um foco de grande desenvolvimento económico da região. Neste contexto, e na passagem de mais um aniversário de Bernardino Machado, O Museu Bernardino Machado, de Vila Nova de Famalicão, no âmbito das suas actividades pedagógicas, vai organizar um atelier denominado “Queres saber como… se faz a manteiga?, no próximo dia 28 de Março, entre as 10h00 e as 13h00, com a colaboração do Gabinete de Arqueologia e com o apoio “Senras Dairy – Fabrico Artesanal de Queijo”, de Ribeirão.






terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Rocha Peixoto no Museu Bernardino Machado


A Exposição Documental Rocha Peixoto, organizada pela Biblioteca Municipal Rocha Peixoto, da Póvoa de Varzim, realizada no âmbito das comemorações do primeiro centenário da morte do célebre etnógrafo, arqueólogo e bibliotecário poveiro, vai estar patente no Museu Bernardino Machado, em Vila Nova de Famalicão, entre 1 de Fevereiro a 30 de Março do corrente ano. A exposição é constituída por 15 temáticas, a saber: i) Rocha Peixoto e o seu tempo - o século XIX, ii) Origens, iii) Póvoa de Varzim, iv) O Despertar, v) Naturalista da Academia Politécnica, vi) Sociedade Carlos Ribeiro, vii) Revista de Sciencias Naturaes e Sociaes, viii) Movimento Republicano, ix) Bibliotecário, Museólogo, x) Rocha Peixoto, Manuel Monteiro, xi) As Excursões Científicas, xii) Revista Portvgalia, xiii) Desenhos de Rocha Peixoto, xiv) Colaboradores Artísticos da Portvgalia, xv) Photographias de Rocha Peixoto. Dá-se a conhecer um texto de Manuel Mendes, publicado na revista "Seara Nova", a propósito das "Obras" de Rocha Peixoto, tendo sido publicado o I Tomo em 1967, com a organização de Flávio Gonçalves, e com o título "Estudos de Etnografia e de Arqueologia", para se conhecer um pouco mais da obra do ilustre etnógrafo poveiro, que se correspondeu com Bernardino Machado. Refiro, aliás, que Rocha Peixoto, e relativamente a Bernardino Machado, no livro "A Terra Portuguesa" (cuja 2.ª edição o meu caro amigo dr. Manuel Costa teve a amabilidade de me oferecer), se refere a Machado, quando este  cria em 1893 a Comissão de Estudo e Conservação dos Monumentos Nacionais (ano em que também fundou o Museu Etnográfico Português, nomeando Leite de Vasconcelos seu director, sendo Machado - então um liberal progressista, apelidado de filósofo e de vermelho -  Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria no Governo de Hintze), Rocha Peixoto, a propósito da referida comissão, diz que ignora os meios financeiros que a recente instituição vai dispôr. Evocando o exemplo da Suíça e da França em tais matérias, Rocha Peixoto pretende que a referida comissão então criada não seja algo platónica, acreditando que "Bernardino Machado evitará, reparando assim tanta selvajaria nesta terra cometida."