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quarta-feira, 9 de maio de 2012

portugal moribundo


Numa altura em que falta a Portugal não só uma consciencialização histórica, mas igualmente cultural (hoje, para espanto meu, numa visita que realizei no Museu Bernardino Machado a alunos de uma escola profissional, do curso de mecânica, e que possuíam o módulo de "Cidadania e Democracia", nenhum sabia quem era Aquilino Ribeiro!!!), o livro de Miguel Real, com três capítulos específicos, a saber, i) "O Espírito da Europa", ii) "O Fracasso Histórico de Portugal" e iii) "A Vocação Histórica de Portugal" é mais do que oportuno neste presente sem sentido. Tal significa que existe muito trabalho para fazer!!!


"... defendo um Portugal democrático tanto na política, como na cultura, como no pensamento, como na fé. O unanimismo [...] tem sido, ao longo da história, o argumento fundador de todas as inquisições, autoritarismos e ditaduras." (18)

"A ideia de vocação histórica concentra-nos na avaliação  e valorização dos nossos talentos, predisposições, competências, capacidades demonstradas para aproveitar as oportunidades e, ao mesmo tempo, enfrentar e superar as vicissitudes que se nos têm deparado na nossa caminhada histórica de vida em comum, autónoma, que poderemos olhar de forma decidida para os desafios do presente e dar-lhes uma resposta, tendo por referência aquilo que de melhor soubemos fazer no passado, em momentos tão ou mais difíceis do que os de agora. / Miguel Real, acredita e aposta firmemente na capacidade redentora e regeneradora da liberdade, uma liberdade que potencie as energias, os talentos, a vocação criadora dos portugueses para superarem com sucesso os tempos difíceis em que vivemos. Esta é a poderosa mensagem deste livro." (20-21)

José Eduardo Franco

terça-feira, 8 de maio de 2012

bernardino machado e o titanic


Entre 20 e 26 de Abril de 1912 o jornal "O Mundo" fazia reportagens sobre o desastre do transatlântico "Titanic"; mas já antes, Bernardino Machado, senador da República portuguesa, na sessão n.º 70, a 17 de Abril, propunha (talvez a única voz) "um voto de sentimento", pelo trágico acidente de 14, nos seguintes termos: "Aproveito o ensejo de estar com a palavra para propor á Câmara que seja aprovado um voto de sentimento pela catástrofe que acaba de dar-se e que comoveu o coração de todos os povos. / Refiro-me ao naufrágio do grande transatlântico Titanic."
 Coloco aqui algumas das fotografias que o jornal "O Mundo", então publicadas no "Excelsior", reproduzia, para memória histórica de acontecimento tão funesto. Mas da história tira-se sempre liçoes, e se do filme, ficção ou não, se retira, por um lado, a perspectiva do humano enquanto construtor de metáforas para sua glória, sendo esta metáfora, neste nosso caso, a da grandiosidade pela técnica, tal qual Wells na sua máquina do tempo, ou na do Dr. Moreau, pela criação do humano que se transforma em monstro, por outro lado, na ficção cinematográfico, depara-se, na tragédia, com aquilo que do pior o humano tem: a indiferença por aquilo que é verdadeiramente humano, qualificando-se esta mesma indiferença não só no "ser", mas no ter. Eis o problema de todos os tempos, assim colocado na sua simplificação. Para o dr. Manuel Sá Marques, tendo sido o seu avô Bernardino Machado que edificou a tragédia na glorificação ontológica no Senado português, e uma das únicas vozes, nas suas simples palavras que se transcreveu, com o meu abraço de amizade fraterna









terça-feira, 1 de maio de 2012

1.º de maio


e num dia assim, ainda ficamos mais descontentes e o que vale é logo, vai ser mais quentinho e amoroso.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

o mundo fantástico de antónio santos graça



"Na história local, a trajectória de Santos Graça é a de um voluntarismo musculado que atingiu a meta, desde muito novo sagazmente construída. Nascido num modesto clã de pescadores-banheiros, que na altura definiam a dupla actividade sócio-económica da praia da Póvoa, se não foi o mar o seu destino de filho de família da classe piscatória, nunca a defesa profiada de suas causas deixou de ser o objectivo cimeiro do seu combate político. A míngua de oportunidades e recursos, para receber uma escolaridade perfeitamente ao alcance do seu inato talento, não o impediu de obter a pulso, pela via árdua do autodidactismo, a literacia surpreendente que á sagacidade veio mostrar possuir: o convívio social, ligado à profissão de lojista; a prática de desportos náuticos: o associativismo; a lide político-partidária republicana; o contacto com intelectuais como Rocha Peixoto e Leonardo Coimbra; o jornalismo, qual tarimba de toda a hora, doutrinário e polémico; a experiência parlamentar; o apego identitário à idiossincracia do pescador poveiro cujos genes recebeu e assumia - tudo isso acabou por ser fonte onde bebeu e caldeou a sua formação, de que a gama vária de seus escritor é eloquente testemunho."

João Francisco Marques


 
O meu caro Amigo Manuel Costa, Director da Biblioteca Municipal Rocha Peixoto (que segue bem as pisadas do mestre que cheguei igualmente a conhecer, ficando por ele igualmente fascinado, claro que se fala aqui de Manuel Lopes, apesar do meu contacto inicial não ter sido dos melhores), ofereceu-me recentemente não só o catálogo da exposição "António Santos Graça - Vida e Obra", comemorando-se, assim, os 130 anos do nascimento da ilustre figura poveira, como igualmente tive o privilégio da oferta "À Descoberta de António dos Santos Graça", este de cariz didáctico-pedagógico, ambos organizados e editados por si. A Biblioteca Municipal Rocha Peixoto continua, deste modo, a comemorar os seus vinte anos de existência que dignifica a comunidade a que pertence.


A exposição, assim como o próprio catálogo, que ainda se encontra patente ao público até 31 de Maio do corrente ano, encontra-se dividida em oito temáticas, a saber: i, Infância e Juventude; ii, A Família; iii, A Obra; iv, O Quotidiano; v, O Etnógrafo; vi, O Político, vii, O Jornalista; viii, Cronologia (1882-1956). Uma exposição que retrata bem a citação do texto que transcrevemos de João Francisco Marques, que prefacia o catálogo. Para além de profusamente ilustrado, o catálogo contém textos não só do homenageado, como igualmente de João Francisco Marques, Manuel Lopes, Flávio Gonçalves, Ernesto Veiga Oliveira, António Medeiros, Armando Marques ou de Victor de Sá para uma compreensão maior da importância de António santos Graça nas suas múltiplas actividades, cívicas, culturais e políticas. Paralelamente, surge-nos no catálogo uma "História dos Documentos", a qual nos vai informando das suas tipologias documentais, passando pelo tratamento técnico. E o escrevinhador destas linhas pede apenas desculpa a Manuel Costa pela digitalização da imagem da República, diga-se, até por sinal, uma República bem simpática e sugestiva, encantando mais gente cá por Vila Nova, pelo Museu Bernardino Machado. Aliás, o nosso Bernardino Machado também estaria e ficaria encantado com aquela imagem da República, de linhas estéticas simples e de sensualidade admiratitativa (os olhos não enganam), quase como que questionando o mundo que olha. Para além disto, também se gostou da sigla da família, o que nos colocou a pensar qual será a nossa. Falo, é claro, do livro didáctico-pedagógico "À Descoberta de António dos Santos Graça", que já deve ter encantado quer miúdos e graúdos, pela documentação e pelas curiosidade que incorpora. Apenas um grande abraço de amizade fraterna para o meu caro Amigo Manuel Costa e o meu agradecimento por estas duas ofertas.



domingo, 29 de abril de 2012

bourbon e menezes e bernardino machado

na passagem de mais um aniversário do falecimento de bernardino machado, este texto de bourbon e menezes publicado no jornal de "notícias de huíla", em 26 de junho de 1944. para o dr. manuel sá marques, com o meu abraço afectuoso de amizade fraterna.



segunda-feira, 2 de abril de 2012